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O valor da amizade

novembro 14, 2014

marcio_costa_150x150Quando falamos em amizade, a primeira coisa que nos vêm à cabeça são aqueles amigos que estão bem próximos de nós. Afinal, é com eles que conseguimos conversar, trocar as nossas ideias, compartilhar momentos felizes, nossas angústias e, simplesmente, ter a satisfação de tê-los ao lado. O que nem sempre percebemos é que a questão da amizade pode ter uma relevância muito maior daquela que costumamos atribuir.

No evangelho de Lucas, em seu capítulo 11, existe uma passagem muito curiosa, na qual Jesus menciona o valor da amizade. Conhecida por muitos como sendo a “Parábola do Amigo Importuno”, em poucas linhas o notável Mestre insere conceitos aparentemente tão simples, mas de tamanha profundidade, ao qual vale a pena lembrar tais conceitos.

A parábola retrata uma situação na qual alguém seria procurado em sua casa por um amigo à meia-noite, solicitando-lhe três pães para oferecer a uma terceira pessoa que estaria chegando na casa do segundo. Ainda na parábola, ao invés de receber o apoio, o amigo recebe a indignação daquele que se levantou da cama para atender à porta. Nesta breve passagem, rica em conteúdo moral, o grande Mestre nos chama atenção para duas reflexões necessárias em nossas vidas. A primeira voltada para os valores da amizade; e a segunda, para a intercessão pelo próximo.

Nem sempre atribuímos o verdadeiro valor aos momentos que dividimos com as pessoas que estão ao nosso lado. Sejam elas consideradas amigas ou não, todas, de uma forma ou de outra, traçaram caminhos antes do berço para serem trilhados durante a vida. Muitos destes caminhos cruzam as linhas de nossas vidas e, até mesmo, podem se confundir com a nossa própria história.

No primeiro caso podem ser exemplificados aqueles amigos eventuais que atuam como coadjuvantes do nosso dia-a-dia. Simpáticos ou não aos nossos interesses, eles compartilham momentos conosco e, de forma indireta, ajudam-nos a escrever algumas páginas do diário de nossas vidas. Estes, geralmente, fogem de nossa memória carnal no decorrer dos anos. Não nos sentimos apegados a eles e, consequentemente, passam pela periferia de nossa atenção.

No segundo, e a título de exemplo, débitos contraídos no passado podem unir os caminhos de duas pessoas por uma encarnação inteira. Logo, se ontem eram amigos ou inimigos, hoje suas experiências podem ser entrelaçadas pelos laços cosanguíneos ou por meio de outras relações sociais próximas.

Em ambas as situações, o relacionamento interpessoal está sempre presente criando circunstâncias para que nós validemos todo o nosso conteúdo moral. Se agirmos mal para com o próximo, um momento oportuno se abrirá à nossa frente para nos avaliar e verificar se aprendemos ou não as máximas do amor e da caridade. Circunstâncias envolvendo um amigo, um colega ou até mesmo um desconhecido poderá nos oferecer tais chances de nos recuperar das faltas cometidas. Assim, em nenhum momento podemos olvidar a paciência, o trato e a tolerância para com o próximo, sob o risco de estarmos contraindo novos débitos que desaceleram o nosso processo evolutivo.

Se um amigo importuno o coloca em situação desagradável, envolva-o em vibrações de amor e paz. Na realidade nem sempre damos conta das tantas vezes que também fomos importunos. Nossas verdades costumam cegar nossos atos e somente percebemos os erros alheios. Orar pelos que incomodam e perturbam deve ser a nossa atitude diante de determinadas situações. Mas como um dos maiores beneficiados pela prece é o próprio que ora, também poderemos estar sendo envolvidos em boas vibrações nos momentos em que também formos importunos.

Por fim, tenhamos sempre em mente que o inimigo de hoje pode ser o amigo de amanhã, em outras encarnações e vice-versa. Depende da intenção de nossos atos. O acaso não existe em quaisquer condições de relacionamento social. Se não temos resgates com o próximo, podemos aprender com ele ou ajudá-lo a crescer intelecto-moralmente. Cada momento com o próximo é uma oportunidade de exercer a caridade, seja por meio de um simples sorriso ou até mesmo por ações mais complexas.

Valorizemos todos aqueles que cruzam as nossas vidas. Não poupemos a caridade e o amor para com o próximo. Se algo deu errado na amizade, ainda há tempo para consertar. Paixões, riquezas, cargos e ocupações sociais… tudo passa! Mas o dia de amanhã, neste plano ou em outro, poderá ser diferente e promissor se contarmos com aqueles que um dia guardaram no coração a verdadeira amizade que tivemos oportunidade de oferecer.

Márcio Martins da Silva Costa

Referências:
[1] Moura, Marta Antunes de Oliveira. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Ensinos e Parábolas de Jesus.
Parte 2. Brasília: FEB, 2013
[2] CALLIGARIS, Rodolfo. Parábolas evangélicas. 9. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Item: Parábola do amigo importuno, p. 68.
. XAVIER, Francisco Cândido. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 17 (Intercessão), p. 45-46.
[3] ______. Cap. 26 (Trabalhos imediatos), p. 63-64.
[4] ______. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB,2007. Cap. 121 (Amizade e compreensão), p. 255-256.
[5] XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Estude e viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 12. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Item: Amigos modificados — mensagem de Emmanuel, p. 170-171.
[6] ______. Item: Provações de surpresa — mensagem de André Luiz, p. 172.
[7] XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. A vida escreve. Pelo Espírito Hilário Silva. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 25 (Amigos), p. 105.
[8] ______. p. 105-106.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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