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Educar é amar. 

outubro 2, 2020

Se aprecias filmes com lições morais maravilhosas, não perca o filme “Mãos Talentosas” baseado em fatos reais da vida de Dr. Benjamin Carson, um neurocirurgião que ficou famoso por ter feito uma cirurgia muito bem sucedida para separar gêmeos siameses, unidos pela parte posterior da cabeça.  Se não vistes o filme, sugiro que leias este ensaio após assisti-lo para preservar o elemento surpresa do mesmo. 

Esse médico teve uma infância pobre, sofreu muito preconceito racial, morava com a mãe e um irmão, mas o pai havia os deixado. Porém, sua mãe, apesar de analfabeta, era, além de inteligente, muito firme e exigia seriedade e estudo de ambos, sempre exaltando a capacidade deles Contudo,  Benjamin tinha dificuldades na escola, e sua mãe, observando-o, logo notou que na realidade ele não enxergava bem e precisava de óculos.  Graças a esse monitoramento materno ele melhorou seu desempenho na escola, mas a diferença significativa aconteceu mais tarde.  

Sua mãe começou a trabalhar para um homem rico que morava numa mansão com uma imensa biblioteca.  Ela envergonhava-se muito de não saber ler e admirou-se ao saber que o homem havia lido a maioria dos livros.  Teve então a ideia de incentivar os filhos à leitura, impondo que fossem à biblioteca e pegassem um livro por mês e escrevessem um relato do conteúdo para ler em voz alta para ela.   Ele despertou o gosto pela leitura, bem como ampliou seus conhecimentos gerais até chegar onde chegou. 

Sua mãe mostrou-se uma mulher extraordinária, atenta à educação dos filhos e exigente, sempre salientando a importância deles  acreditarem em si mesmos e de esforçarem-se. Ela repetia: “Você pode ser o que quiser nesta vida, contanto que trabalhe para isso”. 

O que será que o querido leitor lembrou agora? Claro que dquestão 909 do Livro dos Espíritos, que nos diz que poderemos vencer nossas más tendências com pouco esforço, e vai além, dizendo na questão 911, que o problema é que nossa “vontade está apenas nos lábios”, na maioria das vezes. A mãe de Benjamin sabia intuitivamente que precisava incentivar os filhos a se esforçarem, mesmo que fosse desagradável a eles e não deixou que “suas vontades ficassem somente nos lábios”. 

Lembro-me bem na Evangelização Infantil de nosso centro espírita, os relatos dos agora Evangelizadores que um dia foram  “obrigados” pela mãe a participar delas, tendo que  sair da cama num domingo de manhã para evangelizarem-se, mas que hoje agradecem por todo o entendimento da vida que conquistaram por esse esforço.  Os pais precisam ser firmes com os filhos, quando há necessidade, isso é amor. Uma organização religiosa como essa citada, assim como muitas outras de outras designações,  também têm o papel importante de fazer brotar e expandir a “religião natural”( 1) de todo o ser humano, que o ajuda na busca de tornar-se um ser integral(2) , pois vai descobrindo o seu próprio “eu” aos poucos. 

A quarentena pela qual estamos todos passando está proporcionando a recuperação das famílias, porque os pais estão tendo de prestar a atenção na educação de seus filhos, pois  esses estão ajudando nas tarefas online da escola; estão ensinando higiene e disciplina para prevenir o contágio do COVID-19; se enxergarem mais longe provavelmente estão distribuindo tarefas domésticas, pois as crianças precisam desenvolver o senso de serem úteis. O noticiário nomostra que as famílias estão até cozinhando juntas as refeições, divertindo-se muito. Vejo pela janela as crianças felizes da vida passando com os pais, todos de máscaras, dando um rápido passeio para espairecer.  Isso tudo é  a educação na família.  As crianças estão tendo mais tempo para aconchegarem-se no conforto do lar junto às pessoas que mais amam. Quando conseguimos estar confortáveis em casa e apreciamos esse convívio, estamos construindo as bases dentro de nós mesmos para estarmos confortáveis conosco mesmos, descobrindo o prazer de estar consigo mesmo, livres para descobrir quem somos de verdade. 

Estamos vivendo um caos na educação brasileira, é unanimidade. Agora, com o isolamento social, parece que a “ferida” ficou mais exposta.  E quem sabe a família não será a chave que alavancará uma mudança nas perspectivas da educação infantil tão necessária nesta transição planetária? 

Ocorre que a família é o núcleo de maior importância no organismo social. 

Quando se desajusta, a sociedade se desorganiza: quando se desorganiza; quando se estiola, a comunidade se desagrega; quando falha, o grupo a que dá origem sucumbe.  

Santuário dos pais, escola dos filhos, oficina de experiências, o lar é a mola mestra que aciona a humanidade.  

 

O lar é o suporte imaterial da família, que se constrói na casa onde residem as criaturas, independendo dos recursos financeiros ou dos requintes exteriores de que esta última se revista.(3) 

 O exemplo da família de Dr. Benjamin é só um no meio de muitas outras anônimas, que enriqueceram e ainda enriquecerão nossa sociedade com pessoas do bem, ativas e esforçadas, sendo elementos úteis a uma sociedade em construção,  que precisa  de bases de pedra, que a traça não corrói e o vento não leva. 

 

Maria Lúcia Garbini Gonçalves 

 

Referências: 

  1. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Segunda Parte: Futuro do Espiritismo. 
  1. FRANCO, Divaldo. Pela Psicografia de Joana de Angelis. O Homem Integral. 
  1. FEB. Sublime Sementeira- Evangelização Espírita Infantojuvenil. Parte II: Mensagens de Benedita Fernandes. 

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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