
Perdão e Autoperdão
No Capítulo “INFLUÊNCIA PERNICIOSA DAS IDEIAS MATERIALISTAS” de OBRAS PÓSTUMAS de Allan Kardec, encontramos assim:
“O inferno está no próprio coração do culpado, que tem nos remorsos o seu castigo, não mais, todavia, eterno, e ao mau, que toma o caminho do arrependimento, se depara de novo com a esperança, sublime consolação dos desgraçados”.
Portanto, criamos a partir de nosso comportamento milenar, acertos e frustrações, experiências boas e más, alegrias e tristezas, arrependimento e culpa, mágoa e ressentimento, vingança e ódio, enfim, todo um cabedal de lições que deveriam servir de aprendizado, mas devido ao mecanismo de defesa (orgulho), descambamos para culpa e punição, chegando a esse martírio que vivemos.
Cabe apenas e tão somente a nós, dar o fim nesses parasitas psicológicos que nos atormentam a ponto de nos tirar a paz e a tranquilidade. Para isso precisamos buscar respostas para muitas perguntas. Vejam algumas:
- Como amar a si mesmo?
- Qual a fórmula para efetivar o perdão verdadeiro?
- Qual o remédio para o melindre?
- Existe uma forma de controle da irritação?
- Como vencer os conflitos sexuais?
- Como amar inimigos?
- Como superar os impulsos mentais de violência?
- Como dominar as desordens nos raciocínios, quando nos encontramos sob pressão?
- Como discordar e criticar sem gostar menos do outro?
Perguntas essas, que precisariam manter latentes em nossas mentes diariamente, para trabalhar esse autoperdão.
Todos desejamos a melhora, mas qual o caminho a tomar? No livro Céu e Inferno, traz um direcionamento em 3 passos. Vamos lá:
1 – Desejo de Melhora – (Seria o ARREPENDIMENTO)
2 – (SENTIMENTO DE CULPA)
3 – Esforço de Superação (PEDIDO DE PERDÃO)
Se tirarmos o PEDIDO DE PERDÃO dessa sequência teremos apenas o remorso, ou seja, os arrependidos que nada fazem para se melhorar.
Querer melhorar, sentir-se culpado e nada fazer é muito doloroso. Daí a necessidade de não se deixar levar pela culpa, senão fixo minha mente no erro e não na reparação dele.
Sem o autoperdão poderemos estar construindo mais provas dolorosas para o futuro, porque estaremos ativando sentimentos de desprezo, raiva, desânimo, ansiedade, tristeza, desespero e pessimismo.
Na questão 661 de O Livro dos Espíritos traz a seguinte afirmação: “Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas apenas o obtém ao mudar de conduta. As boas ações são as melhores preces, porque os atos valem mais do que as palavras”.
Traz à baila a pergunta: Deus perdoa? Acredito que ele nos dá novas oportunidades para reparar o erro, através das múltiplas reencarnações, e quando experimentarmos o “cansaço emocional”, estaremos nos aproximando dos dizeres de Eurípedes Barsanulfo quando diz: “Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés”.
Perdoar é parar de sofrer com a ofensa e descobrir porque ainda dói nas partes mais secretas do coração, o que ela nos quer ensinar.
É a chance de rever o que a imaginação construiu em desacordo com a realidade.
O vigiai e orai de Jesus nunca esteve tanto em evidência como agora. Somente vigiando nossos pensamentos e fazendo a introspecção através da meditação, é que aprenderemos a nos aceitar como realmente somos.
- Enquanto eu não me perdoar, não conseguirei perdoar meu próximo.
- Enquanto em não me aceitar, não aceitarei o outro como é.
- Enquanto eu não respeitar meus limites, eu continuarei a exigir do outro que faça o que eu acho que é certo.
Para fazer jus ao que o Cristo disse sobre “fazer ao outro aquilo que gostaria que se vos fizesse”, teríamos que conhecer nossos limites para não exigir do outro aquilo que nem nós ainda conseguimos fazer.
Somente buscando a luz do autoperdão, recomeçando quantas vezes forem necessárias, nos aceitando como realmente somos, é que chegaremos à compreensão de como partir rumo à perfeição. Recomeçar sempre. Essa é a palavra de ordem nesses tempos de transição.
Francisco Ortolan
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