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Um tacape chamado glosso

agosto 7, 2023

A maledicência contumaz é corrosivo aniquilante

“Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua
língua, antes  engana  o seu coração, a religião desse é vã.”
Tiago, 1:26.

O inolvidável “Vidente de Damasco” recomendou aos efésios (1):  “não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem”.

Um pouco mais adiante, aditou (2):  “antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros”.

Em outra carta, agora aos irmãos de Tessalônica, lembrou (3): “quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros”.

A verdade sempre teve seus propugnadores em todas as épocas… Meio milênio antes do advento de Jesus, Sócrates ensinava que não deveríamos vestir o nosso pensamento com palavras sem primeiro passá-lo nesses três tamises:  é verdade?!  É bom?!  É útil?!

É no terreno árido e peçonhento, cheio das víboras da calúnia, ou na atmosfera mefítica onde sobrevoam os morcegos da maledicência, que a língua se transforma na espada cortante que estraçalha as “carnes” da Alma, espalhando o seu miasma pestilencial por onde passa. Transformada em bordão, a língua pode denegrir ou  destruir uma reputação nobre, causando prejuízos sem conto à economia espiritual, tanto da vítima quanto do algoz.

A calúnia e a maledicência alimentam-se da carniça pútrida da inveja, do despeito e do apoucamento moral de quem lhes dá trela.

No volume dois do livro: “Repositório de Sabedoria”, psicografado por Divaldo Franco, existem umas frases de Joanna de Ângelis que são verdadeiras preciosidades, com as quais nos aconselhamos adequadamente para refrear a língua, conforme recomendam as instruções neotestamentárias. Eis algumas delas como mote para nossas mais aprofundadas reflexões e, consequente alteração no modus-vivendi:

“Nuvens de maledicência ensombram o trabalho?  Avança ao encontro do sol da verdade. Maldizer significa destruir. O maledicente converte-se em vaso impuro carregado de emanações deletérias, tresandando odores desagradáveis. Faze a campanha sistemática contra a maledicência, esse veneno sutil que dissemina morte, e que guardas nos vasos brilhantes da vaidade. Evita a maledicência que dilata o círculo das malsinadas suspeitas, buscando aquele que talvez ignore o mal de que te supões vítima, esclarecendo a dúvida e põe cobro à sementeira da aversão em começo. A maledicência contumaz é corrosivo aniquilante. Ninguém fica indene, quando trabalha, à maledicência e à astúcia dos ociosos.   No entanto, é invariável a vitória da luz sobre a treva. O maledicente é atormentado que se debate nas lavas da própria inferioridade. Tem a visão tomada e tudo vê através das pesadas lentes que carrega.  A maledicência é nuvem escura; cultura de inutilidade em solo apodrecido que começa na palavra do reproche inoportuno.

Volta as armas da tua oração e vigilância contra a praga da maledicência aparentemente ingênua, mas que destrói toda a região por onde prolifera.

Enquanto a maledicência grassa arrebanhando mentes frívolas e companheiros invigilantes, que se comprazem na disseminação das ideias espúrias, faculta-te mais amor”.

Já no volume primeiro do mesmo livro, eis os lembretes sobre a calúnia:

“A calúnia é crime de difícil reparação nos tribunais da ordem divina. O caluniador queixa-se, queimando-se no ácido da infâmia que espalha.  

A calúnia que atirares na direção de alguém seguirá contigo, com remordimento consciencial para afligir-te mais tarde.

Quando o impiedoso chicote da calúnia estrugir nas tuas intenções nobres, não concedas a insensatez do desânimo que pode se transformar em enfermidade difícil.  A calúnia indignifica; o amor levanta”.

Cuidemos, portanto, de não transformar nossa língua em cruel e impiedoso tacape com o qual venhamos a esbordoar a honra e a dignidade de nosso semelhante.   É da lei que seremos medidos com a mesma medida com a qual medimos.

Utilizemos o abendiçoado recurso da fala tão somente para “promover a edificação”, porque se não refrearmos a nossa língua “enganamos o nosso coração e a nossa religião é vã”.

Rogério Coelho

Referências:
(1)  Ef., 4:29;
(2) Ef., 4:32; e
(3) 1 Tess., 4:9.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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