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Ao toque de “Morfeu”

agosto 30, 2015

jane-maiolo-300x318“Por que estão dormindo?”, perguntou-lhes. “Levantem-se e orem para que vocês não caiam em tentação!”

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

No limiar de uma Nova Era que se aproxima esses são questionamentos legítimos que o homem, que ensaia o despertar de um sono profundo, deveria buscar as respostas  mais lúcidas e convincentes .

Eis que um novo dia raia para a Humanidade e grande percentagem de espíritos encarnados na Terra ainda se demoram nos “braços de Morfeu”. [1].

A angústia da transformação se avizinha, a sensação do cansaço é latente, a alma anseia por novos horizontes e a possibilidade da entrada e permanência numa vida futura mais feliz nos acena como a melhor proposta já aguardada por nós.

Atados à materialidade da vida hodierna permanecemos mergulhados nas sensações hipnóticas da consciência milenarmente anestesiada, ainda em busca de satisfação dos prazeres ilusórios, empanturrando a insaciedade do ego e projetando um futuro de fictícias glórias, na Terra!

“Por que estão dormindo?”, perguntou-lhes. “Levantem-se e orem para que vocês não caiam em tentação!”  [2]

Essa talvez seja a admoestação mais oportuna para esse raiar do dia.

Os mais audaciosos responderiam: Dormimos porque o sono nos apraz. Os mais indolentes arguiriam: Dormimos porque não temos nada pra fazer. Os pusilânimes diriam: Dormimos porque o instante é caótico.

Dormimos todos, no entanto, não oramos.

As tentações nos seduzem facilmente e sucumbimos por falta de vigilância a fim domar as más inclinações e tendências repetíveis.

O Cristo, que deixou as altitudes divinais para se fazer carne; Que foi ignorado pelos judeus; Que foi ironizado por Pilatos, orou no Jardim das Oliveiras , enquanto se preparava para o instante apoteótico do sacrifício extremo, nos ensinou que frente aos nossos testemunhos de fé a oração e a sintonia com o Criador  são imprescindíveis.

Por estarmos nos “braços de Morfeu” não abrangemos que é hora de despertar e orar a fim de haurirmos  forças e entendimento espiritual para combater o bom combate.[3]

Em nossas metáforas ascendemos até o Monte das Oliveiras para orar junto com o Cristo, entretanto , tal qual fez Simão Pedro , abraçamos a postura daquele que carrega a espada escondida na túnica. Para que trazia  Pedro uma espada na bainha? De qual defesa o Cristo careceria?

Semelhantes a crianças espirituais trazemos nossas armas para as nossas defesas. O Cristo não precisa de defesa. Necessita da nossa colaboração para tornar a Terra um mundo evangelizado.

Allan Kardec não precisa da nossa defesa, visto que O Espiritismo é transcendente. Carece dos nossos esforços para difundi-lo em toda a sua pujança e beleza.

O movimento espírita, reduto de atuação dos obreiros do Senhor, não necessita de nossa defesa. Precisa de nossa sã experiência no bem , enquanto representantes vivos da espiritualidade. Nós não necessitamos de defesa, carecemos de amor, tolerância e compreensão fraternal.

A crítica destrutiva, tão presente no movimento de unificação , tem impedido a espiritualização do ser. Ora encontramos dentro do mesmo movimento os cépticos e os crédulos.

Os cépticos contestam tudo, ironizam toda e qualquer intervenção do mundo espiritual no mundo físico, suprimindo em seu nascedouro as hipóteses de espiritualização do ser.

Os crentes ingênuos aceitam tudo sem utilização dos critérios do bom senso e da razão. Persuadem-se facilmente.

Ah, os “braços de Morfeu”!

Anunciaria o poeta “vai funda a tempestade no infinito, Ruge o ciclone túmido e feroz…Uiva a jaula dos tigres da procela— Eu sonho tua voz —[4]

O Cristo adverte sobre a hora de despertar. “Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, pela espada perecerão.”[5]

Estudar mais, trabalhar mais, cooperar mais e evangelizar-se mais.

Nossa Humanidade começa a dividir-se em dois grandes segmentos: os amigos da solução e os arautos do problema. Alguns promovem soluções brandas e pacíficas, outros concorrem para o alarde das tempestades e enigmas, desarmonizando e contaminando as mentes frágeis e imaturas.

Ainda assim é urgente darmos conta da nossa administração. Negligenciar o Evangelho  é procrastinar a serenidade .

Contribuamos para que a paz que tanto almejamos comece em nós mesmos!.

Jesus nos desperta e nos aguarda pacientemente a fim de que atendamos o roteiro do trabalho a ser realizado na Terra..

Ah “Morfeu” … “Que importa o vendaval, a noite, os euros, Os trovões predizendo o cataclismo…Se em ti pensando some-se o universo ,E em ti somente eu cismo…”[6]

Que importa as tempestades se sabemos quem somos, de onde viemos e para onde retornaremos, após a refrega da vida física.

Avante! O Cristo nos espera!

Jane Maiolo

Notas e referências bibliográficas:
[1] Morfeu (palavra grega cujo significado é “aquele que forma, que molda”) é o deus grego dos sonhos.
[2] Lucas -22:46
[3] 2 Timóteo 4:7
[4] Poema de Castro Alves – Durante um Temporal
[5] Mateus 26:52
[6] Idem 4

Jane Maiolo
Jane Maiolo

Professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Espírita Brasil. Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita.

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