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A Lei do Progresso

dezembro 16, 2021

Já tivemos a ventura de tratar em outra ocasião acerca dos motivos pelos quais Deus não nos criou perfeitos.

Naquele momento, reflexionamos que em O Livro dos Espíritos há amplas informações e ensinamentos de que a doutrina espírita tem por princípios as relações do mundo material com os espíritos ou com o mundo espiritual. Especificamente no livro terceiro – As Leis Morais – há extensos preceitos acerca da Lei Divina ou Natural, que, de acordo com a pergunta 648, está dividida em dez partes, compreendendo as leis sobre a adoração, o trabalho, a reprodução, a conservação, a destruição, a sociedade, o progresso, a igualdade, a liberdade e, por fim, a lei de justiça, de amor e de caridade.

O Espírito de Verdade termina dizendo na sua resposta que “… a última lei é a mais importante: é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela as resume todas.”. Enfatize-se a frase “avançar mais na vida espiritual…”.

Examinando cada uma dessas leis que compõem o todo, percebemos que tudo na criação divina começa do mais simples para atingir o mais complexo, ao se aprimorar. Isso é o que ocorre com os mundos, que vão dos primitivos até os celestes ou divinos (Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo III), e é assim também com as criaturas, que vão dos seres unicelulares até alcançar o reino hominal e, bem depois, as esferas elevadas da criação, já na espiritualidade (questões 114 e seguintes de O Livro dos Espíritos).

Com relação à lei do trabalho, os espíritos, ao responder à questão 678 (Nos mundos mais aperfeiçoados, o homem está submetido à mesma necessidade do trabalho?), informam que “a natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades. Quanto menos as necessidades são materiais, menos o trabalho é material. Mas não creiais, com isso, que o homem fica inativo e inútil: a ociosidade seria um suplício em lugar de ser um benefício.”.

Desse modo, as criaturas estão sujeitas ao trabalho como uma forma de combater a ociosidade, que lhes seria agônica.

Já na resposta à pergunta 778, em que Allan Kardec, ao tratar da lei do progresso, questiona se o homem pode retrogradar até o estado natural, os bons espíritos que nos abençoaram com a doutrina dizem que “o homem deve progredir sem cessar e não pode retornar ao estado de infância. Se ele progride é porque Deus quer assim. Pensar que ele pode retroceder à sua condição primitiva, seria negar a lei do progresso.”. Portanto, vê-se que o progresso é intrínseco a todos nós.

A seu turno, e na questão 785, o Espírito de Verdade diz que o maior obstáculo ao progresso é “o orgulho e o egoísmo”, e na resposta à pergunta 115 dita que “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência. Deu a cada um uma missão com o fim de os esclarecer e os fazer avançar, progressivamente, a perfeição para o conhecimento da verdade e para os aproximar dele. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos passando pelas provas que Deus lhes impõe. Alguns aceitam essas provas com submissão e alcançam mais prontamente o fim de sua destinação. Outros não a suportam senão murmurando e, por suas faltas, permanecem distanciados da perfeição e da felicidade prometida.”.

No livro Libertação, o espírito André Luiz nos traz as aconselhadas palavras da benfeitora Matilde que, no capítulo 18, articula: “O Senhor criou leis imperecíveis e perfeitas para que não alcancemos o reino da divina Luz ao sabor do acaso, e Espírito algum trairá os imperativos sábios do esforço e do tempo! Quem pretende a colheita de felicidade no século vindouro comece desde agora a sementeira de amor e paz.”.

Por sua vez, o instrutor Gúbio, nessa mesma obra (capítulo 20), ensina que “o trabalho de reajustamento próprio é artigo de lei irrevogável, em todos os ângulos do universo. Ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo… A prece ajuda, a esperança balsamiza, a fé sustenta, o entusiasmo revigora, o ideal ilumina, mas o esforço próprio na direção do bem é a alma da realização esperada.”.

Diante de todo o exposto, pode-se concluir que Deus ordenou Leis Superiores, dentre elas a do trabalho e a do progresso, às quais estamos todos submetidos, os mundos e as criaturas.

Por conta dessas leis divinas e imutáveis, e também pelo fato de termos sido criados simples e ignorantes, o progresso – e aqui estamos a nos referir ao avanço, à melhoria da criatura – é o que nos possibilita alcançar os cimos de esmero com o nosso próprio valor, com o nosso próprio ânimo, razão pela qual temos a obrigação de nos esforçar para combater a ociosidade e progredir, avançando mais na vida espiritual, sob as Leis Morais do Criador.

Assim, continuemos a nossa marcha consciente, rumo ao progresso, às alturas espirituais. Como visto, essa é uma das Leis Soberanas amorosamente impostas por Deus, juntamente com a do trabalho, para que alcancemos, pelos nossos próprios méritos, os mundos celestes que estão reservados a nós, os quais estamos fadados a atingir.

Renato Confolonieri

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.gce.org.br/mensagens/16-artigos/espiritual/68-a-caminho-da-luz>. Acesso em: 16EZ2021.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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