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Psicometria – uma das espécies de mediunidade

abril 12, 2021

Através do estudo da codificação organizada por Allan Kardec, verifica-se em O Livro dos Médiuns (capítulo XIV) que todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Prosseguindo no esclarecimento posto no item 159, o codificador explica que essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns, sendo esses qualificados como aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que não depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Como se vê, a mediunidade é intrínseca à criatura, não possuindo, porém, natureza de prerrogativa, direito ou mesmo vantagem de alguma forma. Antes de tudo, deve ser exercida com objetivos elevados, destinada ao bem, com renúncia e desinteresse pessoal do médium, sendo seguida à risca a recomendação de Jesus no sentido de que de graça recebestes, de graça dai (O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXVI, item 1).

Como a faculdade mediúnica não se revela do mesmo modo em todos, os médiuns têm, muitas vezes, disposição para determinados fenômenos e não para outros. Dificilmente há aptidão para a maioria deles numa mesma pessoa.

Assim, e como se denota, existem diversos tipos ou configurações de manifestações mediúnicas, eis que a característica pode se manifestar de vários contornos. Ainda de acordo com o citado capítulo XIV de o Livro dos Médiuns, as principais espécies são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos.

Claro que essa lista de faculdades mediúnicas não tem por objetivo numerar todas as formas ou espécies de intercâmbio entre as criaturas encarnadas e as desencarnadas. De fato, nunca devemos nos esquecer que a doutrina espírita é dinâmica, assim como são vastas as possibilidades dos indivíduos.

Embora o digno codificador tenha trazido esse elenco acima – jamais devendo ser interpretado como numerusclausus das espécies de mediunidade –, existe uma bastante peculiar, chamando-nos a atenção pelas suas características um tanto particulares. Estamos a falar da psicometria.

O espírito Emmanuel, orientador de Francisco Cândido Xavier, mencionou a influência que certos objetos possuem ou apresentam, ao responder nos seguintes termos a questão 143 trazida em O Consolador: os objetos, mormente os de uso pessoal, têm a sua história viva e, por vezes, podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas, de seus antigos possuidores no mundo; razão porque parecem tocados, por vezes, de singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão somente os valores morais do homem na sua jornada para o perfeito.

Na obra Nos Domínios da Mediunidade (capítulo 26), igualmente trazida por intermédio de Francisco Cândido Xavier, o espírito André Luiz apresenta os ensinos do instrutor Áulus, que assim elucida a psicometria: em boa expressão sinonímica, como o é usada na Psicologia experimental, significa “registro, apreciação da atividade intelectual”; entretanto, nos trabalhos mediúnicos, esta palavra designa a faculdade de ler impressões e recordações ao contato de objetos comuns.

Levando André Luiz e o companheiro Hilário a um determinado museu, o orientador Áulus lhes mostra um relógio que, como todo objeto, guarda as formas-pensamento dos seus possuidores ou proprietários. Ante a surpresa dos orientandos, já que perceberam as vibrações contidas no objeto, o instrutor ensina que o relógio está envolvido pelas correntes mentais dos irmãos que ainda se apegam a ele, assim como o fio de cobre na condução da energia está sensibilizado pela corrente elétrica. Auscultando-o, na fase em que se encontra, relacionamo-nos, de imediato, com as recordações dos amigos que o estimam.

Dando continuidade ao ensinamento, Áulus informa que o pensamento espalha nossas próprias emanações em toda parte a que se projeta. Deixamos vestígios espirituais onde arremessamos os raios de nossa mente, assim como o animal deixa no próprio rastro o odor que lhe é característico, tornando-se, por esse motivo, facilmente abordável pela sensibilidade olfativa do cão. Quando libertados do corpo denso, aguçam-se-nos os sentidos e, em razão disso, podemos atender, sem dificuldade, a esses fenômenos, dentro da esfera em que se nos limitam as possibilidades evolutivas.

Ao terminara explicação, o educador diz que quando se nos apura a sensibilidade de maneira mais intensiva, em simples objetos relegados ao abandono podemos surpreender expressivos traços das pessoas que os retiveram ou do sucesso de que foram testemunhas, por meio das vibrações que eles guardam consigo.

Novamente é André Luiz quem elucida o mecanismo pelo qual a espécie mediúnica se dá, esclarecendo a função do psicômetra no livro Mecanismos da Mediunidade (capítulo 20) no sentido de que vamos encontrar no médium de psicometria a individualidade que consegue desarticular, de maneira automática, a força nervosa de certos núcleos, como, por exemplo, os da visão e da audição, transferindo-lhes a potencialidade para as próprias oscilações mentais.

Continuando o esclarecimento, diz que efetuada a transposição, temos a ideia de que o medianeiro possui olhos e ouvidos a distância do envoltório denso, acrescendo, muitas vezes, a circunstância de que tal sensitivo, por autodecisão, não apenas desassocia os agentes psíquicos dos núcleos aludidos, mas também opera o desdobramento do corpo espiritual, em processo rápido, acompanhando o mapa que se lhe traça às ações no espaço e no tempo, com o que obtém, sem maiores embaraços, o montante de impressões e informações para os fins que se tenha em vista.

Como as formas-pensamento adquirem importância fundamental para o conceito aqui examinado, André Luiz finaliza dizendo que quem apresenta ao psicômetra um pertence de antepassados, na maioria das vezes já lhe invocou a memória e, com isso, quando não tenha atraído para o objeto o interesse afetivo, no plano espiritual, terá desenhado mentalmente os seus traços ou quadro alusivos às reminiscências de que disponha, estabelecendo, assim, recursos de indução para que as percepções ultrassensoriais do médium se lhe coloquem no campo vibratório correspondente.

Diante do exposto, e de um modo um tanto singelo, pode-se conceituar psicometria como a faculdade mediúnica pela qual o médium, em contato com objetos, pessoas ou lugares relacionados com acontecimentos passados, sintoniza-se de tal maneira com esses eventos, que os pode descrever com certa ou devida precisão.

Renato Confolonieri

 

Nota do Editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://paulabortoletto.com.br/psicometria-leitura-energetica/psicometria-e-leitura/>. Acesso em: 12ABR2021.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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