
Calamidade vibratória
O sacrifício mais significativo é o que o homem faça do seu próprio ressentimento
“Concilia-te depressa com o teu adversário,
enquanto estás no caminho com ele…”
– Jesus. (Mt., 5:25)
A criatura que já se deixou permear pelas luzes espirituais do Evangelho do Cristo, jamais poderá flagrar-se acoroçoando as inconvenientes vibrações da aversão.
Segundo André Luiz, a aversão é calamidade vibratória. Uma vez impregnada por esse sentimento malsão, a Alma transforma-se em sítio de água estagnada, apodrecida, lançando venenos e miasmas pestilenciais ao seu derredor.
De fato, a convivência cotidiana, na vida de relação, torna-se, não raro, um campo minado no qual devemos transitar sob a proteção da vigilância e da oração, a fim de que nossos pés não acionem “explosivos” ocultos, acarretando largos prejuízos à nossa economia espiritual e social.
Em várias ocasiões Jesus ensinou e exemplificou qual deve ser o “modus-vivendi” de Seus seguidores.
Hoje, o Espiritismo lançando ainda mais luzes no Evangelho do Meigo Rabi, realça o verdadeiro sentido de Suas palavras, mostrando-nos, sem subterfúgios, de forma inequívoca, as consequências danosas da não observância dos postulados alí exarados.
“Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa oferenda junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la.” (Mt., 5:23 e 24)
Na sequência dos versículos aqui assinalados, Jesus realça a necessidade de nos harmonizarmos primeiro – e rapidamente – com as criaturas que, por um ou outro motivo, na vida de relação, se atritaram conosco.
Segundo Allan Kardec, quando Jesus diz[1]: “ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda no altar“, Ele ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o que o homem faça do seu próprio ressentimento; que antes de apresentar-se para ser por Ele perdoado, precisa o homem haver perdoado e reparado o agravo que tenha feito a algum de seus irmãos. Só então a sua oferenda será bem aceita, porque virá de um coração expungido de todo e qualquer pensamento mau.
(…) Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando apaziguar as discórdias no curso da nossa atual existência; é, principalmente, para que elas se não perpetuem nas existências futuras. “Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a justiça de Deus”.
Vemos, assim, quão importante é (não só para as relações interpessoais, mas, também, para que nos harmonizemos com a Legislação Divina) o posicionamento verdadeiramente cristão que inclui, entre outras coisas: a vigilância, a oração, a brandura, a ajuda espontânea para o bem, enfim, a expansão do amor em todas as direções…
Semear alegria, fugir da impaciência, guardar confiança, não criticar, não se escandalizar, não cultivar desafetos, tais são as atitudes vazadas no Evangelho para que a calamidade vibratória da aversão não se aninhe em nossos corações e onde serão lançadas as raízes para que a força do amor plenifique nossas vidas, sob as bênçãos de Jesus.
Certa feita, judiciosamente, afirmou Joanna de Ângelis: “aversão espalhada pressagia antipatia futura”.
Rogério Coelho
Referência:
[1] – KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104.ed.FEB, cap. X, itens 6 e 8.
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