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Ano Novo, Velhos Hábitos

janeiro 25, 2024

Não é novidade nenhuma que todos nós temos uma grande dificuldade para modificar nossos velhos hábitos enraizados na nossa estrutura de vida. Falar em palestras públicas ou escrever artigos sobre a Reforma Íntima é muito fácil, porém colocar isso em prática exige às vezes um esforço muito grande da nossa parte.

É necessário fazer uma autoanálise e conseguir perceber o que de fato somos capazes de modificar em nós mesmos pela nossa força de vontade. Existem muitos recursos de autoajuda, porém se não tivermos a força de vontade necessária, serão ineficazes. Precisamos antes de mais nada tomar consciência de que o processo de transformação não vai se dar de uma hora para outra, é necessário um trabalho contínuo de esclarecimento, para posteriormente conseguirmos promover algum tipo de mudança comportamental em nossas vidas.

Quando Jesus retornava do Monte das Oliveiras, os fariseus trouxeram uma mulher denunciada por adultério e falavam que segundo a lei, ela deveria ser apedrejada. Jesus se inclinando, começou a escrever na areia vários nomes, possivelmente daqueles que a acusavam e a multidão curiosamente se dispersou e virando-se para a mulher ele perguntou:

Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. (João 8:11)

Às vezes precisamos de 20, 30 ou até 40 anos de convivência com a Doutrina Espírita para ocorrer o despertamento mais profundo das nossas consciências de forma a perceber o que precisamos mudar para encontrarmos a paz interior que necessitamos. Na passagem bíblica a ideia de pecado está associada ao comportamento equivocado, inadequado ou proposital.

Existem processos de cura espiritual que, para ocorrerem, dependem muito do amadurecimento do espírito, enquanto individualidade imortal. E dessa forma às vezes se passa uma existência terrena até que o indivíduo perceba o que poderia ter feito em favor dele próprio, mas não conseguiu realizar. Uma mudança de comportamento implica na maioria das vezes em uma tomada de consciência por parte do sofredor. O Cristo ajudava com seu poder magnético no processo de cura dos enfermos, mas alertava, que era necessária uma mudança de conduta, para a cura ser efetiva, caso contrário o indivíduo voltaria a adoecer.

Encontramos muitas reflexões no que diz respeito à necessidade de Reforma Íntima. No livro Espiritismo e Reforma Íntima de Rino Curti, ele diz:

Nossos pensamentos constituem o veículo de influências pelo qual nos relacionamos com os outros. A falta de vigilância para com eles, o descuido com que os formulamos, a fácil adesão às ideias menos edificantes, o palavratório grosseiro, o anedotário licencioso, os julgamentos precipitados, a malícia, a desconfiança, o ciúme, o despeito, a inveja mal disfarçados, são vários dos móveis com os quais lançamos detritos mentais em nosso derredor, conspurcando o meio que nos circunda, provocando poluição no campo das ideias. (1)

Nem tudo é uma questão lógica, na grande maioria dos casos o processo de mudança envolve um amadurecimento do senso moral do espírito em questão. Poderíamos arriscar um palpite dizendo que a doença ou o arrastamento do sofrimento, representam o processo de cura. À medida que o espírito amadurece, gradativamente, vai se libertando das dificuldades que o prendem ao seu sofrimento no mundo material, pois consegue ressignificar os momentos do passado, com uma aprendizagem para o futuro.

Muitas pessoas de uma forma romanceada, acreditam que um novo ano que começa é sempre uma oportunidade de renovação. Essa mudança depende muito do desejo sincero do indivíduo em querer se modificar, porém nem sempre é tão fácil como se acredita, pois, o espírito adoecido moralmente tem dificuldade de superar suas inclinações e precisa de ajuda médica ou de uma intervenção da espiritualidade superior para uma nova encarnação provacional.

Existem casos tão delicados, que o espírito perde totalmente a capacidade de moldar seu perispírito, necessitando da ajuda de esferas superiores para corrigir desequilíbrios. Devido a esse fato, permanece com as mesmas dificuldades, pois o processo de mudança é muito homeopático e depende do esforço pessoal do enfermo espiritual.

Pela mediunidade de Chico Xavier, Emmanuel deixou-nos um livro para nosso estudo e algumas passagens que além de servirem como uma consolação para nós, ajudam em nosso processo de esclarecimento pessoal, quando disse:

Almas enfraquecidas, que tendes, muitas vezes, sentido sobre a fronte o sopro frio da adversidade, que tendes vertido muitos prantos nas jornadas difíceis em estradas de sofrimentos rudes, buscai na fé, os vossos imperecíveis tesouros. Bem sei a intensidade da vossa angústia e sei de vossa resistência ao desespero.
Ânimo e coragem! No fim de todas as dores, abre-se uma aurora de ventura imortal; dos amargores experimentados, das lições recebidas, dos ensinamentos conquistados à custa de insano esforço e de penoso labor, tece a alma sua auréola de eternidade gloriosa; eis que os túmulos se quebram e da paz cheia de cinzas e sombras, dos jazigos, emergem às vezes comovedoras dos mortos. Escutai-as! … elas vos dizem da felicidade do dever cumprido, dos tormentos da consciência nos desvios das obrigações necessárias. (2)

A natureza não dá saltos, os homens não se tornam puros em uma vida terrena, são necessárias várias encarnações para se corrigir débitos contraídos em um passado, mas em algum momento precisamos começar a agir a nosso favor, fazendo o que está ao nosso alcance para nos modificar e ajudar àqueles que cruzam o nosso caminho pedindo algum tipo de ajuda. Tudo é um processo que depende de tempo para o despertar da consciência de cada um.

Eder Andrade

Referências Bibliográficas:
1) Curti, Rino; Espiritismo e Reforma Íntima; – Cap. VI – A Necessidade da Reforma Íntima; 6.3 – Poluição Moral; Ed. LAKE;
2) Xavier, Francisco Cândido: Emmanuel – I – Almas Enfraquecidas – Aos Enfraquecidos na Luta, FEB;
3) Wikipédia (A Enciclopédia Livre).

Eder Andrade
Eder Andrade

Professor de História e Sociologia, frequentador do Centro Espírita Consolador, no Rio de Janeiro, RJ.

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