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Amor natural, mas também intelectual

maio 21, 2018

Tomás de Aquino (1225-1274), filósofo e teólogo italiano, é considerado a figura mais importante da filosofia escolástica e um dos teólogos mais notáveis do Catolicismo. Foi canonizado pelo Papa João XXII, em 1323; em 1567, o Papa Pio V proclamou-o Doutor da Igreja.

Pois entre os pensamentos do grande Tomás de Aquino, figura a ideia que ele qualificou de Amor Natural e Amor Intelectual, para definir e estudar o Amor.

Essa divisão em dois pontos, segundo o filósofo, surge, no primeiro caso, do amor natural, da capacidade inata de todo ser humano na busca do afeto, na tendência ou aptidão natural na conquista do amor. Já no caso do amor intelectual, a questão se volta para a vontade de amar, para o querer ir em busca do amor. Notem a diferença: no primeiro caso, aptidão natural; no segundo, a iniciativa de ir em busca.

A aptidão natural já está no ser. No desejo e vontade, que requer a iniciativa e esforço, a situação é outra. Ocorre que na aptidão natural pode haver acomodação, preguiça; no segundo caso, porque intelectual, há movimentação de ideias e forças para alcance do objetivo.

O amor, por sua vez, confundido em todas as épocas com visões distintas (a depender do estágio moral e intelectual em que se coloca a pessoa), transcende o aspecto sensual, físico, de aparência, de tempo, espaço ou lugar. Ele está muito acima das precárias e temporárias condições humanas, para situar-se, realmente, no amor em sua verdadeira natureza: o amor ao próximo. Sim, porque somente amando ao próximo alcançaremos o sentido autêntico da vida.

O amor é confundido com paixão, que passa com o tempo, a idade ou outras condições. Se sofre abalos com os melindres, orgulho ferido, traições, já não é amor. Se chega a abater-se diante da ingratidão, do abandono, ainda não é amor. O amor verdadeiro aceita o outro como ele é, porque o compreende, o aceita, justamente porque se ama. Isto é o amor que vai socorrer a necessidade do outro, que se solidariza com a dificuldade alheia. Se é um sentimento que fica bem somente quando não nos contraria, já não é amor, mas egoísmo.

Por isso, o amor transcende a relação homem-mulher, situando-se além desta condição, já que não distingue diferenças, simplesmente ama. E quem ama, compreende, perdoa, aceita. E, curiosamente, embora o amor transcenda a relação homem-mulher, também pode ser exercitado entre cônjuges, amigos, irmãos, em família, ou entre quaisquer seres humanos, já que todos nascemos com uma aptidão natural para amar, mas que o amor intelectual pode desenvolver.

Orson Peter Carrara

 

Orson Peter Carrara
Orson Peter Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita. Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas, sites e jornais do país, além de boletins regionais, no país e no exterior. Autor de treze livros, seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.

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