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As duas torres elevadas da caridade

outubro 4, 2020

O homem derrapa na censura hostil em referência às faltas do próximo, como
se não as tivesse em idênticas circunstâncias

 “Indulgência e Amor são os pináculos
mais exuberantes da vera Caridade”.
– François C. Liran

O Espírito de Verdade declarou sem rebuços (1): “(…) sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o Céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai…”

No célebre e quase cruento episódio (2) da mulher flagrada em adultério, Jesus reverteu a impiedade da multidão ignara fazendo-a enxergar as próprias defecções.

Ora, se todos temos telhados de vidro, não nos assiste, de forma alguma, o direito de lançar pedras no telhado alheio. O anátema lançado na direção do semelhante, volta, qual bumerangue, para o seu ponto de partida, quiçá com mais força e poder de destruição.  Portanto, há que se ter, no próprio interesse, indulgência e amor na base da vida de relação.

José, Espírito protetor, nos aconselha (3) a utilização da severidade tão somente para conosco mesmos, empregando, por outro lado, sem parcimônia, a indulgência para com o próximo.

Só Deus pode julgar em última instância e de maneira absolutamente isenta e correta, vez que somente Ele conhece o móvel dos atos alheios em sua profundidade, desculpando, vezes sem conto, as faltas que censuramos, como também condenando as que muitas vezes relevamos…

A indulgência age como um bálsamo que mitiga as feridas expostas da Alma, acalmando as mais acerbas dores morais, mormente quando mesclada ao Amor, ao se transformar, então, em sublime e abendiçoada lixívia, com poder irresistível para erradicar o orgulho e o egoísmo, predispondo a criatura à benevolência e ao devotamento, sob o pálio da abnegação, oferecendo uma visão dos pródromos do reinado da paz.

Em uníssono com José, Espírito protetor, Joanna de Ângelis (4) amplia ainda mais o pensamento em torno da indulgência e do amor afirmando: “(…) a indulgência é comportamento pouco usual entre os homens…  Embora sendo mais fácil compreender do que censurar, prefere-se a acusação rigorosa à tolerância fraternal, estabelecendo-se áreas de animosidade no relacionamento social, perfeitamente evitáveis.

Ainda sofrendo as contingências do primarismo agressivo que teima em viger nas atitudes do cotidiano, o homem derrapa na censura hostil e na dureza de julgamento, em referência às faltas do próximo, como se não as tivesse em idênticas circunstâncias. Vezes outras, porque lhe são familiares as imperfeições, identifica-as noutrem, arremetendo contra as mesmas, em mecanismos de fuga a respeito da fragilidade pessoal e desforçando-se dos seus fracassos na debilidade do próximo, que lhe é intolerável.

Quanto mais severo é o intolerante, no exame das limitações e fracassos de outrem, mais atormentado e fraco ele se sente, disfarçando tal situação com a catilinária agressiva, através da qual se refugia e compraz.

A indulgência faz muita falta aos homens, e a sua ausência na ação responde por muitos males que afligem o mundo. Ela propicia ao equivocado a oportunidade pa­ra refazer a experiência, e dá-lhe também ensejo de avaliar o erro motivando-o a uma reformulação de conceitos sobre a vida, portanto auxiliando-o a agir com retidão.

A indulgência é ato de amor, que dignifica quem a oferece e aquele que a recebe.  Tu, no entanto, que conheces Jesus, vai além: sê indulgente para com aquele que te fere e, conhece­dor que és do significado da vida, proporciona-lhe algum bem.

Não somente deves esquecer a ofensa, como também contribuir para o crescimento moral do ofensor, substituindo o ódio e a mágoa pelo amor, ensinando através da bondade a lição da fraternidade que ajuda e socorre. Da indulgência todos necessitam. Ela ampara os fortes quando caem, e anima os fracos que, sem a sua força, jamais se ergueriam.

Conta-se que, após a ressurreição de Jesus e o Seu apare­cimento aos discípulos, quando reinava entre eles imensa alegria e incontida esperança, o Mestre foi buscar Judas, perturbado em si mesmo, nos tormentos do suicídio, a fim de auxiliá-lo na reabilitação necessária. Indulgência e amor são, portanto os termos elevados da caridade em sua mais alta expressão”.

Rogério Coelho

Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio: FEB, 2006, cap. VI, item 5, § 4º;
(2) João, 8:1 A 11;
(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio: FEB, 2006, cap. X, item 16, § 4º; e
(4) FRANCO, Divaldo. Luz da Esperança.  3.ed. Rio [de Janeiro]: F.V.LORENZ, 2002, cap.  22. 

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/jesus-consola-judas-no-umbral>. Acesso em: 04OUT2020.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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