
A influência do Espiritismo na Educação
A Doutrina Espírita considera que “só a educação poderá reformar os homens”, conforme a resposta dos Espíritos Superiores à pergunta de Allan Kardec, na questão 796 de “O Livro dos Espíritos”. E compreende que a educação não pode ser encarada apenas pelo seu lado instrucional, ou ilustração do intelecto, mas deve ser trabalhada pelo lado moral, na arte de manejar o caráter.
Definindo Moral
E o que é moral? Necessitamos de sua definição para entendermos a amplitude da educação moral.
O pensador e filósofo católico Jacques Maritain, em seu livro “Introdução Geral à Filosofia”, nos oferece a seguinte definição:
“Moral, ou ética – ciência prática que visa alcançar o puro simples bem do homem. Tem por objeto a bondade ou a perfeição do próprio homem. Ciência dos atos humanos.”
E completa essa definição com esta magistral frase: “A ciência moral deve ser acompanhada de prudência.”.
Como ciência, a moral deve:
a. saber o fim último ou o bem absoluto do homem;
b. estudar os atos praticados pelo homem;
c. estudar as questões relativas à lei natural;
d. compreender o mecanismo da consciência;
e. estudar as origens das virtudes e dos vícios.
Com relação à conduta do homem deve estudar as regras que ordenam sua conduta no que concerne ao seu próprio bem e no bem de outrem, para o pleno equilíbrio da justiça.
Sendo uma ciência, moral não é um termo vago, nem se confunde com moralidade, que designa o conceito social do que é aceito ou não em certa época, e que se modifica com o tempo e os costumes.
Informa-nos “O Livro dos Espíritos”, obra básica do Espiritismo, que “a moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”.
Essa definição está na questão 629 e antecede no tempo a definição filosófica que demos no início deste artigo, mostrando como o Espiritismo complementa as diversas áreas do conhecimento humano.
A educação moral consiste na formação do caráter do educando através de um ensino que prioriza a prática do bem, a valorização das virtudes e a aquisição do sentimento do amor.
A educação moral não relega a inteligência ao segundo plano, pelo contrário, dela se utiliza, para que o educando saiba distinguir entre o bem e o mal, equilibrando os dois fatores básicos da educação, ou seja, a inteligência e o sentimento, o intelecto e o coração.
A educação do espírito
Além de considerar a educação moral como legítima formadora do homem, o Espiritismo ainda vai mais além ao quebrar o materialismo com a comprovação da imortalidade da alma, lançando as bases da educação do espírito. Por esses motivos é que o Espiritismo, lançando seu olhar sobre as escolas, preconiza uma nova metodologia educacional em três pontos principais:
1. educação com amor;
2. educação com exemplo;
3. educação com experiência própria.
A conjugação de todos esses princípios na educação moral é o único caminho capaz de colocar o homem nos trilhos da bondade, reformando as instituições sociais, hoje tão atreladas ao egoísmo que se enraíza nos corações.
Enquanto a família e a escola não entenderem a profundidade da educação moral, continuaremos no desfile dos desregramentos que temos assistido, quando, se aplicada, a educação moral estabelece a desejada felicidade, por formar homens de bem, objetivo do próprio Espiritismo.
A reforma da filosofia que rege o sistema educacional vigente, com a absorção da educação moral, levará os currículos e métodos escolares ao verdadeiro fim superior da formação, e não da instrução. Formação do caráter através da aquisição de hábitos sadios de vivência com Deus, com o próximo e consigo mesmo, na prática do bem e do amor.
Uma escola que executa seu trabalho baseada na educação moral é legítima extensão, complemento mesmo da família, tornando-se um lar que abriga consciências reencarnadas reclamando diretriz segura para o uso da inteligência e o desabrochar das qualidades do sentimento.
O Espiritismo, pois, fundamenta e indica a educação moral para renovação do ser humano e estabelecimento da era do espírito.
Conclusão
Não se pode negar a vasta e profunda contribuição que o Espiritismo oferece à educação, mas precisamos estar atentos para a advertência de Leon Denis:
“É necessário que uma grande corrente idealista e um poderoso sopro moral varram as sombras, as dúvidas, as incertezas que ainda existem sobre muitas inteligências e consciências, a fim de que a luz das verdades eternas aclare os cérebros, aqueça os corações, levando conforto aos que sofrem. A educação do povo precisa ser totalmente modificada, para que todos possam ter a noção dos deveres sociais, o sentimento das responsabilidades individuais e coletivas e, principalmente, o conhecimento do objetivo real da vida, que é o progresso, o aperfeiçoamento da alma, o aumento de suas riquezas íntimas e ocultas.” (“O Mundo Invisível e a Guerra”, 1ª ed., CELD, 1995).
Essa advertência foi escrita durante o período de 1914-1918, quando da primeira grande guerra mundial e mostra-se ainda bastante atual, ou seja, quase cem anos não foram suficientes para despertarmos e colocarmos a filosofia espírita em plena realização na vida. Por que esperar mais tempo?
Marcus de Mario
Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://semear-frutos.blogspot.com.br/2011/07/preste-atencaoleia-bem-devagarinho-vale_27.html>. Acesso em 26SET2015.
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