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O futuro do Movimento Espírita

julho 22, 2023

Divulgadores espíritas, alguns famosos como o companheiro Haroldo Dutra, têm alertado para o envelhecimento dos colaboradores do movimento espírita o que, naturalmente, colocaria em risco o próprio movimento devido aos poucos estímulos à participação de adolescentes e jovens na administração dos Centros.

Esse tema leva a ponderações sobre os riscos de as casas espíritas não terem, em poucas décadas, quem contribua para a manutenção material e moral das atividades nelas realizadas, tais como grupos de estudos, palestras públicas, passes e trabalhos mediúnicos, eventos de caridade, dentre outros.

O assunto deve ser refletido seriamente pelos dirigentes e voluntários dos centros, de modo a avaliar se, de fato, existem atividades que estimulam e atraem os jovens ao centro espírita, bem como, em caso inverso, reverter a baixa participação.

Coincidentemente à época da produção deste artigo, fui convidada pela namoradinha do meu filho, jovem de 19 anos, a assistir uma pregação que ela faria na Igreja Adventista do Sétimo Dia em Jundiaí. Em plena quarta-feira, a grande igreja – se comparada ao tamanho da maioria dos centros espíritas, estava repleta de jovens. Eles achavam que a igreja estava vazia, mas eu, que convivo no meio espírita, via isso de modo diferente.

Antes da minha norinha fazer sua palestra, assim chamo eu, as pessoas foram recepcionadas na porta com todo carinho. Nenhum preconceito com alguém que não pertence à igreja, até pediram nome e telefone, caso desejasse oferecer, para que pudessem, eventualmente, enviar mensagens de teor espiritual via whats.

Lá dentro, no palco, uma jovem mãe com sua filhinha de 5 anos, ensaiava uma música. Ao teclado, um rapaz jovem. Os responsáveis pelo telão também eram moços. No início das atividades, um trio de jovens cantou algumas músicas de som e letra cativante. A própria criança teve o seu momento de cantar sozinha, apoiada pela mão da mãe. As pessoas entraram no clima da alegria e na sintonia com a fé. Ao final da noite, os jovens e alguns pais saíram juntos para jantar, o que os fez levar para fora da igreja o clima descontraído e fraternal.

Qual o motivo desse relato se estou falando do futuro do movimento espírita?

Não se pode ignorar que os espíritas são pouco criativos e exiguamente liberais para atraírem jovens colaboradores e permitir-lhes assumir responsabilidades nas casas e, por isso, a preocupação de Haroldo e outros é pertinente. Ninguém cogita o fim da Doutrina Espírita por tal razão, longe disso, mas sabemos que o Espiritismo atinge a sociedade através do movimento espírita, o qual é construído por pessoas de boa vontade dentro dos centros.

Ora, se temos dificuldades para atrair jovens, podemos aprender com o que os atraem em outras profissões de fé. Pessoalmente, sou muito motivada por música, então, estar na igreja com aquele astral de gente jovem fazendo uma atividade de cunho espiritual que nas casas espíritas vemos como sendo de “adultos”, me fez muito bem.

Este assunto, ou preocupação, melhor dizendo, não pode ser de interesse só dos dirigentes; é, também, destinado aos pais e responsáveis pelos nossos jovens. O trabalho de evangelização começa no berço, ou, como certa vez disse Chico Xavier, “40 anos antes”. São os adultos, dentro de seu próprio lar, os que primeiro devem se preocupar com a evangelização e o futuro das atividades que divulgam a Doutrina.

Em tempos de confusão entre liberdade e licenciosidade de costumes, em tempos de inversão de valores e confusões sobre o que de fato é moral ou imoral, não podemos considerar seriamente o sofisma de deixar nossos filhos decidirem na idade adulta, se creem em Deus ou se participarão de uma religião. É nossa obrigação mostrar-lhes um caminho, ainda que os respeitemos se mudarem de estrada no futuro.

Os pais precisam se importar com a educação moral, filosófica e religiosa dos seus filhos desde o seu nascimento. E isso o Espiritismo oferece com a melhor qualidade. Os responsáveis necessitam dar atenção à educação espiritual tanto quanto dão à educação formal dos jovenzinhos. De outro modo, como os filhos perceberão a importância de participarem ativamente do movimento e vestirem a camisa da fé?

Pais, responsáveis e dirigentes, o movimento espírita está em suas mãos.
Precisamos de jovens e os jovens precisam de vocês.

Vania Mugnato de Vasconcelos

Vania Mugnato de Vasconcelos
Vania Mugnato de Vasconcelos

Advogada, Bacharel em Serviço Social, pós-graduada em Recursos Humanos. Casada, mãe, espírita desde os 12 anos de idade, palestrante em vários centros no interior de São Paulo. Trabalhadora do CE João Batista de Jundiaí – SP, atua na casa como palestrante e Coordenadora do Grupo de Pais. Discípula de Jesus pela Aliança Espírita Evangélica do ABC, é oradora em casas espíritas vinculadas à USE Regional Jundiaí. Também é oradora em seminários realizados pelo Instituto Chico Xavier de Itu, em parceria com outros trabalhadores da seara espírita. Articulista espírita em redes sociais, jornais e blogs, seus textos e poemas estão disponíveis ao público na internet, bem como possui canal de vídeos no Youtube contendo palestras e estudos espíritas.

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