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A Estrada da Vida

fevereiro 15, 2023

O título deste ensaio foi inspirado em ensinamentos de Kardec em “Obras Póstumas” (1), cujo conteúdo Haroldo Dutra Dias tão bem elucidou-nos em sua palestra  em comemoração aos 102 anos de Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Ao fim deste ensaio, disponibilizamos o link (2) dessa palestra para que os leitores interessados possam assistir e já adiantamos que não irão se arrepender. Haroldo começa sua exposição aos 39:00 minutos do evento.

Não iremos abordar todo o conteúdo em detalhes do que Kardec aborda nesse ensinamento e que Haroldo estendeu também, apenas pontos que nos chamaram mais a atenção.

Allan Kardec mais uma vez nos impressiona com sua a inteligência, lógica e lucidez. Ele começa comentando que a pluralidade das existências é a única solução possível para os problemas mais importantes da psicologia humana, o que muitos filósofos já concordavam na época.

A maior objeção que poderiam ter sobre a Doutrina seria o esquecimento do passado, “ o abandono de um corpo para tomar outro, sem haver memória do passado, equivale ao nada, porque seria o nada para o pensamento; seriam outros tantos pontos de partida, novos sem ligação com os precedentes, seria um rompimento, um constante rompimento com todas as afeições, que tornam encantadora a vida presente e a mais doce e consoladora esperança do futuro: seria enfim a negação de qualquer responsabilidade moral”. Se alguém acredita que a Doutrina Espírita se limita a isso, realmente estaria certo em não dar crédito a ela, pois seria incompatível com a Justiça de Deus, explica Kardec.

E adiciona: “O Espiritismo, porém, não no-la apresenta com esse aspecto.  A existência espiritual da alma, ensina ele, é a sua existência normal, com indefinida lembrança retrospectiva. As existências corporais não são senão intervalos, curtas estações na vida espiritual e a soma de todas essas estações não passa de uma mínima da existência normal, absolutamente como se , numa viagem de muitos anos, se parasse, de tempos em tempos, por algumas horas”. O tempo de cada reencarnação perto do infinito do universo é desprezível. Não há interrupção de vida, e sim sua continuidade nas existências quando reencarnados, pois o Criador nos deu a vida uma vez e ela nunca terminará.

Por misericórdia Divina esquecemos o nosso passado, que poderia não só humilhar-nos, como envergonhar-nos e talvez interferir em nosso processo de reencarnação. Que filho iria perdoar-nos, se lembrasse que os assassinamos na vida anterior, por exemplo?

Kardec, então, acrescenta a ideia genial que inspira o título do conteúdo abordado: “Pela pluralidade das existências, o seu futuro está nas próprias mãos; se gasta muito tempo em melhorar, sofre as consequências da demora; é a suprema justiça; mas a esperança nunca o deixa. A seguinte comparação nos faz melhor compreender as peripécias da vida da alma. Suponhamos uma longa estrada, em cujo percurso se encontram, de distância em distância, mas com intervalos desiguais, florestas que é preciso atravessar. Na entrada de cada floresta, a estrada larga e bela é interrompida e só na saída é que continua.”

A cada entrada na “floresta”, ou reencarnação, o viajante vai tendo mais experiência com os perigos, com as armadilhas, com as dificuldades, descobrindo os meios de sobreviver, mas encerrando a existência alquebrado, sofrido, combalido. Porém, após cada existência, vai voltando à “estrada larga e bela” cada vez mais experiente, sabendo onde estão os perigos e como desviar-se deles, e teve a sorte de encontrar um lenhador que o ajudou a achar o caminho. E suas habilidades vão aumentando, até que já fica mais seguro de si, Haroldo comicamente coloca que a estas alturas já nos tornamos um verdadeiro “Rambo”, confiante e corajoso. Quando termina a estrada e chega ao cume da alta montanha, ele tem a visão de todos os percursos que fez anteriormente. “As florestas esparramadas pelo caminho são para ele pontos negros numa fita branca”. O que parecia que não tinha fim, terminou, tudo que era enorme e inextricável com o tempo foi resolvido. Deste modo, já podemos voltar à floresta e ajudar os que têm dificuldades, inexperientes, sendo os seus “anjos da guarda”, tal como o lenhador nos ajudou na floresta.

Essa é a dança da vida, numa ida e vinda onde o progresso é uma Lei, que parece tão longa aqui, para nós, encarnados na floresta, mas que a nível cósmico é um instante. O futuro é lindo, é belo, a vida futura é o ponto de vista que temos que ter em mente, conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo (3) nos ensina.

Agora e sempre, viver e fazer o melhor.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referências:
(1) KARDEC, Allan. Obras Póstumas – O Futuro escrito em letras Irrecusáveis. Introdução e notas de J. Herculano Pires. 1ª parte. Capítulo Influências Perniciosas da Ideias Materialistas;
(2) https://www.youtube.com/live/GblJIAuM_wE?feature=share; e
(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.2; Item 5.

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://pranaodizerquenaofaleisobreavida.blogspot.com/2016/03/o-que-eu-aprendi-com-os-retrovisores.html> . Acesso em 14FEV2023.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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