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Fé e desafio metodológico

fevereiro 11, 2024

A autoridade da Doutrina Espírita é sustentada pelo método utilizado para a validação de informações decorrentes do intercâmbio mediúnico, o qual Allan Kardec denominou de Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE). Nesse sentido, crê-se em algo porque há elementos lógicos para se legitimar o conteúdo de comunicações cujo teor é o mesmo recebido por diferentes fontes. Tal postura é caracterizada pela fé raciocinada, a qual é considerada um dos pilares do Espiritismo.

Por outro lado, a fé cega refere-se à aceitação inquestionável e sem evidências racionais ou lógicas de determinadas crenças ou dogmas. É caracterizada pela confiança absoluta em algo, muitas vezes de natureza espiritual, sem a necessidade de evidências concretas, experiências pessoais ou raciocínio crítico. É típica de religiões tradicionais.

No Movimento Espírita, o qual reúne adeptos com diferentes níveis de compreensão doutrinária, não é incomum ouvir alguém atestando desconhecer todas as obras de Kardec e usa como referência os livros romanceados e supostamente mediúnicos que teve a oportunidade de conhecer.

Um dos principais motivos que fomentam interpretações diferenciadas sobre o corpo teórico espírita (que é único) é, justamente, o afastamento da aplicação de um método lógico para a aceitação de informações sobre a realidade espiritual e a aproximação, por parte dos adeptos, da fé cega.

Ao não estudar adequadamente as obras de Kardec e, essencialmente, o método para a validação de informações mediúnicas, o adepto corre o risco de reproduzir comportamentos sincréticos em um ambiente culturalmente marcado pela influência de organizações religiosas que estruturaram-se sobre a crença acrítica com características místicas.

Em decorrência da fé cega, argumentos falaciosos são usados no discurso de alguns adeptos que expressam incoerências doutrinárias.

Um desses argumentos é o de “autoridade”, quando supõe-se que algo seja verdadeiro simplesmente porque foi dito por determinado médium, Espírito desencarnado, palestrante, dirigente etc. A fé raciocinada direciona a análise da validade do argumento, independentemente de quem seja o responsável pelo conteúdo.

Informações de fonte única devem tratadas, no máximo, como hipótese se não houver elementos objetivos para a devida comprovação.

Muitas afirmações presentes na literatura mediúnica podem ser curiosas e interessantes, mas devem ser avaliadas conforme as referências doutrinárias que foram validadas pelo CUEE.

A promoção do pensamento crítico é essencial para um entendimento mais profundo e coerente da realidade, voltando-se para uma análise mais completa das informações disponíveis e uma tomada de decisão mais consciente.

Atualmente, o CUEE não é de simples aplicação, uma vez que as condições de organização e análise das comunicações mediúnicas produzidas por diferentes fontes que não se influenciem mutuamente não ocorrem de maneira centralizada, tal qual Kardec desenvolvia. Assim, um desafio doutrinário significativo é descobrir um método que possa validar as informações mediúnicas de diferentes fontes capazes de fazer com que o conhecimento espírita se amplie sobre bases sólidas e não sobre argumentos de autoridade.

Marco Milani

Marco Milani
Marco Milani

Marco Milani, atualmente, está Diretor de Doutrina da USE/SP, Presidente da USE Regional de Campinas e um dos Coordenadores da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, além de Palestrante e Articulista de diversos veículos de comunicação Espírita.

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