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Mais uma vez, o paraíso perdido

maio 26, 2024

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, quando Santo Agostinho

aborda o tema Progressão dos Mundos (1), é dito que:

Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente.

Sendo assim, conclui-se que a nossa Mãe Terra também vem avançando na escala dos mundos, para nós, imperceptivelmente, contudo, progride sempre, atendendo ao chamado das imutáveis leis físicas do Criador, que, tanto nos regem, quanto regulam o princípio material, conforme o mesmo autor ainda assim registrou (1):

Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário.

De fato, Santo Agostinho confirma o que Allan Kardec contemplou em O Livro dos Espíritos (2) e, oportuno ponderar que existe a possibilidade de ter sido o próprio Santo Agostinho quem respondeu à pergunta do Codificador na publicação de 1861, considerando que esse sábio Espírito superior é o segundo da lista, em Prolegômenos, daqueles que colaboraram na confecção da primeira obra fundamental da Codificação:

O estado físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em cada globo?

Não; os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram, como o vosso, por um estado inferior e a própria Terra sofrerá transformação semelhante. Tornar-se-á um paraíso terrestre, quando os homens se houverem tornado bons.

Mais tarde, o Mestre de Lyon ratificaria esta lei divina, mais uma vez, ao registrar o mesmo princípio, agora em A Gênese (3):

Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso. Ele progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam.

Sendo assim, atendendo a este inevitável chamado, o nosso planeta alcançou, após bilhões de anos, a condição para migrar de escala, e, desejoso de se colocar na ordem dos orbes de regeneração, promove as mudanças necessárias para tanto, tudo sob a supervisão do seu Governador – Jesus, o Cristo de Deus.

É de se observar que os Espíritos que por aqui permanecerão reencarnando regularmente, herdeiros da Terra – os mansos -, conforme profetizou Jesus (4), já estão sendo assinalados, há bom tempo, bem como todos aqueles ainda ávidos em continuar a ferir com a espada. Os últimos serão daqui conduzidos para outra casa do Pai, pois há muitas moradas no Universo, contudo, adequada ao nível rudimentar de entendimento e vivência dos princípios divinos que lhes caracteriza, moral e eticamente.

Nenhuma ovelha do Pai se perderá, disso tenhamos a certeza!

Entretanto, essas ovelhas integrantes do rebanho divino, apartadas provisoriamente do todo, ao aportar nas novas terras, talvez estranhem os costumes, os hábitos, a rudeza do trato entre os habitantes dessa nova escola, pois, certamente, esse mundo novo estará classificado em escala inferior à Terra, talvez um mundo primitivo, mais provável, outra casa de provas e expiações.

Diante de tal quadro, ficarão pensativos, ensimesmados, notando que algo está estranho nessa nova moradia celeste. No inconsciente de cada um, talvez soe uma espécie de aviso íntimo, alertando-os de que foram retirados de uma moradia melhor.

Nessa hora, saudosos da Terra, intimamente desajustados, tal qual os habitantes de Capela, quando aqui chegaram, poderão criar e disseminar de novo a tese do Paraíso Perdido, conforme narra Emmanuel (5):

As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado das reminiscências.

As tradições do paraíso perdido passaram de gerações a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia.

A tese do Paraíso Perdido ressurgirá naturalmente, pois esses antigos Espíritos, nesse novo mundo, rapidamente sentirão que perderam algo valioso. Também, no íntimo, perceberão que, se promoverem mudanças em seus costumes e hábitos, na forma de pensar, aprimorando suas qualidades morais, poderão voltar ao mundo de origem, que continua a progredir e que certamente os receberá de braços abertos.

É interessante observar que a ideia do Paraíso Perdido poderá atingir alguns Espíritos pela segunda vez, considerando que, conforme narra Emmanuel, a grande massa de Espíritos de Capela já retornou ao planeta de origem, contudo, alguns ainda permanecem na Terra. Caso sejam retirados outra vez, por conta de continuadas condutas refratárias ao bem, poderão experimentar um segundo degredo. (6)

A propósito, é bem possível que, repetindo a conduta dos capelinos, proponham também, novamente, o conceito do Pecado Original.

Observe-se da mesma forma que, paralelamente a esse encaminhamento de Espíritos para outro planeta, incontáveis entidades de outros orbes estão sendo convidadas a auxiliar, neste processo de Regeneração, trazendo padrões éticos avançados, de modo a ajudar as ovelhas herdeiras da Terra a avançarem mais rápido, todas juntas, apressando o passo rumo a novos patamares evolutivos.

Embora os sinais dos tempos estejam presentes em nossa civilização, há bom tempo, destacados particularmente nas obras da Codificação Espírita, os seguidores da novel Doutrina parecem não perceber a gravidade do momento, pois muitos continuam com suas condutas desalinhadas, insistindo em agir e pensar fora dos trilhos divinos, desperdiçando o tempo com práticas e estudos que não encontram ressonância nos padrões doutrinários. São: Os últimos chamados, os trabalhadores da última hora!

A Doutrina dos Espíritos deve ser muito bem guardada em nossos corações e mentes, sob pena de nos vermos – quando o convite para ultrapassar a aduana da morte finalmente nos chegar, rumando uma vez mais para a vida verdadeira -, surpreendidos, atônitos, com a notícia de que a reencarnação passada foi a última nas cercanias da Terra.

Do espírita se espera: trabalho constante – vigilância – oração.

Sem observar esta simples receita, mas de tão difícil prática em nosso dia a dia, corremos o risco de nascer novamente, pois a lei é das reencarnações sucessivas, em terras estranhas, de onde suspiraremos, ansiosos por voltar ao ninho de arminho perdido, ao convívio fraterno com os nossos irmãos de coração que, permanecendo por aqui, seguirão com a nau Terra, viajando agora em mares mais calmos rumo ao Pai.

E mais, hoje há espíritas que já foram seguidores da Doutrina no passado, e, talvez agora, estejam nas fileiras kardecianas pela terceira vez, até mesmo pela quarta vez. Basta fazer um exercício matemático considerando períodos de existências desde o lançamento, em 1857, de O Livro dos Espíritos, para se convencer desta possibilidade. Contudo, ainda permanecem inseguros, indecisos em tomar da charrua e não olhar mais para trás. Esses são candidatos naturais ao degredo provisório, pois atravessam a derradeira chamada.

À parte os espíritas anteriormente mencionados, há imensas massas que insistem em viver segundo princípios materialistas, permitindo que o egoísmo e o orgulho conduzam suas atitudes e comportamentos nas sociedades em que convivem.

Adicionalmente, há multidões de cristãos sem Cristo que perambulam pela Terra, sem a menor preocupação em atender aos nobres chamamentos de suas particulares Igrejas e Templos, convidando-os, regularmente, a viver em plenitude segundo os exemplos do Rabi, a quem veneram, mais de boca, do que de coração.

Nem se dão sequer ao trabalho de observar o Antigo Testamento que há milênios já assinalava (7):

E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela.

O expurgo iniciou, há décadas. A Espiritualidade nos dá notícias, desde meados do século passado, de que muitos desencarnam e não mais retornam; não conseguem o bilhete de volta… Para seus lugares foram e são destinados novos Espíritos de outros orbes, nem todos, ao que entendemos, exilados propriamente ditos, mas muitos missionários, abnegados trabalhadores que compreenderam o chamamento do Cristo. Todos desejosos de nos ajudar, neste processo regenerativo, reencarnando em massa para que saiamos em definitivo deste ciclo de repetição de provas e, aparentemente, infindáveis expiações. (8)

E nós, os que habitamos mais uma vez a Terra, nesta fase aguda que o planeta atravessa? Por que ainda continuamos vacilantes, indolentes, receosos, a despeito de recebermos as mais elucidativas explicações e orientações sobre o funcionamento das Leis de Deus?

Estaria o chamamento de Jesus acima de nossas forças? Precisamos de algo mais? Bons livros os temos aos milhares, exemplos também são inúmeros, provindos dos incansáveis batalhadores que nos antecederam e de alguns que conosco ainda partilham a jornada. Muitos deles ofereceram literalmente as suas próprias vidas: foram martirizados, torturados, humilhados, escravizados. Perderam a saúde, os bens materiais, todavia, não descansaram, trocaram as alegrias proporcionadas por uma família para viverem solitários, às vezes, reclusos do convívio social, para abraçar a família maior, representada pela Humanidade inteira, enfrentando com muita nobreza as dificuldades da vida mundana e daqui se retirando como vencedores deles mesmos!

Dispomos do Evangelho de Jesus e da rica literatura espírita, faróis reluzentes a nortear as nossas ações, neste oceano turbulento que caracteriza o século XXI; igualmente, conhecemos as vidas dos mártires e abnegados servidores do Cristo, testemunhos inolvidáveis em todos os tempos, para nos incentivar e inspirar! De que mais precisamos?

Rogério Miguez

Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2013. cap. III, item 19.
(2) O Livro dos Espíritos: 3ª ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Rio de Janeiro: FEB, 2007. pt. 2, cap. IV, q. 185.
(3) A Gênese. Brasília: FEB, 2002. cap. XVIII, item 2.
(4) BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 5, vers. 5.
(5) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2016. cap. III, item Quatro grandes povos.
(6) cit. cap. III, item Origem das raças brancas.
(7) BÍBLIA, A. T. Zacarias. Português. O antigo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 13, vers. 8.
(8) FRANCO, Divaldo Pereira. Transição Planetária. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Salvador: LEAL, 2010. cap. 2.

Nota do Editor:
Publicado orginalmente no Jornal Mundo Espírita, FEP, maio de 2022.

Rogério Miguez
Rogério Miguez

Trabalhador da Doutrina Espírita desde a Mocidade, tendo atuado no estado de Rio de Janeiro em algumas Casas e, atualmente, em São José dos Campos/SP nos Centros Amor e Caridade, Jacob e Divino Mestre. Colabora em Cursos, Exposições, Atendimento Fraterno e Passes, sendo articulista dos periódicos Reformador e Revista Internacional de Espiritismo.

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