
A Literatura Espírita e a Defesa da Vida
Desde o lançamento de O Livro dos Espíritos, em 1857, dando início ao Espiritismo, um marco histórico e profundo para a caminhada progressiva da humanidade, rumo à perfeição, temos assistido um crescimento vertiginoso da literatura Espírita, contando-se hoje, em língua portuguesa, milhares de obras disponíveis, sejam mediúnicas ou não, o que demonstra a grandeza da Doutrina Espírita, que toca em todos os ramos do conhecimento humano, como destaca Allan Kardec, abrindo para o homem as informações sobre a imortalidade da alma, a presença universal de Deus, a comunicabilidade entre o mundo espiritual e o mundo físico, e a lei de evolução através da reencarnação.
Um destaque a fazer na literatura Espírita, e muito importante, é sua dedicação em defender o direito à vida, isso desde as obras da codificação Espírita, ou seja, as obras de Allan Kardec, pois o Espiritismo proclama ser a vida pertencente a Deus, único que dela pode dispor, e que a reencarnação é uma bênção, dádiva divina aos seus filhos, sendo, portanto, um crime atentarmos contra o direito que cada ser possui de viver. Nesse sentido, e em boa hora, o movimento Espírita brasileiro lançou de algum tempo a Campanha Em Defesa da Vida, com o objetivo de esclarecer as mentes e corações sobre nossas graves responsabilidades perante a lei divina quanto às questões do aborto, da eutanásia, da pena de morte, do suicídio e da preservação do meio ambiente.
Não apenas artigos, cartazes, folders e livretos têm sido produzidos e distribuídos, há também intensa utilização das mídias de comunicação de massa, quais sejam o rádio, a televisão e a internet, assim como vários autores têm dedicado seu esforço literário para lançar livros esclarecedores sobre essas temáticas, num apelo à razão e ao sentimento, para que a humanidade tenha um salto de qualidade no entendimento sobre a vida no prisma da imortalidade da alma e da continuidade do existir após a morte.
Os benfeitores espirituais há muito nos conclamam para o entendimento profundo do existir, lembrando-nos que estar vivo é preciosa oportunidade de realizar aprendizados, crescer espiritualmente, reparar erros cometidos em vidas passadas, acelerar nosso processo de moralização, enfim, aprendermos a nos amar. Informam que a reencarnação é instrumento pedagógico divino objetivando nos proporcionar oportunidades e tempo para o encontro conosco mesmo, com o próximo e com Deus, assim permitindo que consigamos dar mais alguns passos à frente na senda da evolução.
Sim, é muito bom estar vivo, e disso temos que ser muito gratos a Deus e àqueles que nos receberam pelos sagrados laços da união conjugal, não fechando a porta do renascimento, pelo contrário, recebendo-nos no seio familiar com carinho e ternura. E mesmo que esse não seja nosso quadro existencial, quando temos sobre nossos ombros dificuldades e provações de toda ordem, o Espiritismo nos faz reconhecer que o acaso não existe e nada do que nos acontece é injusto, pois a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Ora, se viver é uma bênção, e a vida pertence a Deus, quem somos nós para decidir sobre a nossa própria vida e a vida do outro?
Aborto, eutanásia, suicídio e pena de morte são verdadeiros crimes, pois interrompem a vida e caracterizam nosso pouco progresso espiritual, deixando que interesses do egoísmo, do orgulho e da vaidade se sobreponham ao interesse divino. São atos dos quais temos de responder perante a lei divina, tendo que assumir todas as consequências, tanto individualmente quanto coletivamente. O mesmo sucede com a questão da preservação do meio ambiente, pois a casa planetária é um empréstimo divino do qual temos de dar contas do seu uso.
Lembremos que a vida continua depois da morte, e que a reencarnação fará com que estejamos de volta ao cenário terrestre, queiramos ou não. Nossa consciência apontará o que fizemos com a vida e determinará as expiações e provas pelas quais teremos de passar para reparação dos males cometidos. Então, diante disso, por que aguardar sofrimentos futuros, se hoje, com a esclarecedora Doutrina Espírita, podemos eleger o viver em plenitude, para nós e para os outros?
Deixamos ao leitor o convite para ler, estudar e meditar a literatura Espírita em defesa da vida, para que, em todas as circunstâncias, coloquemos o amor a benefício nosso e dos outros, confiando na solicitude e na misericórdia divina, que nunca nos desampara. E, se houver alguma dúvida sobre o que fazer, recordemos Jesus, o Mestre dos mestres, e perguntemos: o que Ele faria no meu lugar? Certamente, em compreendendo os desígnios divinos, sempre justos, Ele teria resignação, fé e coragem para sempre viver e permitir que a vida nos abençoe com novas e abençoadas oportunidades de aprender e servir no amor.
Marcus de Mario
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
<http://www.webmastergrade.com/top-15-cute-babies-wallpaper/>. Acesso em: 12DEZ2015.
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