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Precisamos ter “Olhos de Ver”!

maio 18, 2016

francisco_rebouçasHá dias, em que nos levantamos da cama e, antes mesmo de nos acharmos totalmente despertos, já estamos envoltos por uma nuvem de pensamentos de preocupações com o que nos sucederá no decorrer do dia, que mal se inicia, e bem cedinho já estamos sentindo o gosto amargo das angústias, temendo as possíveis decepções porvindouras, prenunciando claramente, sem que percebamos, que não dormimos bem, isto é, não tiramos proveito das horas em que estivemos repousando fisicamente e começamos o dia completamente tontos, sem saber bem por onde começar.

Passado esses momentos de tumulto inicial em nossa cabeça, despertamos, fazemos nossa higiene matinal, (poucos de nós se lembra de fazer uma prece), tomamos nosso café e saímos para o trabalho, começando daí em diante, outra etapa do nosso dia. Inicialmente somos surpreendidos pela bênção da mãe natureza que nos brinda com um lindo e maravilhoso dia de sol, iluminando nosso caminho, mostrando-nos um céu azul quase sem nuvens, e então somos invadidos por uma força misteriosa que nos envolve e nos faz sentir a presença de Deus, a suprema Bondade a nos falar através da natureza alegrando o nosso coração.

Imprescindível incorporar em nossos hábitos, a salutar prática de observar as mensagens que nos são passadas de boas-vindas a mais uma jornada no novo dia, transmitidas pala saudação das árvores nos ofertando sombra e beleza nas praças por onde passamos, nos gorjeios dos pássaros que alegremente nos transmitem sua confiança na vida.

É preciso olhar e sentir a singeleza e o agradável aroma ofertados pelas flores dos jardins das praças, a nos lembrar da recomendação do meigo Rabi da Galiléia: “Olhai os lírios do campo, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles” (LC 12:27).

É necessário trabalhar em nós esse estado de angústia que nos turva a visão das coisas belas da vida e entender que nossos problemas não são os maiores nem os piores como normalmente costumamos avaliar, e se nos dispusermos a olhar para trás, veremos o quanto fomos aquinhoados pela Providência Divina, e que nossos choros e lamentos não têm razão de existir.

Estamos tão envoltos por pensamentos negativos de apreensão, angústia, medo etc., que não nos damos conta de tantos “talentos” que, o Senhor Doador da Vida, nos concedeu como empréstimo para o nosso crescimento em direção aos patamares mais elevados da Vida Maior, da qual temos origem, e não percebemos que podemos andar, quando tantos não andam, que temos braços para o trabalho quando muitos não os têm, que temos a mente sã, quando tantos não a possuem, que temos um cérebro capaz de raciocínios rápidos, a nos ajudar a decidir por este ou aquele caminho quando tantos não desfrutam dessa bênção.

Não percebemos as belezas do caminho que percorremos diariamente, que estão espalhadas por todos os lugares, mas, que na nossa eterna correria em busca da “felicidade”, em obter bens e ganhos materiais que nos permitam ter uma vida de abundância, cavamos na maioria das vezes nossa própria infelicidade, pois, não temos tempo de nos dedicar à meditação salutar que em muito nos alertaria para os riscos que corremos nesse viver louco por algo que nunca alcançamos como desejamos, visto que quando temos mais ou menos o que gostaríamos de ter, novas necessidades se apresentam e novas necessidades de conquistar novos e modernos bens materiais apresentados pela moderna tecnologia que não para de avançar, e quando pensamos que já temos o suficiente para desfrutar de uma vida de mordomias e facilidades, para perceber decepcionados, que já não temos saúde suficiente para gozar dos possíveis prazeres que esses mesmos bens nos poderiam proporcionar, em virtude do esforço desumano desprendido para obtê-los, a custo elevado que teremos que pagar, e aí, vão-se as ilusões, pois, percebemos que sem saúde não valeu à pena todo sacrifício empregado.

Precisamos avaliar com equilíbrio e maturidade, o que realmente necessitamos para desfrutar de uma vida agradável, prazerosa, tirando o melhor proveito das situações que se nos apresentam, sem preocupações desnecessárias, desenvolvendo com naturalidade os nossos valores mais sublimes, isto é, as virtudes do Espírito imortal, que não necessita de tanto para elevar-se a patamares superiores ao que hoje vivenciamos com nossas preocupações em amontoar riquezas que como nos alertou o Mestre de Nazaré, “as traças corroem e a ferrugem consome” buscando nos dedicar às coisas naturais do Ser Imortal que somos.

Necessário se faz que não continuemos a entender a vida somente pelo prisma da matéria perecível, que embora necessária na atual conjuntura de nossa escada evolutiva, não representa a melhor opção para quem busca o desenvolvimento e elevação moral-espiritual, que tanto precisamos desenvolver para nossa melhoria e ascensão na busca de um porvir muito mais agradável e proveitoso.

Torna-se imperioso que entendamos, definitivamente não devemos mais agir como sempre agimos, colocando nossos sonhos de felicidade nos lugares tão altos e distantes que não possamos alcançar, e passemos a desfrutar de inúmeras oportunidades que a vida nos oferece, diariamente, para nossa felicidade relativa, atentos, às coisas boas que nos acontecem a toda hora, e que não soubemos até a presente oportunidade dar o devido valor, a necessária atenção e a devida importância.

Faz-se preciso, urgentemente, valorizar as pequeninas coisas que nos acontecem no        dia-a-dia de nossas vidas, perceber o quanto somos queridos pelos familiares, pelos amigos, amando-nos e possibilitando aos outros motivos para nos amarem, evitando desejar coisas que não sabemos se nos fariam felizes ou não, evitando fazer a guerra para vencer nossos possíveis inimigos, procurando estabelecer a paz em volta de nossos passos, entendendo que Deus é amor e só o amor nos pode propiciar a felicidade; compreendendo por fim, que a felicidade que tanto buscamos alhures, está, na verdade, onde está o nosso coração.

Francisco Rebouças

Nota do Editor:

Imagem em destaque disponível em <http://estoriaspracontar.com.br/wp-content/uploads/quando-o-sol-bater-na-janela-do-teu-quarto.jpg>. Acesso em 18MAI2016.

Francisco Rebouças
Francisco Rebouças

Pós-Graduado em Administração de Recursos Humanos, Professor, Escritor, Articulista de diversos veículos de divulgação espírita no Brasil, Expositor Espírita, criador do programa: "O Espiritismo Ensina".

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