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Aflitos Bem-aventurados

julho 18, 2021

É interessante como a leitura minuciosa e atenta de o Evangelho Segundo o Espiritismo nos abre perspectivas tais que se estivéssemos lendo superficialmente não perceberíamos.

Quem lê o capítulo 5 de título “Bem-aventurados os aflitos” podem pensar que basta estar aflito para ser bem-aventurado. Então uma pessoa que tem ciúmes doentio de alguém é bem-aventurada? Ou a que sofre com sentimentos de vingança? Ou as que sofrem as consequências de suas irresponsabilidades sem fazerem uma autoanálise e mudarem de conduta?

Pois bem, nesse mesmo capítulo do ESE, Fénelon nos esclarece sobre os Tormentos Voluntários. O nome já nos antecipa o seu conceito; são os tormentos criados por nós mesmos. Esse Espírito cita o exemplo dos que sofrem muito por ciúmes ou inveja, que sabidamente são tormentos que realmente causam um grande sofrimento aos que os nutrem.

Prosseguindo a análise, Fénelon nos ensina: “As palavras Bem-aventurados os aflitos, pois serão consolados não podem ser aplicados a eles, pois suas preocupações não terão recompensa no Céu”. Logo, os ciumentos e invejosos, são exemplos de não bem-aventurados, pois não estão tirando a lição a ser aprendida para uma reforma íntima, que é o caminho ensinado pelo Mestre Jesus.

A bem-aventurança do sofrimento é aquela que nos enleva, que nos leva a refletir sobre o mal que causamos, transmutando o sentimento negativo em pró-ativo, aceitando o que não podemos mudar. É uma ação de valorização da oportunidade da experiência reencarnatória.

Deparamo-nos outro dia com uma narrativa de Divaldo Franco na media contando-nos sobre uma conversa entre Jesus e Pedro a respeito de pessoas que foram curadas por Ele. Havia um paralítico que praguejava e se queixava muito e todos o conheciam, Jesus aproximou-se dele e lhe perguntou se desejava curar-se, ao que ele imediatamente respondeu afirmativamente. Jesus o ordenou: “Levanta-te e anda”, e assim foi. Depois uma cega aproximou-se de Jesus pedindo que a curasse, e assim Ele fez. Mais tarde, Pedro encontra Jesus pálido, triste e lhe pergunta o porquê de estar assim, já que as duas pessoas estavam tão felizes curadas. Então, Jesus, após afirmar que Pedro não o entendia, explicou que ex-paralítico voltou a beber e festejar, querendo aproveitar tudo que havia perdido, ao invés de seguir o caminho da caridade para com os que são paralíticos. A mulher que era cega iria vingar-se dos que a maltrataram, ao invés de ajudar outros cegos. Porém, Jesus adiciona a Pedro que estava tudo certo como estava, as pessoas ainda não poderiam entendê-lo.

Essa passagem com Jesus nos deixa bem claro a ideia dos aflitos que não alcançariam a bem-aventurança.

A estrada que Jesus iluminou para caminharmos está a nossa disposição, hoje temos o Consolador. Temos saída sim para as nossas aflições, mas a contrapartida é a vontade, é querer sair de Tormentos Voluntários para Bem-aventuranças voluntárias, como o mestre ensina.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://ujucasp.org.br/site/2020/10/29/a-grande-promessa-de-jesus-aos-seus-bem-aventurados-mateus-51-12/>. Acesso em: 18JUL2021.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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