
O terapeuta cristão
O amor e a paciência desdobram-se em revérberos de mil matizes
“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos,
expulsai os demônios: de graça recebestes, de graça dai.”
– Jesus. (Mt., 10:8)
A “Parábola do Bom Samaritano” reveste-se de alta significação para quantos desejam colaborar com Jesus na árdua messe de levar conhecimento e consolações aos aflitos filhos do calvário.
Estudando-a de forma mais profunda, vamos identificar o “eixo” do seu significado na íntima compaixão que brotou no coração do samaritano (Lc., 10:33), o que não aconteceu com o sacerdote e o levita mais bem credenciados (presumivelmente) para os misteres do amor e da caridade… Tal fato nos leva a concluir que o terapeuta cristão de quaisquer épocas não poderá prescindir de duas virtudes básicas no desempenho das tarefas assinadas pelo Cristo: o amor e a paciência!
Não fosse o amor, a compaixão (precursora da caridade) não teria sensibilizado o coração do samaritano, pois, entendemos que a compaixão é um alongamento do Amor que deve seguir sempre à frente de nossos passos. Ela (a compaixão) é a identificadora das misérias ocultas ou não, sendo, ao mesmo tempo, o dispositivo que aciona as providências da caridade.
Naturalmente que o amor e a paciência desdobram-se em revérberos de mil matizes que vão constituindo o “modus-operandi” do terapeuta cristão. Assim, o socorro aos sofredores deverá ser vazado na emoção superior e equilibrada, sem foros de pieguismos ou condicionantes. Auxiliar e seguir, para não oferecer ensejo à criação de dependências ou exigências de retornos de quaisquer espécies.
A ação equilibrada secundará a palavra consoladora e amiga na medicação da Alma desesperada, favorecendo-a com recursos libertadores das pungentes angústias das aflições. Tais ações e palavras deverão estar veiculadas pelo Amor lecionado pelo Meigo Pegureiro.
Afirma João Cleófas (1): “a recomendação do Mestre a respeito do Amor a Deus e ao próximo como a si mesmo, relevante sobre todos os aspectos considerados, nas atividades de socorro mediúnico tem prevalência. Toda terapia de natureza psicológica apoia-se no interesse entre quem socorre e quem recebe ajuda. Ninguém pode realizar uma terapia eficiente sem o envolvimento da razão lúcida e do amor desinteressado”.
Dissemos inicialmente que a paciência é também fator que não podemos menosprezar nas tarefas socorristas. Por quê?! Ora, sem ela o socorro junto aos sofredores tenderia a encaminhar-se para a direção de imposições caprichosas, imperativos apaixonados, exigências descabidas, cogitações de retornos que se converteriam em rebeldias e insensatezes nas criaturas socorridas. A falta de paciência permitiria a nefasta presença de palavras carregadas de reproche que teriam o efeito de ácido colocado em feridas abertas.
É ainda João Cleófas, no livro acima mencionado, quem nos leva a observar a ação da Natureza, mostrando-nos a paciência como suave modeladora de caracteres: “(…) o vento e a chuva, incessantemente e através dos tempos, modificam a paisagem terrestre. Trabalham a rocha, modelam as formas variadas, e, enquanto o rio silencioso corre abrindo vales e aprofundando leitos, o Planeta se altera na sucessão dos milênios… A paciência para com os irmãos irritados, vitimados pela perturbação e rebeldia, é indispensável para atingir-lhes o âmago d`Alma. Ela constitui um trabalho transformador no terapeuta que se encarrega do esclarecimento, e medicamento abençoado no necessitado que teima por ignorá-la.
Quem deseja seguir as pegadas de Jesus há que munir-se de amor e paciência, habilitando-se, só assim, a tornar-se eficiente instrumentação socorrista, com matrícula garantida nas leiras de serviço onde os desesperados filhos do calvário encontrarão, por fim, o atendimento necessário.
O corolário natural de tais empreendimentos é a promoção tanto dos terapeutas quanto dos assistidos… E somente assim conseguiremos atender ao programa que Jesus traçou para os que desejam atravessar a porta estreita, e efetivamente ─ em Seu nome ─ curar os enfermos, limpar os leprosos, ressuscitar os mortos, expulsar os demônios com os recursos que de graça recebemos e de graça devemos dar”.
Rogério Coelho
Referência:
(1) FRANCO, Divaldo. Suave luz na sombra. Salvador: LEAL, 1994, p. 136-137.
Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em < https://letterpile.com/poetry/Natures-Secret-is-Patience>. Acesso em: 12FEV2022.
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