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O último dos talentos

agosto 18, 2023

Ao lermos a Parábola dos Talentos, muitas perguntas começam a preencher nossa mente buscando respostas sobre quais eram os 15 talentos discutidos na parábola bem como compreender por quais razões um recebeu 5, outro 2 e o último apenas 1 talento e foi exatamente esse que nada fez.

Assim, vale a procura nos livros e Humberto de Campos, em Luz Acima. No capítulo denominado “Lembrando a parábola” vai nos explicar que o primeiro dos trabalhadores recebeu os talentos da saúde, riqueza, habilidade, discernimento e autoridade. Servo fiel retornou ao Senhor os talentos do tempo, da gratidão, da estima, do Equilíbrio e da Ordem.

Já o segundo, recebeu do Senhor os talentos da inteligência e do poder, retornado ao Mestre os talentos do trabalho e do progresso. Sendo que ambos os servos obedientes e leais receberam como recompensa o direito de permanecer na posse dos talentos para que continuassem com o ótimo emprego de tais virtudes em favor de si e do próximo.

Todavia sabemos que o último dos servos recebeu apenas 1 talento, e, segundo o Autor, o talento recebido era o “dom celeste da iluminação espiritual”. Mas, relembrando os talentos mencionados, a dúvida vem novamente, qual seria esse tão importante e necessário talento? Seria a dor!

O servo responsável por tal obrigação reclamou, afirmando: “esta dádiva é um fardo difícil de carregar… Constituiu-se desagradável recordação por onde passei, estorvou-me os desejos e, de modo algum, desejaria possuí-la oura vez… É impossível obter lucros ou vantagens com semelhante obstáculo.”

Ora, a dor é o talento especial confiado ao servo infiel, mas qual o motivo de citado talento ser tão especial e por qual motivo foi conferido a essa pessoa isoladamente e por qual razão não conseguiu ele utilizar referido talento e multiplicá-lo. Rodolfo Calligaris no livro Parábolas Evangélicas vem nos explicar pouco a pouco os motivos e nos responde essas indagações com brilhantismo.

Primeiro ele nos lembra que o Senhor que concede os talentos é Deus, dessa afirmação compreendemos os motivos de um receber 5, outro 2 e o último apenas 1 talento, pois Ele sabe qual a capacidade de cada um de nós receber “os bens e recursos que a Providência nos outorga para serem empregados em benefício próprio e no de nossos semelhantes.”

Na sequência o Autor nos explica que aquele servo que recebeu 5 talentos “são espíritos mais experimentados, mais vividos, que aqui reencarnam para missões de repercussão social”, já o espírito que recebeu 2 talentos, “são os destinados a tarefas mais restritas, de âmbito familiar” e por fim, o espírito que recebeu 1 mísero talento “não tem outra responsabilidade senão a de promoverem o progresso espiritual de si mesmo, mediante a aquisição de virtudes que lhes faltam”.

Assim, evidente as razões do Senhor ao conceder a Dor isoladamente, pois tem ela a função de iluminar o próprio ser no caminho do progresso necessário, lembrando das palavras do Mestre: “Bem-aventurados os aflitos, que deles é o Reino dos Céus.”

Pois como nos lembra o Evangelho Segundo o Espiritismo, “o fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem; maior será a recompensa quanto a aflição não seja penosa; mas essa recompensa é preciso merecê-la, e é por isso que a vida está cheia de atribulações.”

Somos nós o servo infiel, àquele que o Senhor concede um único talento, a Dor, mas ao invés de aplicarmos esse dom em nosso próprio benefício preferimos enterrá-lo no meio das reclamações e terceirizações de responsabilidades, perdemos assim a oportunidade que nos foi concedido de aprender com as dificuldades. É preciso suportar com fé no futuro em que renasceremos não mais recebendo do Pai um talento, mas 2 ou até 5 talentos e então estaremos caminhando dignamente, pois como lembra Santo Agostinho em O Evangelho Segundo o Espiritismo, “felizes aqueles que sofrem e que choram! que suas almas se alegrem porque serão abençoados por Deus.”

Daniel Baeninger

Daniel Baeninger
Daniel Baeninger

Trabalhador do Centro Espírita Luz e Caridade de Limeira/SP.

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