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Uma experiência que merece ser conhecida

novembro 22, 2015

orson-peter-carraraTrago aos leitores um depoimento conhecido, disponível na internet inclusive. Infelizmente não consegui localizar de qual livro foi extraído, mas pela oportunidade do texto e especialmente pela essência do pensamento nele contido, a reflexão é imensa. Por tudo que conhecemos do respeitado protagonista, a bela experiência merece ser divulgada. Diz o conhecido e respeitado tribuno:

“Certa vez, fui a um padre confessar (antes de tornar-me espírita). Contei-lhe sobre minhas comunicações com os mortos. Para ele eram forças demoníacas tentando me afastar da Igreja. Veio-me uma mágoa de Deus e comecei a questionar:

– Sou um bom católico, bom sacristão, adoro a Igreja, faço jejum, passo a semana da Páscoa sem comer até o meio-dia. Se Deus não pode com o diabo, eu vou aguentar? O diabo vai me vencer. Como um garoto de 17 anos, do interior, ingênuo, pode vencer o diabo se nem Deus consegue?

Entrei em depressão e fiquei com mágoa de Deus. Confessei-me ao padre:

– Eu vou me matar. Nossa Senhora do Carmo vai ter pena de mim, vai me colocar o escapulário e me tirar do inferno.

Ele me olhou demoradamente e respondeu:

– Não tome nenhuma atitude agora. O demônio às vezes nos perturba para testar a nossa fé; quando não consegue, abandona. Volte para a Igreja.
Era um homem honesto, acreditava piamente em suas ideias.
Um dia, ao confessar-me a ele, vi aproximar-se um Espírito. Tive outro conflito:

– Como pode o diabo entrar na sacristia?

Aliás, eu via sempre os Espíritos. No momento da eucaristia a hóstia tornava-se luminosa quando colocada na minha boca. Às vezes, em Feira de Santana, via o cônego Mário Pessoa aureolado. No meu entendimento (católico), ele era um santo. As pessoas na hora da fé se iluminavam e eu julgava tudo alucinação.

Quando o Espírito entrou, exclamei:

– Olha, o diabo está vindo, e é mulher!

– Você vê algum sinal particular no rosto dela? – indagou-me o padre.

– Vejo uma verruga acima do lábio.

– E o que mais?

– O cabelo está partido ao meio, penteado com um coque atrás.

– E o que mais?

– Vejo um xale sobre os ombros, com pontas, um xale negro de xadrez.

– Pode ficar tranquilo, é mamãe.

Ela “incorporou” e conversou com o padre. Quando despertei, ele me esclareceu:

– Divaldo, mamãe veio me alertar. A sua missão não é aqui, vá seguir a tarefa que Deus lhe confiou, porque o bem está em todo lugar.
Fiquei mais tumultuado, porque eu não era espírita, tinha medo, sentia-me de certo modo alijado da Igreja, mas continuava a frequentá-la e ao Centro Espírita.

Tinha conflitos de fé, principalmente quando morreu minha irmã, por suicídio.
Mamãe foi encomendar missa a esse mesmo sacerdote, um homem bom, e ouviu dele:

– Dona Ana, não posso celebrar, porque o suicida está no inferno e Deus não o tira de lá.

Foi quando aprendi a primeira lição de lógica e de psiquiatria, com uma mulher iletrada – a minha mãe:

– Padre, então eu renego o seu Deus. Se Ele não é capaz de perdoar não é digno de ser Deus. Sou lavadeira modesta e analfabeta, mas a filha que perdi, eu a perdôo; como é que Deus, que a tem, não a perdoa? Digo mais, quem se mata não está no seu juízo.

Mais tarde eu viria saber que muitos portadores de psicose maníoco-depressiva (PMD), vão ao suicídio.

Aprendi muito com esse homem, com mamãe, e quando eu lhe disse que não iria mais à igreja, ela me respondeu:

– Deus está em todo lugar. Se você for justo e agir com retidão, Ele estará com você. Faça o bem, meu filho, porque a verdadeira religião é aliviar o sofrimento alheio.

A partir desse acontecimento integrei-me lentamente ao Espiritismo.

Divaldo Franco

Notável a afirmação do padre: “a verdadeira religião é aliviar o sofrimento alheio”. Quanta verdade contida na frase! E o raciocínio da mãe de Divaldo! Quanta sabedoria igualmente, embora iletrada!

São essas experiências que dignificam o significado de viver, sem preconceitos, que concluo com outra citação do lúcido sacerdote: ”Deus está em todo lugar. Se você for justo e agir com retidão, Ele estará com você”, embora saibamos que a grandeza de Deus não abandona nem os rebeldes, desobedientes, agressivos ou recalcitrantes nos equívocos. Deus não abandona ninguém e aguarda sempre nosso despertar para o bem.

Orson Peter Carrara

Orson Peter Carrara
Orson Peter Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita. Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas, sites e jornais do país, além de boletins regionais, no país e no exterior. Autor de treze livros, seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.

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