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Entre o início e o final havia o caminho

julho 9, 2016

wellington-balboHá, e bem comum, uma curiosidade das pessoas sobre o início ou final de determinadas situações.

Comumente, pergunta-se: como foi o início do namoro? E, conforme você responde percebe no outro o olhar de admiração. O mesmo se dá quando se fala em final. Como foi que ele morreu? E você responde: desastre aéreo! E logo surge o interesse pelo final. Pipocam perguntas do tipo: Onde o avião caiu? Morreram todos? Ah, coitado!

No caso do final, o interesse ainda é maior. Tenho um amigo que, ansioso, costuma ler a última página do livro. Ele quer sempre saber o final sem, entretanto, degustar o miolo. Um ansioso de galocha. Um outro amigo permite que você conte todo o filme para ele, mas não caia na bobagem de falar o final. Não, definitivamente, o final ele mesmo quer assistir, apreciar e, quem sabe, chorar. Quanto ao resto, o meio do filme? Dane-se! O que importa para ele é o final.

Perceba como funcionam as novelas, séries e filmes. Todos querem saber o final e, claro, amam quando é feliz. Pouco importa se o cara apanhou a vida inteira, mas se o final for feliz está tudo ótimo. Pode-se dizer que o final feliz é uma espécie de prêmio para quem levou pancada boa parte do tempo. E isso consola. É o épico: o bem sempre vence o mal.

Realmente, início e final são emblemáticos, românticos, interessantes e, não raro, emocionam. Chamam atenção do público, vendem jornais, rendem comentários, produzem a curiosidade. Aliás, quem não quer saber sobre o final da Lava jato?

Entretanto, há entre início e final algo que se chama meio, ou melhor dizendo: caminho.

Se muitos perguntam como foi o início ou final, poucos querem saber do caminho, de como foi a caminhada ao longo de determinado percurso.

Contudo, será que início e final importam tanto assim? Ou o caminho é melhor, mais saboroso e onde encontramos a felicidade?

Recentemente encerrei um livro e percebi que, muito melhor do que vê-lo publicado foi escrevê-lo. Melhor do que ver a capa foi realizar o trabalho.

Que importa para o Espírito imortal como ele perdeu a veste física? Importa muito mais como viveu. Se morreu de forma trágica, importa pouco, mas se caminhou a vida de forma trágica, importa muito.

Como conheceu alguém, importa pouco. Se era algum amigo de outra vida também importa pouco. Mas, como ao longo da convivência foram se conhecendo, ou reconhecendo, importa muito.

Criados por Deus, simples e ignorantes, importa pouco ao Espírito saber o momento exato de sua criação. Entretanto, importa muito saber como está comportando-se ao longo de sua jornada.

Respeito os amigos que gostam do início e do final, porém, prefiro o meio, prefiro o caminho.

Pode parecer menos romântico, mas ainda assim prefiro o caminho.

E você?

Wellington Balbo

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://www.theodysseyonline.com/you-have-one-life>. Acesso em 09JUL2016.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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