
Mais entusiasmo do que reflexão
Conhece-se a árvore pelo fruto
“(…) Levantar-se-ão muitos falsos
profetas que seduzirão a muitos.”
- Jesus. (Mc., 13:5 a 31.)
Inúmeras pessoas – crédulas e irrefletidas – aglomeram-se em torno de doutrinas esdrúxulas que prometem privilégios, facilidades, fartura, mundos e fundos, mas que na verdade, estão simplesmente fazendo uma “sangria” argentária nos incautos que repletam os cofres dos falsos profetas que Jesus tão bem profligou e teve o cuidado de prevenir-nos contra eles: são os modernos escribas e fariseus…
Ele foi muito explícito quanto a esses aventureiros – atravessadores da fé – e Kardec inseriu no bojo da Codificação longas referências a esses astuciosos embaidores.
É incrível como em plena era cibernética e astronáutica que permitem ao homem extrapolar seus limites planetários, possam – paralelamente – coexistir tanta ignorância, tanta limitação mental e absurdos mil!…
Recomenda-nos Erasto (1): “(…) desconfiai dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos momentos de transição em que, como no atual se elabora uma transformação da humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e messias. É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar.
O verdadeiro missionário de Deus tem de justificar a missão de que se diz portador pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras; ignoram-se a si mesmos; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados…
Os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe deem crédito. Observai-os, perscrutai-lhes as ideias e os atos e reconhecereis que, acima de tudo, lhes faltam as qualidades distintivas do Cristo: a humildade e a caridade, sobejando-lhes as que Jesus não tinha: cupidez e orgulho.”
Ensina-nos São Luís (2): “Jesus disse: ‘conhece-se a árvore pelo fruto’. Se, pois, são amargos os frutos, já sabeis que má é a árvore; se, porém, são doces e saudáveis, direis: ‘nada que seja puro pode provir de uma fonte má.’
É assim, meus irmãos, que deveis julgar; são as obras que deveis examinar. Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: estes são realmente enviados de Deus.
Desconfiai, porém, das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e fariseus que oram nas praças públicas, vestidos de longas túnicas. Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da Verdade!… O Cristo não está entre eles.
Os que Ele envia para propagar a Sua santa Doutrina e regenerar o Seu povo serão, acima de tudo, seguindo-Lhe o exemplo, brandos e humildes de coração; os que hajam com os exemplos e conselhos que prodigalizem, de salvar a humanidade, que corre para a perdição, serão essencialmente modestos e humildes. De tudo o que revele um átomo de orgulho, fugi, como de uma lepra contagiosa, que corrompe tudo em que toca. Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos, o cunho da sua grandeza ou de sua inferioridade.”
Rogério Coelho
Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XXI, item 9; e
(2) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XXI, item 8.
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