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O amor não é uma hipotenusa

setembro 3, 2020

O amor é por excelência o mais eficaz dissolvente da incompreensão e do ódio

“O Amor tem por função unir, nunca separar.”
– Joanna de Ângelis

O carro deslizava suavemente pelo asfalto, obedecendo ao comando seguro do motorista que seguia absorto e ensimesmado em profundas meditações…

“Sim!” – pensava o filho – “hoje eu falo com ele… Afinal, o motivo desta viagem é este. De hoje não passa!…”

Em pouco mais de uma hora foram vencidos os quilômetros que separavam as duas cidades… Ali se encontrava, agora, frente a frente com ele… Gaguejou… Pigarreou… Tartamudeou… e, disse finalmente: – “Papai… hoje preciso lhe falar algo… Vim aqui só para isto. Há quarenta e cinco anos que desejo lhe dizer isto…”

O idoso que estava escrevendo algo, parou, olhou por cima dos óculos e do alto de seus oitenta e oito anos de vida, encorajou-o: – “diga filho.”

– “Papai… eu… eu… eu te amo!…”

O velho levantou-se devagar e caminhando na direção do filho, com passos vacilantes, olhos brilhantes e algo aljofrados por lágrimas que se represavam, pergunta:

– “Você viajou todos esses quilômetros só para me dizer isto?”

– “Sim papai. Eu te amo” – repetiu…

Abraçaram-se; e o ancião já se recobrando da emoção repentina, falou quase num fio de voz: “filho, eu sei que você me ama e sempre me amou; mas, por favor, repita isso sempre para mim!…”

O amor é uma chama divina que lucila bruxuleante no imo das criaturas e faz vibrar as fibras mais íntimas da alma! Contra ele não existe força possível. Nem a própria morte o destrói. O Universo inteiro é obra do Amor Divino.

Lázaro afirma (1): “a Lei de Amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais; ele resume a Doutrina de Jesus toda inteira”.

Segundo Pedro (2), “o amor cobre multidões de pecados”. Ele se expressa numa linguagem universal e inarticulada, plena de superiores vibrações.

Todos os sofrimentos pelos quais hoje passa a humanidade são simples consequências da falta de amor.

O grande Mahatma Indiano (3) disse: “quando apenas um homem atingir a plenitude do Amor, logrará erradicar o ódio de milhões”.

Tal fato patenteou-se na vida do suave e meigo “poverello” da Úmbria (4) que proclamava ao tempo de Jesus, já no final de sua existência: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros”.

Jesus resumiu todas as leis e os profetas no mandamento maior: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

O amor transcende fronteiras geográficas ou barreiras dogmáticas e nada poderá cerceá-lo. Atendamos, assim, aos imperativos dessa força que terá o condão de elevar-nos às cumeadas para as quais estamos destinados. O amor é por excelência o mais eficaz dissolvente da incompreensão e do ódio.

Ensina o Mestre Lionês (5): “(…) a Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe pode ser concedido na Terra é o de encontrar corações compatíveis com o seu. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é Amor e Benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.”

O Amor – felizmente – nunca terá fim…

Joanna de Ângelis conclama: “(…) lá fora, além da cela do teu isolacionismo, está fazendo Sol e Jesus, hoje como outrora, esquecido de Si mesmo e das ingratidões dos homens e do mundo, está recolhendo corações para a lavoura do Amor.”

Rogério Coelho

Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XI, item 8;

(2) I Pedro, 4:8;

(3) Mohandas Karanchan Gandhi;

(4) João Evangelista que no século XIII reencarnaria na suave personalidade de Francisco de Assis; e

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q. 939.

 

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://clubinhoblumenau.blogspot.com/2013/03/abraco-de-filho.html>. Acesso em: 02SET2020.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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