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Arrependimento e Reparação

março 7, 2024

Para muitos espíritas, existe uma dúvida que permanece por décadas: quando e como iremos reparar as faltas que cometemos em outras vidas e até mesmo nesta atual existência? A leitura das obras básicas, complementada por outras obras, ajuda a ter uma ideia de que todo processo de reparação implica em um amadurecimento por parte do espírito. Apenas em alguns casos, devido ao endurecimento ou cristalização das mágoas, ocorrem intervenções para reencarnações compulsórias.

Levando em conta as leis de ação e reação, somos atraídos e atraímos pessoas que vibram no mesmo padrão espiritual que o nosso. Dessa forma as atitudes equivocadas que nos levaram a contrair débitos no passado, podem, pela lei da reparação, nos realocar em um contexto social, onde passaremos pelas situações desconfortáveis que levamos outras pessoas a passarem. Da mesma forma que contraímos débitos com os semelhantes, corrigiremos esses débitos em outros momentos. Não necessariamente com as mesmas pessoas, até porque a vida segue seu curso. Porém em situações muito semelhantes, onde viveremos um sofrimento parecido que um dia infligimos a alguém.

Porém, Deus observa também a intenção e não apenas a ação, pois existe uma reciprocidade entre as pessoas. À medida que o espírito evolui moralmente sente a necessidade de corrigir os erros cometidos diante da sua própria consciência e procura de uma maneira diversificada ter atitudes proativas em favor do bem, do exercício da caridade e da prática do amor ao próximo como uma forma de saldar uma dívida para com ele mesmo.

A providência divina procura auxiliar de diversas formas o espírito empedernido, a perceber ou sentir a necessidade de uma transformação, pois existe algo errado que precisa ser corrigido e tratado. Essa tomada de consciência é individual, exigindo um tempo de amadurecimento, relativamente proporcional ao nível evolutivo que o espírito se encontra.

Várias obras secundárias, apresentam histórias com um traço de semelhança, onde em uma nova reencarnação para ter sucesso, depende de uma mudança de postura. É necessário que ele deseje melhorar, reconhecer que errou, de forma ingênua ou proposital, mas errou. Com essa tomada de consciência, pode ocorrer remorso e ele viverá uma expiação relativamente proporcional ao seu grau evolutivo quando cometeu os equívocos. O processo de reparação implica no exercício da humildade e prática de amor ao semelhante.

Deus ajuda o encarnado a saldar seus compromissos de outras existências, por intermédio do próprio encarnado, principalmente através do exercício da caridade moral e material. Faltas cometidas em diferentes encarnações, não são resolvidas ao mesmo tempo. Todo esse processo pode se repetir, até que o indivíduo vá aparando as arestas que precisam ser acertadas.

O nosso acerto de contas com nossa consciência é muito particular, o que aplica a um, nem sempre serve para outro, mas pode ser utilizado como parâmetro, para estarmos em paz com nós mesmos, pois essa quitação pode durar várias encarnações. Dentro de uma visão holística, poderíamos dizer que o processo de arrependimento das faltas cometidas em outras vidas gera desconforto no nosso inconsciente, sendo diagnosticado muitas vezes como culpa, podendo até acarretar uma depressão.

 No Livro dos Espíritos (1), na pergunta 998 encontraremos:

“A expiação se cumpre durante a existência corporal, mediante as provas a que o Espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferioridade do Espírito”

Em outras palavras, inicialmente o indivíduo deverá se arrepender do ato cometido na condição de espírito imortal, fato que pode acontecer na condição de vigília ou na erraticidade entre uma encarnação e outra. Depois, sob a lei da ação e reação, expiar o equívoco cometido, aqui no mundo físico, porém, cada caso é uma situação diferente, devido às variantes que envolvem a história de vida de todos nós. Deus leva em conta a verdadeira intenção de cada um, quando uma nova encarnação é programada.

Já no livro O Céu e o Inferno (2), encontraremos uma relação de trinta e três recomendações que se forem seguidas, poderão auxiliar no processo de reparação das faltas cometidas. Segundo orientação do Espírito da Verdade, torna-se possível remediar o ato imprudente, através de atitudes acertadas em uma nova encarnação, como por exemplo:

4ª) “Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu seio à medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras”.

O processo de reparação corresponde à última etapa, pois não basta apenas se arrepender e sofrer pelo arrependimento. Precisamos, uma vez remidos do erro do passado, praticarmos o bem em favor de todos que nos cercam. Ajudando sempre que possível àqueles que cruzam o nosso caminho.

Eder Andrade

Referências:
1) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; 4ª parte; Cap. II – Expiação e Arrependimento; FEB;
2) Kardec, Allan; O Céu e o Inferno; 1ª parte; Cap. VII – Código penal da vida futura; FEB; e
3) Wikipédia (A Enciclopédia Livre).

Nota do autor:
 Artigo publicado pela Revista o Caminho do Centro Espírita Allan Kardec (C.E.A.K.) do R.J. em fevereiro de 2024.

Eder Andrade
Eder Andrade

Professor de História e Sociologia, frequentador do Centro Espírita Consolador, no Rio de Janeiro, RJ.

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