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Reflexão: novas gerações

outubro 4, 2014

marcos-paterra2Hoje vemos com naturalidade crianças com pouco mais de quatro anos batendo fotos ou usando os telefones celulares de seus pais, jogando no computador e etc.

Essas crianças fazem parte da chamada “Geração Z”, ou adeptos da “Cultura Virtual” que lidam com computadores de ultima geração, telefones com câmera e TV, Pen drive de capacidades enorme de armazenamento, jogos eletrônico de conexão à TV e etc. Vivem em uma época em que a tecnologia está em um estágio fascinante, onde a cada minuto têm-se novos avanços.

A cultura digital tem crescido de forma desenfreada nos últimos 40 anos, e acaba causando alguns problemas para as gerações que dela surgem.

Entre esses problemas, um dos principais é a aprendizagem nas escolas, pois os jovens e adultos, após o inicio da era digital, passam a ter rapidez de pensamento e incapacidade para a linearidade. Dessa forma pode facilitar muito em determinadas áreas, porém em outras, que exigem mais seriedade e concentração, podem sofrer algumas dificuldades. Para eles, a informática e as tecnologias da Internet, são um lugar comum. Todas as suas comunicações têm lugar na internet e elas revelam muito pouca comunicação verbal e habilidades, ocasionando fazer o mesmo em seu convívio familiar ou social. Não pensem que a cultura virtual é só ligada aos computadores, a televisão, por exemplo, tem sua participação. Alguns estudos mostram que a criança se relaciona com a TV como se relaciona com os demais em sua casa. A exemplo, podemos citar: influência de marketing e consumismo, erotização precoce, inversão de valores e falsa igualdade social.

Bill Gates[i], sabiamente, disse: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história”.

Imaginamos que os avanços tecnológicos proporcionariam uma vida mais tranquila às pessoas. Mas, em alguns casos, ocorre justamente o contrário, pode-se, por exemplo, comentar que levamos nossas tarefas para casa, onde por vezes carregamos o celular até o banheiro, para ficar “de sobreaviso”. Os computadores estão em nossas residências nos ajudando a complementar o serviço, que não tivemos tempo de concluir no emprego.

Percebe-se que as crianças foram deixando as peladas, as brincadeiras com peão, bola de gude, pipa e etc. para assistir TV, onde o conteúdo exibido muitas vezes é censurável.

No século XVII Jean Jacques Rousseau[ii] mostra-nos como a criança é facilmente influenciada com a frase: “A criança tem um modo singular de entender e de ver o mundo”, e é devido a esse “modo singular” que devemos ter maior cuidado com o que nossos filhos veem ou escutam. Paulo Freire[iii] dizia: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Sobre esse ângulo atentamos às conclusões do pesquisador Vygotsky[iv]: “com a modelação de conhecimento e a interação do meio social, os indivíduos podem adquirir conhecimentos que antes não podiam” [v].

Porém, seria hipocrisia negar os benefícios que as novas tecnologias nos trazem, onde novos aparelhos de diagnóstico ajudam a salvar vidas, novas formas de aprendizagem ajudam a encontrar soluções para problemas antes não resolvidos, a rede mundial de computadores “internet”, hoje ajuda a enviar e receber informações com muito maior rapidez e precisão.  Portanto, tomando os devidos cuidado com as influencias negativas, nossos filhos adequados a essa nova geração, passam a lidar com diversas situações com muito mais agilidade e compreensão.

Alguns podem perguntar, mas qual a relação dessa nova geração com o Espiritismo? Podemos começar pela Internet que permitirá um contato mais rico com a obra Espírita. Onde se é possível elaborar cursos interativos, por exemplo, uma discussão da obra de André Luiz, apontando links relevantes entre os diferentes textos, e com comentários feitos por autores reconhecidos.

As redes virtuais, vão formar debates, onde novos preceitos podem surgir, e certificar-se dos velhos. Existem inúmeros grupos de estudo e discussões sobre temas espíritas na Internet. Trocar ideias e repassar opiniões, onde o Espiritismo ainda é quase desconhecido. Essa nova geração dominará e temos de nos adaptar a esta nova linguagem e, se nós soubermos usá-la, teremos um grande auxiliar do nosso trabalho, tanto para troca de ideias e textos como para pesquisa.

É importante lembrar que o Espiritismo é uma doutrina aberta aos avanços científicos, portanto, as transformações sociais, as mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem são importantíssimas. Os veículos de comunicação digitais são hoje uma ferramenta de publicidade na divulgação do movimento espírita.

Uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até as localidades mais distantes, o conhecimento das ideias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral.” (Kardec, Allan[vi]. Obras Póstumas – Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001)

Marcos Paterra

Artigo publicado em Julho de 2011 pela revista “RIE”.



[i] William Henry Gates III – Sócio fundador da Microsoft

[ii]Jean Jacques Rousseau filósofo, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata.

[iii] Paulo Reglus Neves Freire (1921/1997) – autor de muitas obras. Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa através de numerosas homenagens.

[iv] Lev Semenovich Vygotsky pesquisador e autor de dois livros básicos: Pensamento e Linguagem e A Formação Social da Mente  se tornaram um marco nos estudos do desenvolvimento humano.

[v]  Teoria da Zona de desenvolvimento proximal ( Vygotsky)

[vi] Allan Kardec era pseudônimo de  Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804/1869) notabilizou-se como o codificador do espiritismo.

Marcos Paterra
Marcos Paterra

Psicopedagogo, articulista, palestrante e membro da Associação Médico Espírita da Paraíba.

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