
Justiça infalível
Quem deseja a felicidade verdadeira há de improvisar a felicidade dos outros
“Não há folha de árvore que se mova sem a vontade de Deus”.
Segundo as lúcidas explicações de Amália Domingo Soler, “(…) o mal nunca é necessário porque o mal não é lei da vida; a lei eterna é o Bem e, para que um ser morra não é indispensável que haja assassinos. O homem morre por si só quando tem necessidade de morrer e, quanto tiver que se salvar, ainda que só se encontre em meio dos maiores perigos, salva-se – milagrosamente – como dizem alguns, – providencialmente – como dizem outros, – casualmente – como creem os demais; e entendais que não há milagres, nem providência, nem casualidade; o que tem havido, há e haverá, eternamente, é Justiça: Justiça Infalível”.
Assim, o bem e o mal, a felicidade e a infelicidade, falam do livre-arbítrio de cada um. É da justiça que receba cada um de acordo com as suas obras. Assim, não tem o homem que lamentar-se ou rejubilar-se senão de suas próprias criações…
Vejamos o que, segundo entende Soler, é a vontade de Deus: “a Divina Vontade não é o que, entre os homens, se chama “vontade”, cujos atos são querer e não querer, a potência de admitir ou recusar alguma coisa, e se Deus quisesse ou não quisesse, seria fazê-lO suscetível de encontrados sentimentos, haveria luta em Suas ideias, e em Deus somente pode haver imutabilidade, infalibilidade, suprema perfeição; Sua vontade é a lei da gravidade, que regulariza o movimento dos seres e das coisas; é a força centrífuga e centrípeta, é o efeito respondendo à causa, é a lógica, é a justiça, é dar a cada um segundo as suas obras.
Deus fez as leis imutáveis e eternas, e estas funcionam na Criação sem mudança alguma; para todas as estações há suas flores e seus frutos, suas chuvas e seus ventos, seus dias de sol e suas noites de bonança; para todas as espécies, seus idílios de amor.
(…) Tudo ama, tudo se relaciona com a vida; não há feito isolado, nem criatura solitária e sim solidária: tudo forma família; o crime cria sua atmosfera asfixiante; a virtude, seu semblante puríssimo. Deus “não quer” que o homem sucumba ao peso de seu infortúnio. O homem cai, desce e morre, em meio de agudíssimas dores, em cumprimento estrito da lei; que aquele que se rejubila com a dor alheia, não tem direito de ser feliz; a felicidade não se usurpa; a felicidade se obtém por direito divino, quando são cumpridos todos os deveres humanos”.
Afirma Emmanuel: “enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar da felicidade isolada para nós mesmos”.
E completa o Dr. Bezerra de Menezes: “quem deseja a felicidade verdadeira há de improvisar a felicidade dos outros”.
Se conforme disse o Meigo Condutor de nossas almas (1): “a cada um será dado de acordo com as próprias obras”, façamos por onde a Justiça Infalível (pelos mecanismos da Lei de Causa e Efeito), se exerça a nosso favor, empenhando-nos perseverantemente no bem, na sublime construção do Reino de Deus na Terra.
A Eterna Justiça conhece-nos a todos de perto, e cada um recebe exatamente o que tem feito por merecer. Assim, não lancemos anátema a ninguém e a coisa alguma, nem revelemos os alheios defeitos para acobertar as próprias faltas.
Sigamos, em espírito e verdade a meiga conclamação de Jesus, o Mestre por excelência:“amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, pois assim fazendo, não teremos do que nos lamentar ou arrepender, e só júbilos colheremos…
Rogério Coelho
Referência:
(1) Mt., 16:27.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em: <https://conceitos.com/justica/>Acesso em: 07SET2020.
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