novos zelotes

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Os novos zelotes

abril 15, 2023

O Espiritismo é a doutrina do amor por excelência e tem a caridade por meio e meta

“(…) que fazem os espíritas da fé clara e pura?”
Joanna de Ângelis (1)

 

Estabelecendo-se um paralelo entre a “parábola do semeador” e os tipos de Espíritas existentes, vamos observar que o número dos “prejudicados” é bem maior do que o número daqueles que realmente aproveitam e seguem os alcandorados ensinamentos cristãos.

Assim como na “parábola do semeador” observamos que, salvo honrosas exceções, grande parte das sementes que se perdem ora à beira do caminho, ora entre as pedras, ora entre os espinhos, se igualam em quantidade àqueles espíritas que também não produzem nada para si e tampouco para os outros, e que foram classificados (2) por Allan Kardec como: espíritas experimentadores, espíritas imperfeitos e espíritas exaltados.  Esses simbolizam as “sementes” perdidas à beira do caminho evolutivo, entre as pedras dos próprios empecilhos, entre os espinhos dos interesses horizontais e subalternos…

Sendo a Doutrina Espírita esclarecedora e libertadora, não era para estarmos ainda às voltas com tantas imperfeições e limitações…  Daí o oportuno alerta de Joanna de Ângelis (1): “(…) supunhas que nos arraiais espiritistas a paz houvera feito morada e pareciam-te resignados e felizes os lutadores intrépidos, os novos discípulos do Evangelho… Entanto, observas como estão transidos de amargura, quando não rebelados, ante a dor, e interrogas: que fazem da fé clara e pura? Por que ferem, quando conhecem de perto as realidades da lei de “Causa e Efeito”? Como se deixam conduzir pelos obsessores?!…

Sem dúvida, porque em se assenhoreando da fé, a fé sublimada deles não se assenhoreou. Ficaram apenas mimetizados, mas não penetrados. Apressados, não mergulharam realmente o espírito nas lides do conhecimento da Doutrina libertadora.

Alguns se fazem notados, mas não conseguiram as íntimas e reais transformações para melhor. Projetaram-se sem se renovarem. E derrapam com facilidade nos mesmos equívocos, quando contrariados, sofridos ou simplesmente não considerados quanto se supõem merecedores. São homens e preferem continuar a sê-lo, quando se poderiam tornar cristãos…

O Espiritismo é a doutrina do amor por excelência e tem a caridade por meio e meta. Eles sabem disto, mas apenas sabem. Não vivem a vida que dizem saber e crer, por estarem acostumados a outra conduta. Mudaram de conceito religioso, mas não de comportamento moral… Não os estranhes, nem os censures para que não incidas nos mesmos erros deles”. Esses companheiros de jornada constituem o que podemos chamar a nova classe de zelotes. Coam mosquitos e engolem elefantes.

Conhecendo a criatura humana, ensina Emmanuel (3) o exercício do equilíbrio: “(…) reconheçamos que a construção do Bem é sementeira e seara de todos. Auxiliemo-nos, pois, mutuamente nos templos de confraternização e de amor.

Não existe quem não seja portador das raízes profundas do pretérito sombrio, afrontado por enigmas do sentimento a lhe desafiar a fé e o equilíbrio. Todos temos a nossa parcela de conflitos conosco mesmos. E, como nós mesmos, todos os nossos irmãos de caminhada necessitam de apoio e compreensão para que venham a caminhar entre sombras menores, já que todos nós, encarnados e desencarnados, em atividade na Terra, respiramos ainda muito distantes da Grande Luz.

Auxiliemo-nos, assim, na execução dos próprios deveres, dentro dos moldes da disciplina e da ordem, do trabalho correto e do respeito à consciência tranquila, que desejamos para nós mesmos, porque o fruto perfeito não é obra sublime apenas da vigilância e da obediência da árvore, mas também do carinho e da paciência que brilham nas mãos do cultivador”.

Sê tu aquele que ama e trabalha, esparzindo as sementes da fraternidade, do amor, do perdão incondicional e do conhecimento superior na gleba sáfara e pedregosa do coração humano. Essa a parte que te cabe na Seara do Mestre, vez que a frutescência é da alçada do Pai Celestial.

Rogério Coelho

Referências:
(1) FRANCO, Divaldo. Florações evangélicas. 4.ed. Salvador: LEAL, 2000, cap. 15;
(2) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 1ª parte, cap. III, item 28, § 1º ao 4º; e
(3) XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos médiuns. 11.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1998, p. 68 e 69.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em < >. Acesso em: 12ABR2023.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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