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O bem e o mal

agosto 13, 2017

            “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos, 7:19.)

Uma das poucas fatalidades nas leis de Deus é a certeza de alcançarmos uma relativa perfeição ao longo de nosso processo evolutivo, queiramos ou não atingiremos a condição de Espírito puro, mais cedo ou mais tarde, não há quem possa se esquivar deste destino: Graças a Deus!

Imaginar ou aceitar que por um deslize, uma falha moral, um equívoco ético, pudéssemos ser relegados à condição de párias na criação, sem direito a mudar o nosso destino que seria de puro sofrimento a partir deste banimento, como Caim se encontrou naquela conhecida passagem da Bíblia após ter matado Abel, seu irmão de sangue, nos conduziria a um entendimento inquietante sobre a Divindade, contudo, há sempre misericórdia e bondade nas leis eternas: Graças a Deus!

Prevista está a possibilidade de alcançar esta finita perfeição trilhando três possíveis caminhos: ou fazemos apenas o bem desde a nossa individualização como Espírito imortal; ou fazemos somente o mal; ou andamos a errar e acertar pelas veredas da vida, entretanto, independente de qual caminho inicial tomamos, estaremos sempre progredindo; não é possível estacionar eternamente e, sim, jamais regredir: Graças a Deus!

É pouquíssimo conhecida a possibilidade de um Espírito agir sempre no bem, desde o início de sua caminhada, sendo esta a razão de se poder afirmar categoricamente não haver a necessidade absoluta de trilhar o mau caminho para se alcançar certo grau de perfeição, destinação final de todos nós: Graças ao Bom Deus!

Não são afirmações gratuitas, porquanto foram registradas por Allan Kardec (1):
124. Uma vez que há Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, haverá, talvez, gradações entre esses dois extremos? “Sim, certamente, e constituem a grande maioria.”

Desconhecendo esta realidade, alguns alegam ser preciso necessariamente praticar ou vivenciar o mal, por essa experiência, creem, chegarão à correta compreensão do bem. Esta proposta é um total absurdo, pois, caso isto fosse verdade, todos nós precisaríamos assassinar alguém, torturar, martirizar o próximo, participar de atrocidades mil, para bem entender serem essas condutas totalmente inadequadas, apenas para citar alguns exemplos. Chega-se à mesma conclusão analisando-se esse outro registro do Mestre de Lyon (2):

634. Por que está o mal na natureza das coisas? Falo do mal moral. Não podia Deus ter criado a Humanidade em melhores condições? “Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes (115). Deus deixa ao homem a escolha do caminho. Tanto pior para ele, se toma o mau caminho: sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, o homem não compreenderia que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é necessário que conheça o bem e o mal. Eis por que existe a união do Espírito e do corpo.” (Negritamos)

O primeiro destaque indica haver a possibilidade de tomar-se o mau caminho, deste modo, deve existir também, por oposição, a opção de tomar-se o bom caminho, com consequente encurtamento da peregrinação. No outro destaque, observa-se que conhecer não é viver, praticar, exercer, experimentar; para conhecer é suficiente estudar, ler, pesquisar, observar, refletir e concluir por agir desta e não daquela forma. A observação das consequências dos atos de outros, neles mesmos e em terceiros, nos dá uma boa medida para decidir se houve mal ou bem, dessa forma, é possível sempre agir no bem, sem ser necessário trilhar o caminho do mal.

Inclusive, reforçando esta última proposta, recorde-se São Luís em O evangelho segundo o Espiritismo(3): Será repreensível observar as imperfeições dos outros, quando daí não resultem nenhum proveito para eles, mesmo que não as divulguemos?

“Tudo depende da intenção. Certamente não é proibido que se veja o mal, quando ele existe. Seria mesmo inconveniente ver em toda a parte somente o bem, pois essa ilusão prejudicaria o progresso. O erro consiste em fazer que essa observação redunde em prejuízo do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião pública. Também seria repreensível fazê-lo apenas para dar expansão a um sentimento de malevolência e de satisfação em apanhar os outros em falta. Dá-se inteiramente o contrário quando, lançando um véu sobre o mal, para ocultá-lo do público, limitamo-nos a observá-lo para proveito pessoal, isto é, para nos exercitarmos em evitar o que reprovamos nos outros. […]” (Negritamos)

Caso admitíssemos ter Deus nos criado simples e ignorantes e determinado que ao longo de nossa evolução só pudéssemos alcançar a condição de pureza espiritual praticando o bem e, de permeio, realizando atos maus, seria desesperador, teríamos que reconhecer que mais cedo ou mais tarde precisaríamos tirar a vida do semelhante para aprender que não devemos matar ninguém.

Podemos alinhar mais algumas referências para nos conscientizarmos de que jamais teremos que viver necessariamente o mal para alcançar o bem. Veja-se este outro registro do Sábio Gaulês (4): 120. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para chegar ao bem? “Não pela fieira do mal, mas pela da ignorância.”

O Espírito ignorante é um livro em branco a ser preenchido de acordo com as condutas e atitudes do próprio ser pensante. No início de nossa evolução ainda no reino animal como princípio espiritual, não possuíamos tendências, nem para o mal, tampouco para o bem. Atingindo o reino hominal, e pouco a pouco conquistando a liberdade e o livre arbítrio, o próprio desenrolar da vida vai nos apresentando os caminhos, e, dentre as possíveis direções, tomamos aquelas mais agradáveis.

Nestas fases iniciais da jornada, Espíritos mais evoluídos já se apresentam como nossos protetores, a figura do anjo guardião já se faz presente quando ensaiamos os primeiros passos na trajetória à conquista da pureza espiritual; é a forma determinada por Deus para nos ajudar desde o caminhar de nossa infância espiritual: jamais nos encontramos sós ou abandonados.

Existem conselhos, intuições, sugestões mentais, por parte dos protetores, mesmo que sejamos ignorantes, de modo a já iniciar o aprendizado e consolidação do processo de escolhas a nos caracterizar no futuro através do exercício de nosso livre arbítrio. Se o Espírito, ainda na simplicidade de entendimento, faz opções pelo caminho do bem, desde este início, vai consolidando gradativamente um padrão de conduta que o acompanhará. Quanto mais opta pelo bom caminho, mais se fortalece e mais se torna apto a realizar apenas boas ações, e vice-versa.

É oportuno fazer outra reflexão sobre esta possibilidade em fazer o bem desde o início. Entendemos sejamos todos daqueles que optaram por avançar entre o bem e o mal absolutos. Diante de tal realidade, por qual razão não nos esforçarmos agora um pouco mais por fazer mais bem do que mal? Não é chegado o momento de nos alinharmos de preferência com as boas condutas?

Sobre esta luta interna travada diariamente para não cometer mais desvios aos postulados de Deus, pode-se lembrar de uma característica importante de nossa personalidade a ser sempre fortalecida: a vontade em praticar o bem!(5)

636. O bem e o mal são absolutos para todos os homens? “A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal é sempre o mal, seja qual for a posição do homem; a diferença está no grau da responsabilidade.” (Negritamos)

O posicionamento na vida apenas para a prática do bem não é fácil, sabemos, pois já temos gravadas em nosso caráter matrizes de más condutas e inclinações construídas no passado, entretanto, não é impossível iniciar um processo de superação, deixando gradativamente para trás os padrões da: vingança, inveja, ciúme, soberba, preguiça, entre outros traços de personalidade a nos caracterizar e incomodar, nos fazendo perder tempo e grandiosas oportunidades de aprendizado.

Quem sabe não é o momento de darmos o brado de libertação das atitudes contrárias às leis divinas? Já conhecemos bastante, a Doutrina aí está para nos ajudar e nortear nas escolhas. Além disso, temos a ajuda incansável de nossos guias espirituais: do que mais precisamos? O mundo de regeneração se apresenta, e se tornará uma realidade na razão direta de nossos esforços em agir apenas no bem. A hora é agora! 

Rogério Miguez

Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Brasília: FEB, 2007. Q.124.
(2) ______, _____. Q. 634.
(3)______. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 10, it. 20.
(4) ______. O Livro dos espíritos. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Brasília: FEB, 2007. Q.120.
(5)______, _____. Q.636.

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://qz.com/453100/the-worlds-most-impressive-outdoor-mazes-and-labyrinths/>. Acesso em: 13AGO2017.

Rogério Miguez
Rogério Miguez

Trabalhador da Doutrina Espírita desde a Mocidade, tendo atuado no estado de Rio de Janeiro em algumas Casas e, atualmente, em São José dos Campos/SP nos Centros Amor e Caridade, Jacob e Divino Mestre. Colabora em Cursos, Exposições, Atendimento Fraterno e Passes, sendo articulista dos periódicos Reformador e Revista Internacional de Espiritismo.

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