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Entendimento verde para os temas de amor

maio 26, 2020

A Lei de Amor impõe que as criaturas se respeitem

“(…) Quando a família cambaleia, a sociedade rui”.

– Frei Francisco de Monte Alverne.

Segundo Emmanuel1, o nobre Mentor de Chico Xavier, “(…) para que o lar não se converta de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis, é necessário o entendimento amadurecido em torno da reencarnação, nas bases da família sob o beneplácito da Lei do Amor”.

E continua o amorável e lúcido Mentor: “(…) os débitos contraídos por legiões de companheiros de humanidade, portadores de entendimento verde para os temas de amor, determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosas ligações sexuais, sejam elas ou não acobertados pelo pálio das leis humanas, o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador…

Completa André Luiz2: “(…) sem entendimento e respeito, conciliação e afinidade espiritual, torna-se difícil o êxito no casamento; pois, por muito se nos impessoalizem os sentimentos, somos defrontados, em família, pelas ocasiões de provas ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energia para ver nossos filhos ou parentes na trilha que consideramos como sendo a mais certa…”

Com Kardec aprendemos3: “o divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que de fato já está separado. Não é contrário à Lei de Deus, vez que apenas reforma o que os homens hão feito, e, só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a Lei Divina. Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Disse Ele: “foi por causa da dureza de vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres”.

Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: “no princípio não foi assim”, isto é, na origem da humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a Lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio…”

Em total sintonia com a Codificação Kardequiana, aduz Francisco de Monte Alverne4: “como é verdade que se não devem algemar duas almas que se antipatizam, permanecendo inamistosas e consequentemente insatisfeitas conjugalmente, não se tem o direito de vincular pela licitude do matrimônio dois imaturos que se buscam exclusivamente pelo prazer da libido desordenada.

(…) Mas, também é verdade que o cristão não se pode permitir, e o Espírita em particular, as sensações ligeiras, as resoluções apressadas e a tomada de decisões, tendo em vista apenas e exclusivamente o gozo, o atender das paixões que logo passam, deixando o ressaibo da amargura, da frustração e do desencanto…

A Lei de Amor impõe que as criaturas se elejam, mas também exige que se respeitem, que se sustentem na dificuldade, que se apoiem reciprocamente, enquanto vige o vínculo da atração carnal, ou, quando este se dilui, sustentando-se na fraternidade, que deve – um dia – unir todas as criaturas como verdadeiros irmãos. O matrimônio, portanto, é atestado inequívoco do estado emocional, social e espiritual de uma comunidade. (…) Quando o sexo é exercido sem responsabilidade, o matrimônio nada consegue fazer, senão facilitar a exaustão dos sentidos e diluir, no deterioramento do respeito humano, a consideração que todos devemos ter uns pelos outros, facilitando o suporte da corrupção dos costumes, mediante a chamada manifestação do sexo livre, portanto, degenerado…

Jesus, em participando das Bodas de Caná, atestou a alta consideração que devotava à união de dois seres que se respeitavam e que partiam para a edificação da meta familiar, o grande alicerce da comunidade humana”.

Como ainda vivemos sob a pedagogia das dores das “provas e expiações”, temos, muitas vezes, na família, o cadinho esfogueante no qual temperamos os caracteres difíceis na incessante busca da harmonia e perfeição. Mas a família que elege o Evangelho de Jesus como norma de conduta tem – necessária e consequentemente – maiores chances de sucesso. Nunca esqueçamos que somos Espíritos calcetas, endividados, acostumados aos erros e ainda indóceis… Mas, agora, com os ensinamentos de Jesus clareados pela Doutrina Espírita, ficará mais fácil (se quisermos) errar menos e acertar mais, conscientes de que, conforme assertiva de Emmanuel5: “(…) em família, temos aqueles que permanecem conosco para o nosso amor e aqueles que se demoram conosco para a nossa dor”.

Rogério Coelho

 

1 – XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo. 19.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1999, p. 23 e 34.
2 – XAVIER, Francisco Cândido. Estude e viva. 4.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1978, cap. 10.
3 – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XXII, itens 2 a 5.
4 – FRANCO, Divaldo. Florilégios Espirituais. Araras: IDE, 1981, p. 117-120.

 

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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