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Afinidade e sintonia

maio 5, 2023

Agimos e reagimos uns sobre os outros através da energia mental

 

                                               “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em
 nossos  atos  muito  mais  do   que  imaginamos,
vez que, de ordinário,  são eles que nos dirigem.”
O Livro dos Espíritos – q. 459

Academicamente podemos definir a palavra “afinidade”, do latim “affinitate” como:  relação, semelhança, analogia, coincidência de gostos ou de sentimentos… Já a palavra  “sintonia” significa: acordo mútuo, harmonia, reciprocidade, ajuste de frequências…

Trazendo esses conceitos para o campo da mediunidade, verificamos que “sintonizaremos” mais facilmente com os encarnados e desencarnados com os quais   guardamos “afinidades”,  numa influenciação recíproca sadia  ou  não,  dependendo aí dos ingredientes morais de cada um.

Segundo o nobre instrutor Albério (1) “(…) somos vastíssimo conjunto de inteligências,  sintonizadas  no  mesmo  padrão  vibratório   de percepção,  integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam, por assim dizer, a humanidade terrestre.

(…) Dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que  se  deslocam no Espaço, influenciados pelos  astros  que  os cercam, agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando,  alimentando e  destruindo  formas  e  situações,  paisagens  e  coisas,   na estruturação dos nossos destinos.

(…) Do conjunto de nossas ideias, resulta a nossa própria existência.  (…) Assim, segundo é fácil de concluir, todos os seres vivos respiram na onda do psiquismo dinâmico que lhes é peculiar, dentro das dimensões que lhes são características ou na frequência  que  lhes é própria. Esse  psiquismo  independe  dos centros  nervosos,  de  vez  que, fluindo da  mente,  é  ele  que condiciona todos os fenômenos da vida orgânica.

Examinando, pois, os valores anímicos como faculdades de comunicação entre os Espíritos, qualquer que seja o plano em que se encontrem, não podemos perder de vista  o  mundo mental do agente e do recipiente, porquanto, em qualquer  posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita à possibilidades e  à  coloração  dos pensamentos em que vive,  e  a  inteligência emissora  jaz  submetida  aos limites  e  às  interpretações  dos pensamentos que é capaz de produzir. (…) É da Lei, que nossas maiores alegrias sejam recolhidas ao contato daqueles que, em nos compreendendo, permutam  conosco  valores mentais de  qualidades  idênticas  aos nossos,  assim  como  as árvores oferecem  maior  coeficiente  de produção se colocadas entre companheiras da mesma espécie, com as quais trocam seus princípios germinativos.

Em mediunidade, portanto, não podemos olvidar a questão da sintonia: atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é  indiscutível  que cada um recebe de acordo com aquilo que dá.

(…) Procederam acertadamente aqueles que compararam o nosso mundo mental a um espelho, visto que refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que criamos. E, não podemos fugir ao imperativo da atração: somente  retrataremos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade  no espelho de nossa vida íntima.

Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência,   independentemente   do   corpo   físico,   porque, observando a vida em sua essência de Eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”.

Saibamos, assim, cultivar a educação, aprimorando-nos a cada dia que passa…

A força psíquica, nesse ou naquele teor de expressão, é peculiar a todos os seres, mas  não  existe aperfeiçoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade.

Elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exercício constante das virtudes superiores, se nos  propomos recolher a mensagem das Grandes Almas.

Mediunidade não basta por si só: é imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção.

Ajustemos a sintonia de nossa antena mediúnica com os nossos Irmãos Maiores, não olvidando o  trabalho perseverante na área do aprimoramento moral e no Bem com Jesus  a fim de que tal sintonia seja perenizada pela nossa afinidade  com esses  Amigos  Espirituais que trabalham incessantemente  para  a definitiva implantação do Reino de Deus no terreno – ainda sáfaro – das Almas rebeldes e recalcitrantes que somos todos nós.

Rogério Coelho

Referência:
(1) XAVIER, F. Cândido. Nos domínios da mediunidade. 12.ed. Rio [de Janeiro: FEB, 1983, cap. 1, p. 16-19.

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.revistaautadesouza.com/index.php/2020/06/09/energia-e-evolucao-problemas-de-sintonia/>. Acesso em: 05MAI2023.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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