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Más companhias

fevereiro 3, 2024

Lucinha era uma adolescente que tinha um dom de escolher más companhias. Na seleção de amigos buscava sempre aqueles mais problemáticos.

Na escola fez amizade com Carlinhos. E envolvida com as ideias dele, fugia da aula para ficar passeando nas praças e comércio local. Até que um dia Carlinhos pegou um item de uma loja e saiu correndo, levando Lucinha junto.

Chegando em casa, disse para mãe sem expor detalhes: – “…não dou sorte com os amigos.”

Mais tarde conheceu Glorinha e a sua trupe. Como essa era popular, juntou-se a ela e começou a faltar às aulas novamente. Por meio deste grupo, conheceu o vício e se envolveu nele. Mas logo foi passada para trás pelas novas amigas que queriam assediar outras sem vícios.

Chegando em casa, lamentou com a mãe sem expor detalhes: – “…não dou sorte com os amigos.”

Pela internet conheceu Flora e Amâncio. Ambos muito faladores. Mas por meio deles mergulhou no mundo das palavras fúteis, incluindo em seu vocabulário habitual a grosseria, a obscenidade e o insulto. Marcado encontro presencial com eles, ninguém fora e não mais falaram com ela.

Em determinado momento, disse para mãe: – “…não dou sorte com os amigos.”

Desta vez, porém, a mãe não hesitou:

– “Pudera, você só escolhe más companhias!”

*     *     *

Somos aquilo que a nossa mente emana e se relaciona com o mundo afora.

No campo material buscamos naturalmente as coisas com as quais nos afinizamos. A música que ouvimos, os livros que lemos, os lugares que frequentamos, as pessoas com as quais nos relacionamos refletem por onde transita a nossa mente. E com esse universo nos conectamos por afinidades mútuas, moldando as nossas atitudes e hábitos a partir da teia social com a qual nos sentimos representados.

Assim também o é para o espírito.

As nossas mentes estão sempre em atividade, gerando constantemente pensamentos que são, com efeito, energia que movimenta as partículas materiais elementares que estão à nossa volta. E pelos impositivos da mecânica ondulatória, criam-se ondas mentais com frequência e cor peculiares, às quais estabelecem uma identidade particular para cada ser (XAVIER, 1960).

Estas ondas mentais manipulam o plasma divino no qual estamos imersos, dando forma aos nossos pensamentos conforme a intensidade de nossos intentos.

Assim, tornam-se concretos, aos olhos do espírito, as nossas criações, as nossas vontades, os nossos mais íntimos desejos. E por meio destas telas mentais, espíritos afins se conectam e se integram em um universo próprio de luz ou de sombra, de vitória ou de derrota, de infortúnio ou de felicidade (XAVIER, 1960).

Concluindo, não podemos reclamar dos efeitos indesejáveis que nos cercam, sejam de ordem material ou pessoas. Busquemos entender em nosso íntimo que causa nos levou em direção a eles. Se a resposta não estiver nesta encarnação, poderá ser em decorrência de nossos atos infelizes realizados no passado os quais requerem o necessário resgate.

Muitas vezes, a solução está na mudança de nosso padrão mental, na nossa mudança de sintonia, deixando de criamos formas pensamentos baseada no orgulho, na vaidade, na raiva e no egoísmo para emanarmos simplesmente o amor e a caridade.

Vibrando assim certamente estaremos rodeados de boas companhias.

Márcio Martins da Silva Costa

Referência:
XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 1960.

Nota do Editor:
Texto publicado na Revista Digital “Candeia Espírita” (USE-SJC/SP), nº 29, de fevereiro de 2024.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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