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Vocações – uma carta aos jovens

agosto 25, 2014

marcio_costa_150x150Neste momento certamente dezenas de jovens encontram-se em frente aos seus livros escolares tentando assimilar, de alguma forma, as diversas matérias que lhes serão cobradas nos vestibulares e concursos que se aproximam. São momentos difíceis e complicados, pois há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na mente de quem começa a dar os primeiros passos pelos caminhos da maturidade.

E as dificuldades não são poucas. Enquanto que se coloca diante das páginas dos livros, que parecem um universo interminável de equações e frases complexas, lá fora o mundo caminha num misto de “perto e longe” da ansiedade juvenil. “Perto” porque parece envolver o estudante em uma cobrança continua pelos resultados e pela ausência social. “Longe” pelos impositivos do corpo, da mente e das paixões terrenas que assediam esta fase da vida e parecem tornar o mundo cada vez mais distante enquanto estuda, levando o jovem a pensar que “está perdendo tempo”

No entanto, sua vontade de continuar alia-se aos incentivos externos e apelos do mundo moderno. Motivações de diversas ordens permeiam os seus pensamentos conturbados e, muitas das vezes, ainda não decididos no rumo a tomar. O que vou ser? O que devo buscar? As respostas surgem como placas que apontam para várias direções na bifurcação da estrada. Com a certeza do que fazer, envereda pelo caminho indicado pelo seu coração. Na dúvida, busca nas orientações de outrem ou em suas lembranças mais pueris os indicadores do rumo certo.

O que nem sempre os jovens sabem é que muitas destas escolhas já foram feitas antes mesmo da reencarnação. Na busca do caminho evolutivo, escolhemos as provas pelas quais passaremos em nossas vidas antes do nascimento, a fim de possamos extrair delas a depuração de débitos contraídos em outras vidas.

Mas além de retornarmos por nossas escolhas, também trazemos no gérmen de nossa alma memórias impressas do que fomos e fizemos nas encarnações anteriores. Se nossos instrumentos do corpo físico forem capazes de exteriorizar tais lembranças, possivelmente poderemos aprender com muito mais facilidade uma tarefa, uma profissão, uma arte e até mesmo repetir o caminho que tomamos em outras encarnações. No livro “Há dois mil anos”, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos conta que uma de suas encarnações foi como um cônsul romano, contemporâneo de Júlio César. Na encarnação seguinte, retorna como um senador romano, bisneto do mesmo cônsul, desempenhando suas atividades de forma muito similar ao seu bisavô.

Sabemos que nossas lembranças do passado nos são veladas para que possamos ter nova oportunidade de aprendizado. No entanto, antes do berço fazemos uma programação de tudo que iremos trilhar na nova encarnação. Logo, se um dom se aflora desde a infância, nem sempre pode ser ele um farol do caminho a ser seguido nesta nova vida. Como exemplo, podemos muito bem ter o dom da música e nos tornarmos engenheiros. Podemos ainda dominar cálculos complexos e nos tornarmos historiadores. Nestes casos, a experiência em outra área pode contribuir com o degrau que falta ao espírito para continuar o seu contínuo progresso.

O jovem, em um momento de tantas descobertas e sonhos, deve estar atento aos indícios que lhe surgem direta ou indiretamente de sua vocação neste plano terrestre. Usando os termos do inolvidável Machado de Assis, em Dom Casmurro, os “olhos de ressaca” do destino, de alguma forma, irão avançar e puxar a atenção do jovem para o caminho correto. E assim, como as ondas que vão e voltam na areia, situações discretas, desdobramentos de fatos, dentre outros sinais vão se repetindo em nossas vidas até que percebamos o que realmente devemos fazer.

Nesta continuada busca pelo amanhã, não existem aqueles que nasceram como “uma estrela”. Se um trás consigo o resultado da riqueza, muitas das vezes pode ser uma prova para a sua vaidade e orgulho, as quais muitos sucumbem. Se outros obtêm pouco sucesso na vida, por mais que lutem a cada dia, para estes, as provas de paciência e da resignação. Outros ainda nada conseguem e em nada chegam; mas muito alcançarão na vida espiritual. Ressalta-se que em todas estas condições, o ócio doloso em nada ajuda e somente estaciona o espírito. Em todos os momentos, de vitórias ou perdas, o jovem deve se manter firme e motivado, pois a Providência Divina nunca lhe abandonará. Mesmo não havendo encarnados que o apoiem, outros tantos desencarnados voltados ao bem estarão ao lado daquele que tiver propósitos dignificantes em suas tarefas.

Por fim, o texto volta-se aos pais. Portadores de uma tarefa divina de conduzir espíritos em suas novas experiências na roupagem carnal, os pais devem, desde a mais tenra infância, envolver seus filhos sob a luz da educação moral. Somente por meio dos conceitos morais, a criança poderá chegar à fase jovem preparada para enfrentar os momentos de maiores dificuldades e dúvidas em sua vida. Pautadas em conhecimentos morais consolidados, saberão distinguir as situações onde o orgulho, as paixões, e a vaidade irão querer desviá-lo do rumo previsto nesta reencarnação.

Jovens seguros em suas bases morais serão jovens seguros em suas escolhas intelectuais.

Márcio Martins da Silva Costa

Referências:
EMMANUEL. Há Dois Mil Anos: Episódios da HIstória do Cristianismo no Século I. 49. ed. Brasília – Df: Feb – Federação Espírita Brasileira, 2013. Psicografado por: Francisco Cândido Xavier.
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004.
XAVIER, Francisco Cândido; EMMANUEL. O consolador: ditado pelo espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006. 240 p.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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