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Mediunidade na infância

novembro 13, 2015

marcio_costa_300x300Carolina era uma menina normal e brincalhona como todas que contam cinco anos de idade. Morava em um apartamento com seus pais e sua irmã mais velha. Quando estava em casa, um dos lugares que mais gostava de brincar pelas manhãs era a pequena varanda, onde se sentia em um quintal só dela. Para lá levava suas bonecas, panelinhas e, enquanto brincava, admirava a paisagem verde em frente ao prédio e o contínuo vai-e-vem dos pássaros.

Às vezes conversava com as suas bonecas e até mesmo com as andorinhas que pousavam na sacada. Sua irmã mais velha costumava dedicar alguns momentos para ficar com ela. Nestas horas, as duas se divertiam, riam e não paravam de falar uma com a outra. Sua mãe ficava na cozinha fazendo o almoço e nem ligava uma TV ou rádio só para ouvir o bate-papo das duas ou então as gostosas conversas solitárias da “Carolzinha”.

Tudo parecia seguir uma saudável rotina até que certo dia a mãe percebeu algo de diferente nos diálogos. De início, ouvia a menina falar como de costume. De repente, percebeu um breve silêncio e ouviu a menina conversar com alguém:

– Olá, quem é você? Nunca te vi aqui? Quer brincar?

– … (silêncio).

– Esta aqui é a Sofia, minha boneca preferida; esta é a Florinda, a plantinha da mamãe (não mexe nela, tá?!); e esses são os meus lápis de cor. E qual é o seu nome?

– … (novamente a mãe não escuta nada).

– Formiguinha?! Que nome engraçado – fala Carolina sorrindo – de onde você veio?…

Nisto a mãe sai correndo da cozinha assustada. “Alguém entrou em casa! Mas como? Impossível”. Chegando à varanda vê a menina sozinha olhando para o canto vazio da parede toda feliz:

– Oi, mamãe! Quer brincar com a gente? Esta é a Formiguinha, minha nova amiga.

A mãe, pasma e assustada, não vê ninguém. Trêmula, pergunta se a filha estava conversando com uma formiga, mas ela diz que fala com uma menina da idade dela.

– Não está vendo a Formiguinha, mamãe?

Descrente de outras possibilidades além do plano físico, a mãe não tem dúvida. A filha estava tendo algum tipo de desequilíbrio mental. Precisava urgente levá-la ao médico.

                                                                                         * * *

A mediunidade na infância é um fato comum e deve ser visto com naturalidade [1, p. 70]. Antes de reencarnarmos somos preparados pela espiritualidade amiga para os desafios que teremos que passar na nova vida. Desde antes do berço, os nossos guias espirituais nos orientam, confortam, instruem e nos encorajam para a longa jornada que teremos pela frente.

Cruzando a fronteira do primeiro choro e chegando ao berço, nossa vida incipiente experimenta as primeiras sensações orgânicas sem que nosso espírito tenha uma ação expressiva sobre a matéria. Conforme desenvolvemos o veículo físico, os laços começam a se estreitar gradativamente até cerca de sete anos de vida, quando então se consolida a reencarnação [2].

Os nossos guias espirituais aproveitam este período em que ainda não estamos completamente ligados à carne para continuar a nossa preparação iniciada antes do nascimento. Nos momentos de desprendimento mantemos contatos estreitos com eles, relembrando nossos compromissos assumidos para esta nova vida, enquanto despertamos das perturbações do retorno à vida corpórea.

É muito comum vermos bebês e crianças sorrindo ao berço. Alguns falam e conversam durante o sono. Outros até mesmo o fazem quando estão acordados. Na realidade, os seus tênues laços que se estreitam ao corpo ainda o permitem experimentar as sensações provenientes do seu espírito muito mais do que aquela percebida pelos órgãos físicos. Em outras palavras, conseguem ver com os olhos do espírito e não com os olhos físicos.

Assim, crianças veem, conversam com espíritos amigos e até brincam com eles. Podemos notar isso quando chamamos bebês ou crianças e podemos perceber que seus olhos estão em outro foco que não em nós, por vezes, sorrindo para o “nada” [1].

Deixando o lado alegre dos fatos, há crianças que se aterrorizam com fantasmas que lhes perseguem durante o sono ou até no escuro do seu quarto. Demonstram medo em situações supostamente simples, mas, em realidade, estão vendo cenários ocultos aos olhos adultos. Como exemplo de casos como este, espíritos com os quais a nossa criança de hoje adquiriu débitos em outras encarnações podem ter encontrado a mesma neste novo corpo físico. No intuito de lhe cobrar as faltas anteriores, estes espíritos podem vir a perturbar a criança nos momentos oportunos, trazendo incômodos e medos à mesma. Orientá-los à prece antes do sono, no acolhimento do espírito protetor, pode surtir bons efeitos.

Ressalta-se que em nenhuma situação deve-se estimular as atividades mediúnicas na criança. Conforme Allan Kardec descreve no Capítulo XVIII, “Dos inconvenientes e perigos da mediunidade”, em O Livro dos Médiuns [3], neste período, o organismo ainda em desenvolvimento e fragilizado pode vir a sofrer grandes abalos e excessiva sobre excitação.

Em qualquer situação, seja na percepção de fenômenos mediúnicos ou não, levar a criança até Centros Espíritas que possuam trabalhos de Evangelização Espírita Infanto-juvenil sempre será uma opção maravilhosa. Longe de realizar atividades mediúnicas, a criança receberá orientações intelecto-morais de acordo com sua faixa etária. Renovado o conhecimento de que há matéria e espírito, a criança passará a entender melhor os fenômenos que ocorrem com ela. Aliado a isso, sentir-se-á segura na percepção de que podem confiar nos seus responsáveis, confidenciando a estes detalhes que poderiam ser omitidos pelo medo de serem criticados, ou até mesmo, questionados quanto à sua sanidade mental.

Em resumo, apoiemos nossas crianças levando-as à Evangelização Infantil; não incentivar a mediunidade nesta fase delicada da reencarnação; não descartar o apoio médico em situações onde for nítida a disfunção físico-mental; e, acima de tudo, educar e acolher a criança com conforto e amor, pois será a maior necessidade dela neste retorno ao plano carnal.

Márcio Martins da Silva Costa

 

Referências:
[1]      A. Kardec, “Revista Espírita: Ano Oitavo (1865),” 1865.
[2]      Pelo Espírito André Luiz, Nos Domínos da Mediunidade. Brasília: Federação Espírita Brasileira.
[3]      A. Kardec, O Livro dos Médiuns. 1861.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.goodfon.su/download/nastroeniya-deti-devochka-6625/1280×720>. Acesso em: 12NOV2015.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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