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Valores mumificados

maio 27, 2024

O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante

                                                               “Não ajunteis tesouros na Terra…”
– Jesus (Mt., 6:19)

Quando um ano se acaba e outro se inicia costumamos fazer um balanço moral de nossas conquistas e também de nossas frustrações, mas o ideal é fazer esse levantamento todos os dias, conforme aconselha Santo Agostinho, na questão número 919-a de “O Livro dos Espíritos”.

Paralelamente a esse balanço moral, é bom também fazermos uma “limpeza geral” em nossos pertences, verificando se não estamos entulhando as gavetas com objetos perfeitamente dispensáveis.

Inúmeros lares são convertidos em verdadeiros museus de quinquilharias!   Incapazes de pensar na carência alheia, as criaturas não percebem que possuem o  excesso  inútil que pode ser utilizado por outrem.

Apegando-se a apetrechos de variadas finalidades, armazenam, sem aplicação, no recesso da moradia, atulhando gavetas, armários e espaços que poderiam ser arejados pelo sopro da caridade.

Reparemos as águas mortas do charco estagnado: é assim a casa de quem se recusa a fazer circular o bem desnecessário.

André Luiz[1] faz um rol de coisas-utensílios que traduzem valores mumificados  em  nossa ambiência  doméstica.  Examinemo-lo com o Benfeitor Amigo  que solicita se “(…) retire  da  despensa os  gêneros alimentícios, que descansam  esquecidos,  para  a  distribuição fraterna aos companheiros de estômago atormentado; reviste o guarda-roupa, libertando os cabides das vestes que você não usa, conduzindo-as aos viajores  desnudos da estrada; estenda os pares de sapatos, que lhe  sobram, aos pés descalços que transitam em derredor; elimine  do mobiliário as  peças  excedentes, aumentando a alegria das habitações menos felizes;  revolva  os guardados em gavetas, dando aplicação aos objetos parados de seu uso pessoal; transforme  em  patrimônio alheio  os  livros empoeirados  que você não consulta, endereçando-os ao leitor  sem recursos; examine  a bolsa, dando um pouco mais que os simples  compromissos da fraternidade, mostrando  gratidão  pelos acréscimos da Divina Misericórdia que você recebe;  ofereça  ao  irmão comum alguma  relíquia  ou lembrança  afetiva  de  parentes  e  amigos,  ora  na  Pátria Espiritual, enviando aos que partiram maior contentamento com tal gesto.  O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante.

Ajude a casa de assistência coletiva; divulgue o livro nobre; medique os enfermos; aplaque a fome alheia; enxugue lágrimas; socorra feridas…

Quando buscamos a intimidade do Senhor, os valores mumificados em nossas mãos ressurgem nas mãos dos outros, em exaltação de amor e luz para todas as criaturas de Deus”.

Rogério Coelho

Referências:
[1] – XAVIER, F. Candido. O Espírito de Verdade. 3.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 1977, cap. 2, páginas 17-18.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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