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Nem só de grana vive o homem

novembro 26, 2018

Recentemente, assisti a uma entrevista da modelo brasileira Gisele Bündchen, em que ela disse ter sofrido de Síndrome do Pânico. O mais curioso foi o relato de que se sentiu “perdida” porque, de certa forma, pelo seu sucesso faltava um pouco de compaixão alheia.

Mais ou menos assim:

“Você é rica, famosa, tem de tudo, portanto, não pode sofrer.”

Bem provável que você já tenha visto situações deste nível, em que pessoas com posses materiais falam de suas necessidades, ou fazem qualquer reclamação e alguém sai com uma dessas:

“Mas está reclamando de quê? Tem de tudo na vida, deveria agradecer a Deus!”

Esse é um assunto pouco abordado e que revela uma mentalidade, puramente, materialista. É muito comum julgar que indivíduos com bons empregos, carros possantes e muita grana na conta bancária estão com a “vida ganha” e não têm mais qualquer necessidade. Como se a vida se resumisse à satisfação dos gozos da matéria. Logo, se as questões materiais estão satisfeitas, a vida está boa, plena e feliz.

Mas não é bem assim que a banda toca. É claro que as questões materiais têm sua importância e influenciam, decisivamente, nos níveis de felicidade do sujeito, mas havemos de convir que tais questões estão bem longe de serem as mais importantes da existência humana.

Somos muito além da matéria, somos Espíritos em trânsito por este mundo e, assim sendo, temos as nossas necessidades de ordem espiritual que precisam ser contempladas para que experimentemos um pouco desta felicidade relativa que se pode viver num mundo como a Terra.

Se isto não fosse verdade teríamos a seguinte questão: quanto mais rico o indivíduo maior o seu nível de felicidade.

Entretanto, uma simples observação mostra que se uma boa posição financeira ajuda, esta posição, porém, não garante a paz de espírito advinda de dois pontos além matéria:

Consciência tranquila e fé no futuro.

Sem abraçar a consciência tranquila e a fé no futuro não há como vivenciar uma existência, relativamente, feliz.

Precisamos, então, olhar as pessoas como Espíritos que são, muito além da conta bancária e das questões materiais, pois é de uma extrema insensibilidade desprezarmos a dor do outro porque ele tem sucesso no campo da matéria esquecendo que este indivíduo é um Espírito imortal, portanto, sofre e passa dificuldades apesar de ter dinheiro.

Olhar sempre o indivíduo como Espírito permite-nos livrar-nos da falta de compaixão alegada pela rica e famosa modelo brasileira.

Wellington Balbo

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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