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A mais desafiadora conquista

fevereiro 16, 2023

O homem virtuoso é aquele que faz do bem uma necessidade imprescindível
“Somente os homens livres interiormente, possuem a
virtude, porque seus  atos são  resultados de sua livre
determinação, por ordem íntima da vontade pessoal.”
Quintín López Gómez (1)

Ninguém é conscientemente mau. A maldade anda de mãos dadas com a ignorância; daí Jesus dizer (2) que o conhecimento da verdade libertar-nos-á do espólio de nosso passado de equívocos, alcandorando-nos às regiões superiores da sabedoria e do amor, o que, em última análise significa nossa alforria espiritual. Assim, para mais rapidamente alcançarmos esse desiderato, necessário se faz a desafiante conquista da virtude.

Realmente é um grande desafio a erradicação das idiossincrasias do “homem-velho” recobertas pela pátina dos séculos…

Ensina François-Nicole-Madeleine (3) que “(…) a virtude no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que se lhe opõe: o orgulho.”

Aquele que encontra prazer em realizar atos de virtude, integra-se a ela incorporando-a ao seu “modus-operandi”.

Com amplo descortino intelectual narra Quintín (1):  “(…) o homem adquire a virtude com o esforço dirigido ao bem que o inspira e, insistindo em praticá-la, conforma a sua vida aos seus ditames.  Para conseguir essa disposição é imprescindível adquirir o conhecimento do Bem; quer dizer que o homem saiba o valor moral de seus atos, de acordo com as leis morais.

Assim, a tendência ao bem é o primeiro passo para a virtude. Sua realização se transforma em experiência estimuladora; porém, só é virtude quando se constitui em um hábito natural, consciente e prazeroso.   O motivador da virtude e seu alimento é o amor ao bem, como afirmava Aristóteles, que “o homem virtuoso é aquele que faz do bem uma necessidade imprescindível, que põe sua felicidade no bem”.

A virtude é o resultado da ação consciente, iluminada pela inteligência e resultante de uma vontade determinada a fazer sempre o bem e amparada pelo sentimento que lhe propicia cooperação para seu cumprimento; ela é a conquista mais desafiante para o homem que deve empenhar-se em consegui-la; ela propicia, à vida, nobreza e dignidade, trocando as asperezas do processo evolutivo e facultando alegrias ao superá-las.

Santo Agostinho, que a adquiriu com grande esforço e perseverança, repassando mentalmente – antes de dormir – todos os seus atos para verificar em quais deles não fora correto e poder corrigi-los no dia seguinte ensinava: “virtude é a boa qualidade do ânimo, pelo qual se vive bem e a qual ninguém usa mal”.   Assim, o homem se inclina, moralmente, a uma constante ação do bem, que lhe faz bem através das boas ações.

(…) Quando o homem apresenta más ações, certamente está enfermo, fora de sua razão, visto que há, em todos os seres pensantes, uma tendência inata para o bem, porque todos possuem, em seu íntimo, a presença do Psiquismo Divino. O maior inimigo da virtude é o vício ou disposição para fazer o mal; este resulta dos apetites grosseiros da personalidade com seus consequentes danos morais.

A arte, a ciência e a tecnologia facilitam e embelezam a vida, mas somente a aquisição da virtude moral proporciona ao homem, equilíbrio, autocontrole, feliz intercâmbio com seus semelhantes e com tudo o que o rodeia, transformando-se na mais alta realização pessoal.  Das virtudes cardinais bem vividas, nascem a fé, a esperança e a caridade, sem as quais o indivíduo não se encontra com seu próprio eu. Dessas surgem a humildade, o perdão, a paciência, a abnegação, a renúncia, a beneficência… Diante de todas, para o perfeito êxito, impõe-se a humildade.  Sem esta as outras enfraquecem e perdem seu valor.

O orgulho, a vaidade e a presunção constituem vícios que impedem o desenvolvimento e a grandeza da virtude.

A ética espírita, examinando as virtudes essenciais para o homem, fiel ao pensamento cristão e paulino, estabelece que a caridade ou ação do bem por amor ao bem em favor de alguém, com conhecimento do bem é, por excelência, a base mais importante para a conquista de outros relevantes valores morais”.

Rogério Coelho

Referências:
(1) FRANCO, Divaldo. Rumo às Estrelas. Araras: IDE, 1992, pelo Espírito Quintín López Gómez. cap. 2;
(2) BÍBLIA, N.T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1983, cap. 8, vers.; e
(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XVII, item 8.

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://agendaespiritabrasil.com.br/2015/07/02/a-transitoria-maldade-humana/> . Acesso em 16FEV2023.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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