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150 anos do livro O Céu e o Inferno

julho 31, 2015

marcio_costa_150x150Neste dia primeiro de agosto de 2015 o livro “O Céu e o Inferno” completa o seu sesquicentenário. Sem a menor dúvida, trata-se de uma obra secular, haja vista que muitos dos seus conceitos e exemplos apresentados são atuais e ainda necessários para o entendimento de uma numerosa fileira de encarnados.

O lançamento do livro foi anunciado por Allan Kardec em julho de 1865 na respectiva edição da Revista Espírita. No mês de setembro do mesmo ano, Kardec lança na coluna “Notas Bibliográficas”, da mesma Revista, alguns comentários introdutórios sobre a notável obra (KARDEC, 1865).

De acordo com as próprias palavras do codificador, o Livro dos Espíritos “foi a pedra angular do edifício”, mas era necessário publicar novos trabalhos em função do continuado ensinamento proporcionado pelos Espíritos nas diversas reuniões mediúnicas realizadas (KARDEC, 1865).

Dentre todos os trabalhos publicados por Allan Kardec, o livro “O Céu e o Inferno”, se reveste de uma característica muito peculiar em relação aos demais: não poderia surgir antes, nem mesmo depois do período em que foi lançado, conforme atesta o grande pedagogo. Se fosse antes estaria sujeito a severas críticas dos seus opositores, o que poderia colocá-lo à margem do interesse dos leitores. Se fosse depois, perderia a força dos novos conceitos.

Emmanuel, no livro A Caminho da Luz (EMMANUEL (ESPÍRITO); XAVIER, 2013), conta-nos que com o anoitecer sombrio da era medieval, 1260 anos encobriram os corações e as mentes de diversas gerações com ideias firmadas na doutrina das penas eternas. Mesmo com o alvorecer esperançoso da era moderna não era simples ao homem desvencilhar-se dos conceitos consolidados sobre céu, inferno, purgatório, anjos e demônios. Deus ainda era visto por muitos em um trono julgando e punindo os pecadores que eram lançados nas chamas eternas.

O Livro dos Espíritos acendeu as luzes para uma nova realidade. Lançado em 18 de abril de 1857 abril as janelas para um novo cenário. A partir deste marco, a percepção e lógica já levavam muitos a duvidarem que um Deus de amor fosse capaz de condenar eternamente os seus próprios filhos.

Kardec levou dois anos para publicar o Livro dos Espíritos, mas precisaria de muito mais tempo para colher maiores informações e desdobrar os assuntos até então apresentados pelos Espíritos. Em 15 de novembro do mesmo ano consulta o Espírito de Verdade sobre a possibilidade de lançar uma Revista que fosse capaz de servir de laboratório e divulgação do Espiritismo. Orientado adequadamente, lança sozinho a primeira edição da Revista Espírita no dia 01 de janeiro do ano seguinte.

Exatos quatro meses depois funda a Sociedade Espírita de Paris, partindo para reuniões capazes de congregar além do limite apertado de 30 pessoas que frequentavam sua casa, à rua dos Mártires, número 8, em Paris (KARDEC, 2007). A partir de então, somam-se infinitos exemplos reais de situação pós-morte relatados pelos próprios Espíritos.

Oito anos de experiência e mais dois livros básicos da Doutrina (em 1861, O Livro dos Médiuns; em 1864, O Evangelho Segundo o Espiritismo) forneceram material suficiente para que Kardec pudesse publicar um livro esclarecedor sobre a Justiça Divina à luz do Espiritismo.

Nasce desta forma, em 01 de agosto de 1865, o livro O Céu e o Inferno, composto de duas partes. Na primeira, apresentando um caráter doutrinário e elucidando conceitos mistificados por mais de dez séculos. Tudo de forma simples, sem empregar fórmulas ou postulados complexos. Na segunda parte Kardec não fala por si, mas sim, reúne as experiências reais vividas por Espíritos desencarnados, dentre as mais instrutivas. Pequenos relatos de Espíritos felizes, medianos, sofredores, suicidas, criminosos, dentre outros, comprovam que após o túmulo encontramo-nos diante de nossas próprias responsabilidades e não defronte a um Deus que pune. Mas sim, à percepção de um Deus que ama, acolhe-nos e nos concede sempre a chance de progredir.

Não há como deixar de ler O Céu e o Inferno: um convite ao esclarecimento, à caridade e ao amor.

Márcio Martins da Silva Costa

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Referências:
EMMANUEL (ESPÍRITO); XAVIER, F. C. A Caminho da Luz: história da civilização à luz do Espiritismo. 38. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KARDEC, A. Revista Espírita. Revista Espírita, p. 520, 1865.
KARDEC, A. Obras Póstumas. 2a edição ed.Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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