
Espírita, seja no mundo
O Espiritismo deve ser prática e conhecimento que extrapola o ambiente do Centro Espírita. É-se espírita (além daquilo que crê e conhece) quando a conduta habitual, em todos os momentos e lugares, é de quem compreende os motivos e objetivos da encarnação. Frise-se (e recorde-se, a alguns) que o espírita é cristão e não é possível sê-lo só quando convém ou em situações específicas.
Isso leva a ponderar o motivo para tantos espíritas se ressabiarem em momentos de tal importância como os da atualidade, quando pensar e falar em política, “direita ou esquerda”, em moral, ética e honestidade se tornou algo tão necessário.
Nesse sentido há quem simplesmente opte por não tocar no assunto, sob o argumento de não querer angariar antipatias; o silêncio parece ser-lhe a saída mais simples – será que se perguntará um dia se não optou pela omissão e se não colherá seus frutos?
Nessa mesma postura adentram alguns que acreditam que não se mistura fé com política, bem como aqueles que interpretam que cada um tem direito ao posicionamento político que preferir, por isso não se deve discutir o assunto, entendimento ingênuo que não considera que evoluímos na troca de conteúdos, conceitos, pontos de vista e interpretações (não é mais sábio o que aprende com o erro alheio do que com o seu?).
Por outro lado, há quem fale do assunto, opine, mas o faça como fosse descrente, dicotomizando seus conceitos espirituais e materiais, expressando-se em termos grosseiros, de forma sarcástica, em tom agressivo, e desconsiderando que a Terra é barco com leme e piloto que não navega ao léu.
Todavia, claro, há os que percebem que a vida é um todo inseparável onde tudo está interligado, tudo tem consequência e tudo exige posicionamento e decisão – quem não está decidindo e realizando, decidiu nada fazer e também colherá o que semeou.
Obviamente é possível perceber que o posicionamento político não pode ser imposto, como a fé também não. Mas não cometa, os espíritas, o pior erro de todos, o da omissão, sejam no mundo, ajam no mundo. Infelizmente, a tendência do homem ainda é a inércia, após acostumar-se com uma situação, não raro exime-se de lutar para mudar o estado das coisas, entendendo como “normal” e que “não tem jeito” aquilo que um dia o machucou, mas hoje faz parte da sua vida.
Sem imposições e agressões, que os espíritas não se calem se tiverem que falar, a inação e o comodismo não podem ser confundidos com o silêncio virtuoso.
Que os espíritas não se envergonhem de ter convicções, desde que sejam honestas e não egoístas. Não se omitam. O Espiritismo é fé consciente que dimensiona o papel de cada um no mundo; seja menor ou maior, há valor em todos os atos, tudo que o espírita faz precisa estar impregnado de decisão, atitude, conhecimento, amor e fé. Precisa de ação.
Vania Mugnato de Vasconcelos
Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://www.editoracontexto.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/02/kit-com-pessoas-colorido-falando.jpg>. Acesso em 12JUL2016.
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