120 visualizações

Desequilíbrios pré-existentes do espírito

dezembro 22, 2023

A crença em vidas passadas vem se fortalecendo cada vez mais, principalmente devido aos trabalhos de pesquisadores renomados como foi o caso de Ian Stevenson e aos relatos de diversas pessoas entrevistadas de diferentes continentes por esse pesquisador ao longo da sua vida (1).

A discussão central dos céticos e materialistas se dá ao fato de não aceitarem a ideia de outras encarnações. Allan Kardec cita no Livro dos Espíritos o motivo do esquecimento das vidas passadas, quando diz:

Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado? Não pode o homem, nem deve saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, o homem é mais senhor de si (2).

Estudando as informações de Kardec e o conhecimento científico e filosófico atual sobre reencarnação, percebemos que as lembranças de outras encarnações esbarram em uma questão de ordem moral. Seria conveniente lembrar das vidas passadas?

Em outras palavras, todos nós resistimos à ideia de sermos os verdadeiros responsáveis pelas dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia, assim como a possibilidade inverossímil de termos solicitado da espiritualidade um grande testemunho, com objetivo de avançar na Escala Espírita.

Imaginem que um desequilíbrio que desperta em um dado momento da nossa caminhada de vida possa estar relacionado a algum tipo de excesso que tenhamos cometido em vidas passadas. Como explicar?

A dificuldade de aceitação não poderia estar relacionada a uma falta de embasamento e humildade em reconhecer a possibilidade de termos sido responsáveis pelo desequilíbrio que hoje reverbera no nosso mundo íntimo, produzindo algum tipo de doença?

Os sentimentos adoecidos da alma são responsáveis pela dor moral que quase todos somos portadores e que na grande maioria dos casos se apresentam sob forma de uma doença psicossomática.

“Nossas obras ficam conosco. Somos herdeiros de nós mesmos”. (André Luiz)

No livro Ação e Reação o espírito André Luiz ouviu uma explicação em uma conversa e nos deixou o seguinte relato:

“O pretérito fala em nós com gritos de credor exigente, amontoando sobre as nossas cabeças os frutos amargos da plantação que fizemos… Daí, os desajustes e enfermidades que nos assaltam a mente, desarticulando-nos os veículos de manifestação. Admitíamos que a transição do sepulcro fosse lavagem miraculosa, liberando-nos o Espírito, mas ressuscitamos no corpo sutil de agora com os males que alimentamos em nosso ser. Nossas ligações com a retaguarda, por essa razão, continuam vivas”. (3)

O esclarecimento e a evangelização do espírito enfermo, auxiliam no seu processo de moralização, autocura e principalmente de reforma íntima.

Eder Andrade
Professor de história e sociologia, frequentador do Centro Espírita Consolador, no Rio de Janeiro, RJ.

 

Referências:
(1) Stevenson, Ian; Reencarnação (Vinte Casos); Ed. Vida & Consciência;
(2) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; 2a p.- Cap. VII – Esquecimento do passado-p.392; FEB; e
(3) Xavier, Francisco Cândido; Ação e Reação; Cap. 2 – Comentários do Instrutor; FEB.

Nota do editor:
Artigo publicado pelo Correio Fraterno n° 513, São Bernardo do Campo (SP), (setembro/outubro) de 2023.

Eder Andrade
Eder Andrade

Professor de História e Sociologia, frequentador do Centro Espírita Consolador, no Rio de Janeiro, RJ.

Deixe aqui seu comentário:

Divulgue o cartaz do seu evento espírita.

Clique aqui