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Comparsas mefíticos

outubro 12, 2022

Tudo o que aproxima o homem da natureza material afasta-o da natureza espiritual
“Esforçando-se o homem poderia vencer as suas
 más inclinações  se não  lhe faltasse a vontade”.
– O Livro dos Espíritos, q. 909.

Segundo a nobre Mentora Joanna de Ângelis, devemos ter por tarefa primordial “(…) abandonar a horizontalidade das viciações pela verticalidade ascensional da libertação de sombras e dores, mágoas e inquietações. Assim, constitui-se atitude estoica perante a vida abandonar vícios e imperfeições.”

É alarmante comprovar, por exemplo, como o alcoolismo vai invadindo as faixas etárias cada vez mais tenras. A iniciação ao alcoolismo começa cada vez mais cedo “a pretexto de festas e comemorações, impondo uma segunda natureza constritora e voraz”, afirma ainda Joanna de Ângelis (1).

Informa o distinto Espírito Dr. Carneiro de Campos (2): “(…) o alcoolismo é um dos maiores inimigos da criatura humana. É de lamentar-se que o seu uso seja tão generalizado e, infelizmente, haja adquirido status na sociedade. As reuniões, as celebrações e festividades outras, sempre se fazem acompanhar de bebidas alcoólicas, responsáveis por incontáveis danos ao organismo humano e à sociedade. Aciden­tes terríveis, agressões absurdas, atitudes ignóbeis decorrem do seu uso, além dos vários prejuízos orgânicos, emocionais e mentais que acarretam.

Verdadeiras legiões de vítimas se movimen­tam pelas avenidas do mundo, como enxameiam nos campos, permanecem nos tugúrios da miséria ou nas celas sombrias dos cárceres e dos hospitais, apresentando o triste espetáculo da decadência hu­mana. Milhões de lares sofrem os aflitivos e infelizes lances da sua crueldade.

No inquietante momento em que o uso das drogas é responsabilizado pela vigência de inume­ráveis crimes hediondos, e se levantam muitas vo­zes em protesto, buscando encontrar as causas so­ciológicas, psicológicas e outras, para explicar a avalanche sempre crescente e assustadora de viciados, urge que se estudem também os problemas do alcoolismo e suas consequências, não menos alar­mantes.

O alcoolismo, ou dependência do uso exa­gerado de bebidas alcoólicas, constitui-se um grave problema médico, em face dos danos que causa ao organismo do indivíduo e ao grupo social no qual este se movimenta. A sua gravidade pode ser consi­derada pelo número dos internados em hospitais psiquiátricos com desequilíbrios expressivos. As recidivas, após o cuidadoso tratamento, são numero­sas, não se considerando que as suas vítimas ultra­passam em grande número as outras toxicomanias.

Na antiguidade, o uso de bebidas alcoólicas tornou-se comum e quase elegante, caracterizando uma forma de projeção social ou de fuga ante os desafios.  Acreditava-se, no passado, que o álcool e seus derivados diminuíam as angústias e tensões, posteriormente se afirmando ou se justificando pos­suírem propriedades fisiológicas, produzindo estí­mulo e vigor orgânicos.

O alcoolismo decorre de muitos fatores, entre os quais a personalidade e a tolerância do organis­mo do paciente, variando com a idade, o sexo, hereditariedade, hábitos e costumes, constituição e dis­posição orgânica. Pode ser resultado de causas ocasionais, se­cundárias, psicopáticas e conflituosidade neurótica.

(…) No começo, o indivíduo pode experimentar eu­foria, dinamismo motor, porém vai perdendo o con­trole, o senso crítico, tomando-se inconveniente. Com o tempo, surgem outros distúrbios orgânicos, tais as náuseas, os vômitos, a incontinência urinária e, por fim, o sono comatoso, no estado mais avan­çado.

À medida que a dependência aumenta e o uso se faz mais frequente, a bebida alcoólica afeta o sis­tema nervoso, o trato digestivo, o aparelho cardiovascular… As complicações que degeneram em gastrite e cirrose hepática são inevitáveis, levando à morte, qual sucede no câncer do esôfago e do estô­mago. Do ponto de vista psíquico, o alcoólatra muda completamente o comportamento, e suas reações mentais são alteradas, a começar pelos prejuízos da memória, até culminar no delirium tremens, sem re­torno ao equilíbrio…

(…) O alcoolismo é, portanto, uma enfermidade que exige cuidadoso tratamento psi­quiátrico.  No entanto, porque ao desencarnar o al­coólatra não morre, permanecendo vitimado pelos vícios, quase sempre busca sintonia com personali­dades frágeis ou temperamentos rudes, violentos, na Terra, deles se utilizando em processo obsessivo para dar prosseguimento ao infame consumo do ál­cool, agora aspirando-lhes os vapores e benefician­do-se da ingestão realizada pelo seu parceiro-víti­ma, que mais rapidamente se exaure. Torna-se uma obsessão muito difícil de ser atendida conveniente­mente, considerando-se a perfeita identificação de interesses e prazeres entre o hóspede e o seu anfi­trião.”

Estraçalhando vidas preciosas com prejuízos inimagináveis para a economia espiritual das criaturas e atrasos lamentáveis no processo evolutivo, os hábitos deletérios devem ser afastados para mais e mais nos distanciarmos dos lamaçais da iniquidade e das viciações de variegado matiz, para aproximarmos cada vez mais de nossa natureza espiritual onde resplandece a glória de Deus.

Rogério Coelho

Referências:
(1) FRANCO, Divaldo. SOS Família. 4.ed. Salvador: LEAL, 1984, p. 132-135; e
(2) FRANCO, Divaldo. Trilhas da Libertação. 2.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1997, p.173-177.

Nota do autor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://vidaaposamorte.comunidades.net/o-alcoolismo-na-visao-espirita>. Acesso em: 12OUT2022.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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