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Kardec morreu?

março 29, 2017

Allan Kardec desencarnou no dia 31 de março de 1869, em Paris. A efeméride é sempre recordada.

Nossa indagação é se, na prática, Kardec teria morrido, isto é, as suas obras e propostas! Vale conferir…

Coincidentemente em abril transcorrem os 160 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, e os aniversários de episódios marcantes como a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritos – primeiro centro espírita do mundo -, o lançamento da “Revista Espírita” e de “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

No conjunto, torna-se oportuna a análise e reflexão se na instituição espírita a que estamos vinculados e nosso âmbito de atuação, as obras e o pensamento do Codificador Allan Kardec, como se encontrariam? Estariam com a pulsante vitalidade, bem vivos?

A título de sugestão – como parâmetro para a verificação -, recordamos apenas alguns trechos dos textos kardequianos:

“Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma nova ordem social fundada sobre a justiça e a solidariedade, e ele mesmo também será melhor.” (1)

“A verdadeira adoração é a do coração. […] Deus prefere aqueles que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, àqueles que creem honrá-lo por meio de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.” (1)

“[…] desenvolvimento dessas ideias: o primeiro é o da curiosidade provocada pela estranheza dos fenômenos; o segundo é o do raciocínio e das filosofias; o terceiro, o da aplicação e das consequências.” (1)

“Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade.” (2)

“A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário, em torno do qual já temos a ventura de ver, em todas as partes do globo, congregados tantos homens, por compreenderem que aí que está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma Nova Era para a Humanidade.” (2)

“As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor do próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria.” (2)

“O homem que pratica o bem — isto dito em tese geral — deve, pois, esperar contar com a ingratidão, ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo fortalecidos para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, pondo em xeque, pela maledicência ou pela calúnia, aqueles que os ofuscam” (3)

“[…] o ensino moral […] conservou-se constantemente inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaram das questões dogmáticas.” (4)

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” (4)

“[…] Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.” (4)

“Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar.” (5)

“Para que cada qual trabalhe na sua purificação, reprima as más tendências e domine as paixões, preciso se faz que abdique das vantagens imediatas em prol do futuro, visto como, para identificar-se com a vida espiritual, encaminhando para ela todas as aspirações e preferindo-a à vida terrena, não basta crer, mas compreender.” (5)

“Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.” (6)

“A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. […] Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem. Muito menos, pois, se trata de uma nova geração corpórea, do que de uma nova geração de Espíritos.” (6)

“O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas.” (7)

Oportuna a recomendação de Bezerra de Menezes:

“Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (8)

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Referências:
(1) Kardec, Allan. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Questões 630, 653, 654, Conclusão V. Brasília: FEB.
(2) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos médiuns. Itens 220, 335, 350. Brasília: FEB.
(3) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra.Viagem espírita de 1862 e outras viagens de Allan Kardec.  Discursos pronunciados na reuniões gerais de Lyon e Bordeaux. FEB.
(4) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Introdução; C XVII, itens 3 e 4. Brasília: FEB.
(5) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O céu e o inferno. 1ª. Parte, Cap.XI, item 15; 2ª. Parte, cap. I, item 14. Brasília: FEB.
(6) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. A gênese. 53.ed. Cap. I, item 13; Cap. XVIII, item 27. Brasília: FEB.
(7) Kardec, Allan. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Brasília: FEB.
(8) Equipe Secretaria-Geral do Conselho Federativo Nacional. (Resp. Equipe: Antonio Cesar Perri de Carvalho.) Orientação aos órgãos de unificação. VI. Rio de Janeiro: FEB.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em < http://www.embarquenaviagem.com/2012/01/09/o-descanso-eterno-das-celebridades-em-paris/>. Acesso em: 28MAR2017.

Antonio Cesar Perri de Carvalho
Antonio Cesar Perri de Carvalho

Ex-presidente da Federação Espírita Brasileira (interino de 5/2012 a 3/2013 e efetivo de 3/2013 a 3/2015); membro da Comissão Executiva e Primeiro Secretário do Conselho Espírita Internacional; Membro do Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier.

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