
A Nova Geração: O que nos cabe fazer?
De todas as associações existentes na Terra a família é a mais importante na sua função educadora e regenerativa. (1)
No ano de 1868 nascia a obra A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, um livro espírita francês, cujo autor é Allan Kardec, publicado em Paris em 6 de janeiro. É uma das obras básicas do espiritismo. Uma obra que a seu tempo trouxe uma série de reflexões e esperanças de um novo porvir. O codificador da Doutrina dos Espíritos lançava a luz sobre como a humanidade tinha realizado, até então, incontestáveis progressos em todas as áreas da sociedade. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Segundo os apontamentos do codificador restava-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurassem o bem-estar moral. Kardec ainda acrescentava “já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho”.
A esperança de transformar os espíritos encarnados no orbe terrestre era tamanha que as notas do codificador vislumbravam um grande momento de renovação dos costumes, renovação essa que faria os espíritos entenderem que os novos tempos anunciados seriam bem mais auspiciosos. O progresso moral era uma certeza! Esta geração possuída de novas ideias era aguardada e uma nova ordem de coisas tenderia a estabelecer-se, com ideias e sentimentos muito diversos dos da geração de outrora. Sabe-se que a transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente, se pode operar. Entretanto, passados dezenas de anos nota-se que a instituição família pouco se familiarizou com os apontamentos do codificador, segundo o livro A Gênese. Fato notório e escancarado é que as gerações passadas ainda não compreenderam que existe um trabalho hercúleo para se iniciar com os espíritos reencarnantes, para que esses novos tempos sejam sentidos, vividos e consolidados.
O benfeitor espiritual Emanuel afirma que de todas as associações existentes na Terra a família é a mais importante na sua função educadora e regenerativa, assim sendo os pais deveriam compreender que trazem uma grande missão, a de educar esses espíritos conforme nos indica a resposta da questão de número 582 de O Livro dos Espíritos “É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho(…)
Vivemos um período educacional muito difuso. Pais mal preparados para educar e educadores tendo que abraçar uma missão que não é a sua.
Estabelecer os critérios para uma boa formação moral, social e psicológica seria um bom início para toda a sociedade. A Família precisar se apossar de suas incumbências e as instituições educacionais precisam estar preparadas para o desafio da educação do espírito. Grandes transformações estão anunciadas na codificação de Kardec, porém sem a ciência e aderência das responsabilidades paternais continuaremos a nos perguntar: onde foi que erramos?
O conceito de família na contemporaneidade é bastante flexível, diverso e elástico. Entretanto o conceito básico para formação da família continua sendo o amor, a responsabilidade e o compromisso de educar. As mudanças culturais, sociais e estruturais não devem conter fendas onde o descontrole e a falta de vinculação afetiva cedam espaço para o caos e o abandono. Nossos filhos, antes de tudo, são filhos de Deus, somos apenas tutores responsáveis que deveremos apresentar os resultados da nossa boa atuação na grande obra divina da regeneração. Como diria o poeta Khalil Gibran: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem”, pertencem a Deus e nesse sentido somos apenas missionários do lar. O que nos cabe fazer?
Jane Maiolo
Referências:
(1) Vida e Sexo – cap. 2, Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier;
(2) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Questão 582; e
(3) A Gênese, Allan Kardec.
Veja também
Ver mais
Qual Ano Novo?

Quando o debate é útil?

