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O Espiritismo e a música

abril 25, 2015

marcio_costa_150x150Adentramos em um lugar onde uma suave música enternece o ambiente. Envolvidos na atmosfera fraterna, sentimo-nos mais leves, mais relaxados, como que cada parte da melodia fosse sendo espalhada pelo nosso corpo. Em questão de minutos esquecemos o antes, não pensamos no depois e nos elevamos em sensações de paz. Nossos corações parecem se aquecer e pulsar mais forte, os músculos do corpo relaxam e a alma mais leve parece estar mais próxima do Criador…

É assim que muitos descrevem algumas sensações vivenciadas em locais onde a música precede ou faz parte das atividades de prece e oração.

Nas igrejas Evangélicas, adorações envolventes, entoadas com amor por artistas que devotam o sentimento de louvor a Deus por intermédio de suas canções, emocionam fiéis durante seus cultos.

Suaves cânticos conduzidos por corais em igrejas Católicas enternecem os corações em celebrações conduzidas nas paróquias.

Nos terreiros de religiões inspiradas em cultos africanos, pontos cantados ao som de tambores emocionam a audiência em sua devoção aos orixás.

Entre tantas manifestações religiosas a música está presente, levando o ouvinte a vivenciar, em sua plenitude, momentos de paz, tranquilidade e de conforto que as melodias oferecem em suas crenças.

Se ainda estamos em um planeta de expiações e provas, onde as percepções sobre a matéria ainda prevalecem em relação às sensações do espírito e, ainda assim, conseguimos nos sensibilizar com obras maravilhosas escritas nos pentagramas dos músicos, o que pensar da música que ecoa em mundos celestes? Como deverão ser os acordes emanados pela sublime perfeição de planos mais elevados?

A harmonia do universo encontra-se em todos os lugares pronta para ser percebida pela sensibilidade das criaturas de Deus. Quanto mais rude e elementar é a matéria que compõem os nossos órgãos, mais dificuldade nós temos para exercer as faculdades do espírito. Em mundos mais elevados, onde a vestimenta carnal é muito mais sutil, a matéria não oferece tanta dificuldade ao espírito, que goza, sem limites, da harmonia celestial entoada em todas as manifestações da criação.

As mais belas melodias trazidas por compositores e músicos refletem uma pequeníssima parte da harmonia do universo, ainda que pareçam perfeitas aos nossos ouvidos. Entoadas no plano carnal, as músicas compostas necessitam de um instrumento para vibrar os acordes que levarão a melodia para nossos ouvidos. Dos nossos órgãos, a música caminha em direção às nossas almas que recebem de forma imperfeita a harmonia do universo.

Assim como um médium está entre um espírito e um encarnado, a música está entre harmonia celestial e as nossas almas, conforme nos conta o espírito do grande maestro Rossini, pela psicografia do Sr. Nivard, na Revista Espírita de março de 1869. Dependendo do meio pelo qual a música for trazida até nós, poderemos perceber sua perfeição ou parte desta somente.

A relação entre o Espiritismo e a música encontra-se nas condições de evolução moral na qual se encontra o ser humano. Quanto mais evoluído estivermos, mais sensíveis estaremos para perceber a harmonia da criação. E como decorrência, nossas músicas se tornarão um reflexo menos distante da perfeição celestial. Logo, a contribuição do Espiritismo, por meio da moralização dos homens, contribuirá para a criação de músicas cada vez mais belas, independente de dons transitórios recebidos em determinadas encarnações.

Por fim, elevemos nossos pensamentos ao grande Pai em agradecimento por nos enviar espíritos habilitados a traduzir na grosseira linguagem da música as mais belas obras-primas concebidas na harmonia do universo. Capazes de penetrar nos veículos carnais mais rudes e sensibilizar almas com um sentimento que as desmaterializa, composições influenciadas pela Divina arte nos ajudarão a perceber, cada vez mais, a paz, a luz e o amor.

Márcio Martins da Silva Costa

Referências:
O Livro dos Espíritos, pergunta nº 251.
Obras Póstumas, capítulos “A Música Celeste” e a “Música Espírita”.
Revista Espírita, Maio de 1858 e Março de 1869.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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