
Afinal, o que é a Luz?
Quando nosso Mestre Amigo sugeriu que brilhe a nossa luz (Mateus, V: 16), ficamos a indagar: o que significa isso? De qual forma podemos realizar essa tarefa, chamada autoiluminação?
Nosso escopo, nesse singelo trabalho, é fomentar a reflexão sobre esse tema, usando por base alguns pontos dos Evangelhos e das obras de Allan Kardec.
A primeira questão a responder: em que sentido as Escrituras Sagradas se referem à luz?
No livro de Isaías (IX: 02), esse profeta prediz:
– “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz”. Em resposta, nas notas do evangelista João (VIII: 12), Jesus nos diz:
– “Eu sou a luz do mundo”.
Interessante notar que o profeta Isaías prediz o surgimento de uma luz, para um povo que caminhava na escuridão, e Jesus confirma a sua vinda para que encontremos o rumo. Nessa passagem, a luz simboliza a iluminação do caminho a ser percorrido por nós, que ainda não nos iluminamos, até que tenhamos luz própria.
A segunda questão é: o que fazer para adquirir essa luz? De que forma agir, para deixarmos de ser “iluminados”, para ser “luminosos”?
Notemos que o próprio Cristo conquista sua luminosidade através do progresso, aprendendo a amar! O Amor (a Deus, ao próximo e a nós mesmos) é o remédio para as imperfeições da nossa alma, imortal.
Recorremos agora ao livro “Perispírito”, de autoria de Zalmino Zímmerman, a fim de discutir o corpo espiritual (I Cor, XV: 44).
Nessa obra, o autor cita e discute as dezessete propriedades do perispírito. Uma delas é a chamada luminosidade. De acordo com essa propriedade, temos luz própria! Nosso corpo espiritual tem a capacidade de emitir luz, sendo essa, porém, ofuscada por nossas imperfeições.
Numa analogia simples: somos como uma lâmpada, envolta em tinta escura. Essa tinta reflete a calosidade do nosso perispírito, que mantêm nossa luz ofuscada. Cada imperfeição da qual nos libertamos é como uma pequena porção dessa tinta, que é removida. Com isso, a luz volta a brilhar… Portanto, quando Jesus faz a sugestão acima, é como se dissesse: Purifique-se! E deixe sua luz vencer as trevas!
Entre outras coisas, fazer resplandecer a nossa luz significa não mais depender da luz alheia, e conseguir luz própria.
Surge a derradeira questão: qual o objetivo dessa luz, que passará a resplandecer em nós?
Recorremos à primeira obra da Codificação, em sua questão de número 625:
Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
“Vede Jesus.”
Aplicando a resposta ao contexto do nosso estudo: se Jesus é nosso guia e modelo e buscou luz própria para nos oferecer, significa que nossa autoiluminação tem que visar o oferecimento dessa luz a quem ainda está no escuro! Pouco serviria a resplandecência de nossa luz, se usássemos a mesma apenas em proveito próprio.
André Sobreiro
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Eles vivem!
