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Gentileza não exige gentileza

outubro 8, 2014

vania-mugnato-vasconcelosNão sei se preocupa a maioria, mas me preocupa ver como certas pessoas contribuem sem perceber, com aquilo que desprezam.

Certamente não é novidade que no mundo real, assim como no virtual, pessoas manifestam-se com uma frase que é um verdadeiro sofisma*. Dizem, em suma, que são gentis com quem é gentil com elas.

Chamo de sofisma, pois esse tipo de afirmação parece significar que se retribuirá um bom (gentil) comportamento com outro bom comportamento, o que seria virtude – retribuição, gratidão -, um verdadeiro estímulo ao relacionamento educado e saudável.

Porém, que tipo de ação seria na prática? Poderia ser mais ou menos isso: visitam os que as visitam, dão presentes a quem as presenteia, sorriem se para elas sorrirem (não é difícil supor que se fossem xingadas, retribuiriam sem pejo algum, no mesmo nível, não é?).

Quando se conhece o Cristo, uma das primeiras coisas que se procura absorver é que não se faz ao outro o que não se gostaria que lhe fizessem. Jesus nunca disse para esperar a ação do próximo para agir assim, nem mesmo falou que é virtude apenas ser retribuidor, nunca doador.

Atitudes ao estilo “te trato como me tratas” estimulam a indiferença, o descaso, o desrespeito, a vingança, o desamor, a desconfiança, a falta de caridade, provocando um círculo vicioso de egoísmo que não se prevê o fim.

Ser gentil somente com quem é gentil é agir contra os preceitos cristãos. Gentileza é uma virtude que brota na alma, contudo, necessita ser tratada para que se desenvolva, até que seja utilizada sem motivações externas, mas apenas pelo incentivo do amor incondicional ao próximo.

Gentileza existe porque é certo tratar bem a todos, ainda que alguns sejam brutos no trato, desagradáveis no falar, rústicos em seus pensamentos, agressivos em sua forma de ser e se manifestar. Gentileza não exige gentileza, elas se atraem.

Sem dúvida, não é fácil ainda, para quem carrega imperfeições fundadas no orgulho e no egoísmo, características da maioria dos indivíduos na humanidade, “engolir em seco” a má educação alheia, o individualismo e a falta de empatia do outro.

Porém, enquanto a pessoas se permitirem ser algo que acham negativo no outro, apenas porque o outro não merece algo melhor, ou, dizendo mais, enquanto as pessoas se permitirem doar de si apenas em retribuição, nunca sendo os primeiros a exemplificar, não conseguirão possuir as virtudes que todos almejamos intrinsecamente, não veremos tão rápido o status de evolução que buscamos, não seremos coatores da paz que lutamos por florescer no mundo.

Sejamos bons, gentis, sem que ninguém precise sê-lo antes de nós.

Sejamos a luz que ilumina, não apenas esperemos que a luz nos ilumine. 


Vania Mugnato de Vasconcelos


* Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular a verdade, apresentando-a sob esquemas, que aparentam seguir as regras da lógica.

Vania Mugnato de Vasconcelos
Vania Mugnato de Vasconcelos

Advogada, Bacharel em Serviço Social, pós-graduada em Recursos Humanos. Casada, mãe, espírita desde os 12 anos de idade, palestrante em vários centros no interior de São Paulo. Trabalhadora do CE João Batista de Jundiaí – SP, atua na casa como palestrante e Coordenadora do Grupo de Pais. Discípula de Jesus pela Aliança Espírita Evangélica do ABC, é oradora em casas espíritas vinculadas à USE Regional Jundiaí. Também é oradora em seminários realizados pelo Instituto Chico Xavier de Itu, em parceria com outros trabalhadores da seara espírita. Articulista espírita em redes sociais, jornais e blogs, seus textos e poemas estão disponíveis ao público na internet, bem como possui canal de vídeos no Youtube contendo palestras e estudos espíritas.

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