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E se Chico tivesse dormido?

maio 2, 2015

wellington-balboChico Xavier dissera a seu benfeitor espiritual Emmanuel que estava disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus, contudo, precisava para isso do apoio da espiritualidade.

O mentor, prestativo, respondeu a Chico que apoio não lhe faltaria desde que ele observasse três preceitos básicos:

1º Disciplina
2º Disciplina
3º Disciplina

Chico aquiesceu. O trabalho literário iria começar.

Então, certa noite, Emmanuel apareceu a Chico convidando-lhe à psicografia.

Chico, após um dia cansativo de trabalho, respondeu ao guia:

– Seu Emmanuel, agora estou com sono, preciso dormir, vamos deixar a psicografia para depois.

Emmanuel respondeu-lhe:

– Chico, o trabalho nos espera, o tempo urge, não podemos vacilar.

Chico não deu bola, virou-se, despediu-se do guia e voltou a dormir.

Na noite seguinte, Emmanuel aparece novamente:

– E agora, Chico, descansado para psicografar?

– Nada disso, Seu Emmanuel, preciso dormir. Sabe o que é, tive tantas dores de cabeça, estou cansado, trabalhei muito hoje, além do mais, tenho vários irmãos pequenos que necessitam de meu concurso. Vamos fazer o seguinte: apareça final de semana, ai podemos psicografar a vontade.

Emmanuel então fez conforme o combinado retornando no sábado.

– E ai, Chico, vamos começar a psicografar hoje?

– Ah, Seu Emmanuel, hoje não vai dar não, prometi aos meus amigos que iríamos a uma festa, vou chegar cansado, tenho que dormir. Desculpe! Olha, faça o seguinte, continue a me visitar, quem sabe um dia desses, quando eu estiver mais disposto não dá certo de encaixarmos uma mensagem…

Acordei, era somente um sonho, ou melhor, um pesadelo! Chico Xavier não dormira quando convocado a servir. Chico Xavier não titubeara quando chamado pelo plano espiritual a colaborar na construção de um mundo melhor.

Foram mais de 400 livros psicografados, traduzidos para vários idiomas, beneficiando aqui e acolá inúmeras criaturas das mais distintas culturas. Foram infinitas noites sem dormir a serviço do Bem.

Chico não dormiu e foi o perfeito instrumento utilizado pelo plano espiritual para espalhar paz e esperança, conforto e instrução na face da Terra, se o médium mineiro houvesse dormido, certamente os Espíritos teriam de utilizar outro ou outros instrumentos para fazer vir à lume as inesquecíveis obras de André Luiz, Emmanuel, Meimei e tantos outros que se manifestaram pela sua abençoada mão. O trabalho certamente aconteceria, contudo, sofreria algum atraso, deixando de beneficiar naquele tempo inúmeras criaturas sequiosas por consolo.

Guardadas as devidas proporções, todos sem exceção, somos convocados a dar nossa parcela de contribuição. Contudo, para que isso ocorra, temos de ficar atentos as às oportunidades que surgem:

* O amigo que nos convida a fazer o trabalho voluntário.
* O familiar em conflito íntimo que pede nosso apoio.
* O colega de atividade profissional que necessita de nosso auxílio.

Todas essas situações não chegam até nosso conhecimento por acaso, ao contrário, são trazidas até nós por diligentes mentores espirituais que tem em nós o instrumento que pode fazer a diferença na vida de alguém.

Contudo, há o imperativo de nossa iniciativa: se dormimos no ponto, deixando para depois o Bem que poderíamos fazer hoje, perdemos grande chance de galgar degraus na escala evolutiva.

Por isso, forçoso nos questionar se estamos com a bússola da disciplina e da atenção a nortear o caminho, ou preferimos dormir nos colchões da indiferença.

Chico não dormiu. E nós, estamos dormindo ou bem acordados?

Pensemos nisso.

Wellington Balbo

Nota do Editor:
Imagem disponível em <https://abroadwayeaqui.files.wordpress.com/2015/02/xavier.jpeg>. Acesso em 02MAI2015.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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