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Luzes de Natal

dezembro 22, 2021

É chegado o período de Natal.

Luzes se espalham pelas cidades com ornamentos e enfeites que nos trazem um ar de acolhimento e alegria. Nas casas e nos prédios se ostentam brilhos diferenciados que piscam de maneira aleatória, misturando cores e desenhos, chamando a atenção dos transeuntes.

João era um dos que admiravam da janela do ônibus as cenas variadas que lhe surgiam a cada quadra dos bairros mais abastados, enquanto voltava do trabalho para a sua residência na periferia da cidade.

Das praças decoradas e ruas suntuosas de luminosidade, a paisagem ia mudando à medida que o veículo se aproximava dos lugarejos mais simples.

Depois de horas em um transporte lotado, saltou em um ponto e seguiu a pé por vielas sem asfalto, contemplando pequenos casebres onde supostamente o Natal não havia chegado. Apenas algumas pequenas luzes e alguns artesanatos pequenos se esforçavam para lembrar o transcurso da data natalina.

Chegando em sua casa, nada do lado de fora estava diferente. Apenas no seu interior havia uma pequena árvore de Natal montada com pouquíssimos detalhes já sem brilho reunidos ano a ano. 

Deitou-se no sofá de uma pequena sala, cansado da labuta e contemplou o adereço comparando-o com as imagens que havia visto na cidade. Mas não ficou muito tempo acordado. Esgotado ao extremo, dormiu ali mesmo sem ter forças para ir para cama e sem ver seus filhos que estavam no único quarto do lar junto à mãe. 

Na manhã seguinte acordou a sobressaltos com o brilho dos olhos de suas crianças que lhe abraçavam e diziam “Acorda, papai, levanta! É Natal!”. 

Era tanta alegria, tanta felicidade nos olhos dos pequenos que se levantou renovado na esperança de dias melhores. 

Sua árvore de Natal continuava sem brilho. Mas nada importava mais. A não ser o brilho das almas de seus filhos que iluminavam e enchiam de alegria aquela humilde família. 

Sentado agora no sofá e vendo-os brincando no chão de cimento pensou:

– “As verdadeiras luzes de Natal estão aqui em nossas crianças, em nossos corações!”  

* * *

Na introdução do livro O Evangelho Segundo Espiritismo há uma linda passagem trazida pelo Espírito de Verdade que diz:

Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos. [1]

Que somos nós, senão espíritos encarnados? Logo, espalhamo-nos por toda a superfície da Terra tal qual estrelas cadentes, cada um com seu brilho próprio, com a capacidade de levar amor e luz para onde formos. Dependendo unicamente de nossa vontade se inclinar ao bem, ao amor e à caridade.

Que neste Natal possamos acender as luzes que dispomos para enfeitar nossos lares e nossas cidades.  Mas acima de tudo, que possamos acender as luzes de nossos corações tal como nos mostra a simplicidade de uma criança, deixando-nos claro que o verdadeiro Natal está na alegria de sentirmos e emanarmos a presença de Deus em nossos corações. 

“Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” [2].

Márcio Martins da Silva Costa

Referências:
[1] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, 131a. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013; e
[2] Mateus 5:16.

Nota do Editor :
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://32xsp.org.br/especial/ruas-sem-asfalto/>. Acesso em: 22DEZ2021. 

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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