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O melindre

maio 25, 2016

francisco_rebouçasEntre outras definições que encontramos no dicionário da língua portuguesa como sinônimo da palavra melindre, citaremos apenas estas, que nos dão bem o sentido de como ela é entendida, normalmente, no meio espírita, quando se deseja classificar alguém que com facilidade é muito suscetível de se enquadrar nas definições contidas na referida obra que são: facilidade ou propensão para amuar ou ofender-se; susceptibilidade; amabilidade; delicadeza no trato; escrúpulo; pudor; recato; coisa frágil.

Muitas são as criaturas que por qualquer diferença no que pensamos sobre determinado assunto, em relação ao que a pessoa pensa, ou que queira que seja feito, ou ainda se nos posicionamos contrários aos seus ideais ou projetos momentâneos, imediatamente se melindram, e passam a alardear que estão sendo rejeitados, perseguidos etc., e, em muitos casos, afastam-se das tarefas ou até mesmo da instituição espírita que frequentam.

O que nos ensinam os Imortais da Vida Maior, na abençoada doutrina que professamos, é que o melindre como tantos outros é um mal radicado no espírito milenar da criatura humana, desenvolvido e sustentado pelo orgulho exacerbado que o Ser abriga em seu psiquismo, e quando contrariado em seu amor próprio, em seu personalismo ainda inferior, não reconhecem o direito dos outros de pensarem, falarem e agirem diferente do que ele deseja, o que o leva, inevitavelmente, a uma reação de irracionalidade que ainda não consegue evitar.

É preciso que a pessoa tome consciência de que cada indivíduo é um mundo com anseios, ideais, e objetivos nem sempre condizentes com os que, normalmente, identificamo-nos, sem que por isso seja nosso inimigo, e que muitas das vezes depois de analisarmos suas sugestões, com calma e atenção, descobrimos que estávamos errados em muitos dos nossos pontos de vista, e se formos humildes ou até mesmo inteligentes, abraçaremos com fervor essas sugestões, facilitando em muito nossa tarefa tornando-a muito mais prazerosa, satisfatória e útil.

 O espírito André Luiz, através da Arte de Psicografar do extraordinário médium Chico Xavier, na obra “Sinal Verde”, no Capítulo 23, vem nos esclarecer que todos nós devemos observar nossas atitudes para não nos tornarmos tão frágeis diante da discordância de um companheiro em relação ao nosso modo de ver as coisas, procurando desenvolver em nós, os necessários antídotos que nos servirão de vacina contra essa maneira tão desequilibrada de encararmos a opinião contrária daqueles que conosco compartilham as lides comuns, em qualquer atividade da qual tomamos parte.

Diz-nos André Luiz:

Melindres

“Não permita que suscetibilidades lhe conturbem o coração.

Dê aos outros a liberdade de pensar, tanto quanto você é livre para pensar como deseja.

Cada pessoa vê os problemas da vida em ângulo diferente.

Muita vez, uma opinião diversa da sua pode ser de grande auxílio em sua experiência ou negócio, se você se dispuser a estudá-la.

Melindres arrasam as melhores plantações de amizade.

Quem reclama, agrava as dificuldades.

Não cultive ressentimentos.

Melindrar-se é um modo de perder as melhores situações.

Não se aborreça, coopere.

Quem vive de se ferir, acaba na condição de espinheiro”.

Os melindres, embora, façam parte dos sentimentos da criatura humana ao nosso nível de desenvolvimento moral, precisam ser trabalhados para não se tornarem causa de autodestruição da própria pessoa ou até de uma comunidade inteira, é, na verdade, um vírus resistente a qualquer medicamento que não tenha por efeito combater em nós mesmos o egoísmo que trazemos enraizado no imo de nosso ser, desde tempos pretéritos e, que não se logra êxito em seu combate sem vontade, disciplina e perseverança. Seu único e eficiente antídoto é o AMOR que a tudo acolhe tudo entende, tudo perdoa, e promove a criatura em direção ao seu criador.

É, portanto, amigos, de suma importância, começarmos uma imediata mudança em nosso modo de ver a vida, não nos deixando mais ser levados pelo leme do orgulho, no barco do egoísmo, em direção ao abismo das trevas. Urge busquemos descer, imediatamente no primeiro porto à nossa vista e embarcarmos em outro transporte que nos leve de retorno ao seio do amor universal, pelas tranquilas águas do amor, ao porto seguro do progresso moral e espiritual, que espera desde muito, pela chegada breve de todos nós.

 Francisco Rebouças

Francisco Rebouças
Francisco Rebouças

Pós-Graduado em Administração de Recursos Humanos, Professor, Escritor, Articulista de diversos veículos de divulgação espírita no Brasil, Expositor Espírita, criador do programa: "O Espiritismo Ensina".

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